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ENTREVISTA

Merisio quer aumentar efetivo da PM e ampliar tecnologia na gestão pública

06 Setembro 2018 21:47:58

Candidato do PSD é administrador e ex-presidente da Alesc

Você diz que deseja um Estado seguro. Ambientalmente, juridicamente, e também do ponto de vista de ataque ao crime organizado. Que Santa Catarina você quer construir, deste ponto de vista?

O estado tem problemas na saúde, tem demanda na educação, agora tem uma decisão para tomar. Ou nós enfrentamos como uma decisão de sociedade as facções, o crime organizado agora, ou perderemos o controle, como já perdeu o Rio de Janeiro. Nós temos que ter primeiro aumento do efetivo. Nós vamos reconvocar e trazer policiais da reserva. Trazer tecnologia, e nisso nós vamos investir R$ 2 bilhões. Monitoramento, inteligência, e também priorizarmos todo o excesso de arrecadação para a segurança pública. No caso dos presídios, o controle do fluxo de informações. 

Isso do ponto de vista da segurança pública. E da segurança jurídica?

Segurança jurídica é respeitar contratos. Não fazer nenhuma medida intempestiva como foi feita recentemente, a Medida Provisória 220, que altera contratos em vigor, e portanto, quebram a relação de confiança do investidor com o Estado.  

A área ambiental deve ser a única que deve crescer no Estado. Também para garantir a segurança jurídica?

Na área ambiental, são duas questões relevantes. Primeiro, ela tem que ser muito criteriosa na concessão de licenças. Nós vamos aumentar drasticamente o número de técnicos, de especialistas. Nós temos hoje R$ 70 bilhões de investimentos parados aguardando licenciamento ambiental. Isso não quer dizer que os R$ 70 bilhões precisam ser autorizados. Eles precisam ser negados ou autorizados. O que não pode é ficar por anos aguardando uma posição.  

Qual é a prioridade na saúde e como atingir o patamar mínimo destinado para a pasta considerando a saúde financeira do estado?

Primeiro, a situação financeira do estado é muito melhor do que a atual gestão está apregoando. O que nós temos é pouca geração de caixa para investimentos. Nós precisamos ter projetos estruturados com sustentabilidade econômica que permitam pagamento no longo prazo. Bons projetos que melhorem a infraestrutura, que melhorem a competitividade e, por consequência, melhoram a arrecadação do estado. Este aumento de receita paga o financiamento. 

Inclusive sobre renúncia fiscal?

Renúncia fiscal é uma ferramenta que o estado tem para ser competitivo com outras regiões. O que pode e deve se discutir é como ela fica mais transparente, como ela é avaliada e o período para cada setor e cada segmento. Agora, diminuir a desoneração fiscal é aumentar a carga tributária e isso nós somos radicalmente contra.  

O senhor falou que não existe corpo saudável com dedo doente. Se referindo a quatro regiões...

A miséria extrema está pulverizada em todas as cidades de Santa Catarina de forma invisível. É uma família em cada canto da cidade. Com relação à pobreza e os indicadores abaixo da média que é o caso do Extremo-Sul, Extremo-Oeste, Planalto Serrano e Planalto Norte, nós temos que criar cinturões de desoneração fiscal por um tempo de dez anos para que as empresas ou as indústrias que foram se instalar lá. Depois de construída uma nova matriz industrial e econômica, você pode retirar o benefício que ela já tem vida própria. 

O estado tem dificuldade para investir em rodovias. Nesse sentido, como retomar este ciclo?

Nós vamos fazer um processo de capitalização com o BRDE. E vai ser dividido entre o setor privado e o setor público. No setor público, um mix entre estado e prefeituras para, em conjunto, fazermos um investimento de R$ 6 ou R$ 7 bilhões. Nós temos capacidade de financiamento a longo prazo. Nós temos hoje mais de 50% do patrimônio líquido em endividamento, o Banco Central permite até 200%. Critério nas obras que serão financiadas, que serão investidas, é fundamental. Elas tem que ter um retorno econômico seguro.  

Investimento essencialmente em rodovias?

Infraestrutura rodoviária. Ferrovia é uma utopia. Com todo respeito, falar em ferrovia sem conseguir duplicar a BR-282 e a BR-470 é brincar com a população. Primeiro, vamos falar em duplicar a 282 e a 470. Depois que nós termos o projeto pronto, e a execução pronta, aí podemos falar em ferrovia. Porque é uma excrescência falar em uma ferrovia que custa sete vezes uma rodovia que nós não conseguimos duplicar, uma artéria do desenvolvimento de santa catarina.  

Sobre o ensino médio profissionalizante. Como o senhor pretende lidar com isso com uma questão de evasão que preocupa bastante?

Preocupa porque nós temos as mesmas práticas de ensino de 100 anos atrás. Isso não atrai mais o jovem para dentro da sala de aula. Imaginar turno estendido, tempo integral, sem um aprofundamento na ferramenta de ensino envolvendo as tecnologias nos processos é uma causa sem ganho. No Brasil, se construiu uma estratégia de o ensino médio ser uma ponte para a universidade. Precisamos continuar com a ponte universitária, mas também o ensino médio preparar para o mercado, com escola técnica apropriada. 

Qual vai ser o tratamento com as ADRs?

Elas vão ser extintas na sua plenitude. Mas não por rancor, ao contrário. Por uma visão que eu tenho que elas representam um estado ultrapassado. Onde a tecnologia não é aplicada e onde se gasta muito nos processos administrativos intermediários e sobra pouco para o serviço. Nós temos uma indústria 4.0 e um governo 1.0, em todos os serviços.  

O senhor fala bastante da questão dos esqueletos do estado?

Os esqueletos vem do governo do Paulo Afonso. Letras, Invesc, 401 e a maioria dos precatórios está por pagar e deve dar R$ 1,5 bilhão. Esses quatro monstrinhos aqui representam R$ 12 bilhões. Isso associado à 1998 com quatro folhas de pagamento atrasadas. Essas contas precisam ser lembradas senão parece que é tudo igual. Não é. Tanto é que agora a mesma econômica já apresentou seu cartão de visita: atrasou a parcela do 13º. Mesmo assim, assinou R$ 200 milhões a fundo perdido com municípios dois meses antes. Esses critérios que fazem a fotografia do PMDB. 


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