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Região

Estiagem: entenda impacto no Planalto Norte e previsão para os próximos meses

Situações mais graves ainda são exceção na região, mas cuidado é necessário

Diógenes de Barros
Foto: Fernanda Haiduk

Segundo informações do último boletim hidrometeorológico disponibilizado pelo Governo do Estado, os meses de novembro e dezembro em Santa Catarina terão pouca precipitação. A região Oeste é a mais atingida, com chuvas abaixo da média durante os dois meses finais do ano. Porém, o Planalto Norte deve ficar atento e reforçar o uso racional do recurso. 

Até o momento, o abastecimento de água pela Casan, nos municípios da região, ainda não foi impactado. "Graças à capacidade da maioria dos mananciais, não foram enfrentadas situações mais agravantes. Os rios, mesmo com redução de nível, estão mantendo a vazão necessária para o abastecimento urbano", observa o Superintendente Regional Norte Vale do Itajaí da Casan, Rangel Barbosa. 

Porém, no começo do ano, o município de Monte Castelo enfrentou situação mais delicada. O Rio Passa Quatro, afluente que abastece a região, perdeu a capacidade de suprir a demanda urbana. Na época, Casan e Prefeitura Municipal executaram a transposição de água do Rio Canoinhas para o Rio Passa Quatro, recuperando o fornecimento de água. Em Itaiópolis, a área urbana chegou a ser afetada pela estiagem no Rio São Lourenço, no primeiro quadrimestre de 2020. 

A situação também é estável nas comunidades rurais. De acordo com o Sargento Bombeiro da Defesa Civil Regional de Canoinhas, Clodoaldo Ribas dos Santos, os Coordenadores municipais da Defesa Civil têm realizado o acompanhamento diário e semanal nas comunidades, para verificar possíveis situações de falta de água ou outros impactos na produção agrícola. 

Desde de junho de 2019 o estado enfrenta a escassez, a qual chegou a dar sinais de trégua no primeiro semestre de 2020. Porém, com o aparecimento do fenômeno La Niña, novamente os níveis de precipitação caíram. Em outubro, segundo dados do boletim, grande parte das regiões de Santa Catarina ficaram vinte dias sem chuva, isso durante um mês onde historicamente os níveis pluviométricos são grandes. O documento também observou 160 municípios em estado de normalidade; 88 em situação de atenção; 23 em alerta e 10 em estado crítico. 

Seca em Santa Catarina é cíclica, observa Pesquisador de Hidrologia da Epagri 

O fenômeno da estiagem se caracteriza como um período prolongado de poucas chuvas, causando desequilíbrio hidrológico e afetando abastecimento público e atividades diretamente e indiretamente dependentes de água. Segundo o Pesquisador de Hidrologia da Epagri, Guilherme Miranda, os fenômenos são cíclicos no estado. "Existem anos em que são maiores, em outros são menores. No entanto, essa estiagem de setembro e outubro é decorrente diretamente do La Niña. Esse fenômeno causa resfriamento das águas do oceano pacífico e, devido ao esfriamento, provoca-se estiagem, principalmente na região sul do Brasil". 

Porém, durante os últimos dois anos diversas situações contribuíram para o período prolongado de escassez. Em março e abril de 2020, por exemplo, foram observados intensos bloqueios atmosféricos na região do Centro-Oeste e Sudeste brasileiro. "Isso afetou a ocorrência de entrada de frentes frias no país, principalmente na região sul, diminuindo as precipitações de inverno no estado", ressalta Miranda. 

Com a previsão de poucas chuvas para novembro e dezembro, é ainda mais importante o uso racional de água e práticas conscientes de economia no dia a dia. De acordo com Santos, torneiras gotejando possuem grande capacidade de desperdício de água. Uma torneira aberta gasta, em média, vinte litros durante cinco minutos. Além disso, um banho de quinze minutos consome 243 litros do recurso e o ato de lavar a calçada com mangueira, por quinze minutos, gasta 279 litros. "Somando-se essas ações, a quantidade de água desperdiçada é grande. Por isso, é importante evitar banhos demorados, manter a torneira fechada ao fazer a barba ou escovar os dentes; antes de lavar pratos e panelas, limpar bem os restos de comida; usar vassoura e não mangueira para limpar a calçada e o quintal da casa e evitar lavar o carro, durante a estiagem", indica o Sargento Bombeiro. 

Para Janeiro existe perspectiva de melhora e volta da regularidade. Entretanto, o primeiro mês do ano sempre possui chuvas acima da média em Santa Catarina. "Até lá, é necessário economizar e usar o recurso natural de forma racional, para que seja possível utilizá-lo de maneira a não afetar as atividades produtivas, tanto na agricultura quanto em indústrias e principalmente no abastecimento público das cidades", finaliza Miranda.                                                                                                     

Fonte: Diógenes de Barros - Assessoria de Comunicação APASC a serviço do Comitê Canoinhas e Afluentes do Rio Negro.






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