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CAFÉ COM GARIS

Garis são homenageados pelo seu trabalho

17 Maio 2019 14:35:00

Evento, que já é tradição há 9 anos, reuniu cerca de 50 profissionais

Bruna Werle
Foto: Bruna Werle
O nome profissional ?gari? é em homenagem ao francês Pedro Aleixo Gary

Na tarde de quarta-feira, 15, o grupo da Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas (Oase) da Igreja Luterana de Canoinhas organizaram um café da tarde para uma categoria de profissionais que contribuem diariamente para manter a cidade limpa e bonita. Embora não seja instituído por lei, 16 de maio é celebrado em diversas cidades o Dia do Gari.

 O Café com os Garis é uma tradição do grupo, que começou em 2010 e busca por meio de uma tarde descontraída, interagir com essa categoria pouco valorizada. Neste ano, 50 pessoas participaram do encontro, entre elas varredores de rua, funcionários da empresa Balsa Nova Comercial e da Serrana Engenharia e separadoras de reciclável e coletores.

 Eles são os responsáveis pela limpeza urbana de praças, ruas pavimentadas e seus respectivos passeios e outros espaços públicos, além da coleta de resíduos domiciliares e na coleta seletiva. Seus corpos são seus instrumentos de trabalho, atuam em situações deploráveis e nem por isso recebem o reconhecimento e salários compatíveis com a importância de suas funções laborais.

 Os garis são submetidos a uma jornada de trabalho penosa e insalubre, em função das condições em que é exercida, do manuseio de produtos para limpeza, higiene e conservação, bem como do contato com lixo e detritos, muitas vezes em estado de decomposição, que podem provocar moléstias graves.

 Adailton Walter é coletor de lixo, e trabalha na empresa prestadora de serviço para a prefeitura, Serrana Engenharia. Acorda às 4h da manhã para fazer o turno das 5h às 14h. Correr atrás do caminhão, que não pode parar, é o maior desafio para Walter. "Estamos correndo o tempo todo, com sol ou chuva, levantando sacolas pesadas de lixo, cuidando com os materiais cortantes, com cachorro, e ainda se preocupando com outros carros, motos, bicicletas e pedestres da rua".

 Embora seja uma jornada cansativa e com muitos desafios, o que engrandece a profissão, é a possibilidade de ver a cidade limpa e os amigos que fez dentro da empresa. "Trabalhamos toda vida contente", ressalta.

 Durante o café, em uma conversa para troca de informações os garis desabafaram e pediram a atenção da sociedade pelo seu trabalho. A correta destinação dos resíduos, como os vidros, devem ser colocados em caixas de papelão e com identificação. "Somente quando a gente vê um colega machucado por causa de um vidro é que nos preocupamos com a nossa segurança", comenta um dos coletores. O descarte das esponjas de louça foi levantado pelas senhoras do Oase, que questionaram se há alguma destinação correta para elas.

 A mensagem deixada pela pastora Maíze Katiane Dhein é que qualquer que seja a profissão, deve-se agradecer e fazer com o coração. "Proporcionamos esse momento justamente para agradecer o trabalho de vocês pela nossa cidade e assim vocês também possam seguir desempenhando, onde vocês estiverem, de todo o coração", ressaltou. Além do café, os profissionais receberam um presente do grupo.

Curiosidade: A história do nome

  Historicamente, o nome profissional 'gari' é em homenagem ao francês Pedro Aleixo Gary, que, em 1876, assinou contrato com o Ministério dos Negócios do Império para executar os serviços de limpeza da cidade do Rio de Janeiro. Ele costumava reunir seus funcionários para limpar as ruas após a passagem de cavalos.

 Com o tempo, os moradores se acostumaram com esse trabalho e sempre mandavam chamar a "turma do Gari" para executá-lo. Aos poucos o nome se generalizou e o Brasil inteiro passou a denominar estes trabalhadores desta forma. Assim, foi instituído em 1962, através da Lei Estadual 212, sancionada pelo então Governador do Estado da Guanabara, Carlos Lacerda, o Dia do Gari, cuja primeira comemoração foi em 16 de maio de 1963.


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