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ARTIGO

O preconceito racial no Brasil: resistência aos imigrantes asiáticos

No dia 18 de junho é comemorada a imigração asiática para o Brasil. Chineses, coreanos e japoneses principalmente muito contribuíram e contribuem para a cultura, culinária e indústria nacionais, mas esse reconhecimento nem sempre aconteceu. Durante muitas décadas os japoneses foram tratados com preconceito e violência no Brasil. 

A imigração asiática no Brasil sofreu sérias repressões por parte dos imigrantes europeus que aqui já haviam se estabelecido. O preconceito disseminado contra os nipônicos encontrava semelhanças com o antissemitismo, ambos eram tratados como "serpentes" que queriam estabelecer seu domínio econômico e político sobre o mundo. Há diferenciação do preconceito contra os nativos brasileiros, que eram taxados de vagabundos e promíscuos, e do preconceito contra os negros (oriundos da África), que eram reprimidos pela Igreja e tratados como desprovidos de capacidade intelectual, entre outras coisas.

Na tese de Marcia Yumi Takeuchi são levantados vários pontos de observação sobre a recepção que tiveram os imigrantes nipônicos nestas terras tupiniquins, como a resistência de correntes voltadas ao catolicismo, como é o caso dos "Sábios de Sião". Obviamente grupos religiosos têm suas próprias intenções na sociedade e no Estado, e não é interessante que um grupo adverso se estabeleça e acabe criando sua própria organização. O que de fato surpreende é o posicionamento de alguns profissionais da saúde que condenaram a diversificação étnica.

A medicina, até meados do século XX, esteve subserviente aos ditames do Estado, dos clamores de elites econômicas ignorantes. Assim foi com a condenação da liberdade feminina, com o rebaixamento dos nativos e negros, sempre criando - literalmente - motivos pseudo-científicos para justificar isto. Motivos estes que são desmentidos em qualquer análise racional dos casos. No episódio dos asiáticos, o médico psiquiatra Antônio Xavier de Oliveira, definiu que os japoneses teriam "doenças mentais incuráveis", e que seu contato com os então cidadãos brasileiros poderia ser prejudicial.

Outras correntes difundiam a ideia de que a imigração asiática traria prejuízos ao "trabalhador nacional", uma vez que o plano dos japoneses era, assim como o dos judeus, instalarem-se aqui, dominar os meios de produção e deixar os brasileiros à mingua. Curiosamente os brasileiros daquela época não tinham o mesmo pensamento sobre a relação que tinham com os nativos do território que invadiram.

Os representantes políticos, por sua vez, foram ávidos no processo anti-imigração. Nos tempos da constituinte do Estado Novo, grupos parlamentares se uniram para estabelecer o impedimento do ingresso de asiáticos no país. Esta tentativa xenófoba foi combatida por outros grupos políticos e pelo então Presidente da República, Getúlio Vargas. Alegava-se o perigo amarelo, pois os japoneses "estariam vindo para cá com a intenção de destruir o país. O embate constituinte resultou em uma cota de imigrantes aceitos por ano, que ficou afixada em 2% por etnia.

A imprensa, por sua vez, desempenhou um papel duplo: ao mesmo tempo em que reportava os combates travados pelo Japão desde o início do século, ridicularizava japoneses, chineses e coreanos. As charges eram o principal produto dos jornais, seja com a justificativa do "perigo amarelo", onde evidenciava-se o imperialismo e traços estéticos, ou por simples ignorância com relação aos hábitos daquele povo - poucos sequer sabiam onde fica o Japão.

Durante a Primeira Guerra Mundial houve uma leve inversão. Passou-se a temer o perigo alemão e a isolar colônias alemãs no país (o que não durou muito), enquanto os japoneses eram aliados do Brasil na guerra. Mesmo sendo aliados, ainda eram vistos de forma incômoda. A hipótese é que seja por conta de toda a propaganda negativa que tiveram durante todo o período anterior.


Alexandre Stori Douvan - Acadêmico do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)







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