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CENSO AGRO 2017

Na contramão de SC, Canoinhas aumenta presença no campo

Região cresceu em produtores e estabelecimentos agropecuários

DA REDAÇÃO
Foto: Luiz Costa/SMCS

Dados preliminares do Censo Agro 2017, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o número de produtores rurais em Santa Catarina caiu 12,8% nos últimos 11 anos, passando de 571.522 em 2006 (data do último Censo Agro), para 497.823 em 2017. Mas, na análise individual dos municípios, a região surpreendeu ao ir na contramão do Estado e apresentar crescimento, tanto de produtores como de estabelecimentos.

A queda a nível de Estado está atribuída, principalmente, pela diminuição da presença de jovens no campo, que, neste período, caiu 38,7%. A área rural está mais velha - registrou crescimento de 56% no número de produtores acima de 55 anos.

A diminuição fica ainda mais considerável quando comparada com 1975, primeiro ano em que o IBGE apurou o número total de trabalhadores rurais. Naquele ano, o Estado tinha 858.734 agricultores, contra os 497.823 atuais, ou seja, a queda em 42 anos foi de mais de 40%. Especialistas apontam dois eixos centrais como causa: a diminuição da taxa de natalidade e o êxodo rural.

Outro dado que ajuda a entender o novo perfil do produtor rural é o número absoluto de estabelecimentos agropecuários. Cada estabelecimento corresponde a uma unidade produtora, como uma fazenda, por exemplo. Eram 206 mil estabelecimentos em Santa Catarina em 1975; passaram para 193,6 mil, em 2006; e para 183 mil, em 2017. Ou seja, 10,6 mil estabelecimentos deixaram de existir nos últimos 11 anos.

Com vocação agro, Canoinhas mantém crescimento

Ao contrário do Estado como um todo, Canoinhas é uma das poucas cidades que mantêm crescimento de propriedades e pessoal ocupado no campo, comparando os resultados do Censo 2006 e os dados preliminares do recente Censo 2017.

Em 2006, o município contava com 6612 produtores em 2044 estabelecimentos agropecuários. Atualmente, são 7018 produtores em 2916 estabelecimentos.

Nas cidades vizinhas, há algumas variações. Major Vieira também aumentou o número de produtores e de propriedades nos últimos 11 anos. Já Bela Vista do Toldo e Irineópolis, por exemplo, registraram aumento na quantidade de propriedades, mas menor número de produtores. Já Três Barras seguiu a tendência do Estado e perdeu mão de obra no campo, assim como o volume de propriedades rurais (confira os índices nas tabelas abaixo).

O fato de os dados mostrarem que Canoinhas, principalmente, fez o caminho inverso ao do Estado, despertou a surpresa e o interesse de especialistas da área. A reportagem procurou a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri) de Canoinhas, que fez uma análise dos dados apresentados pelo Censo Agro 2017 e trouxe algumas hipóteses para o fato.

Apresentando o resultado dessa discussão entre a equipe da Epagri de Canoinhas, o gerente regional, Donato João Noernberg, atribui o aumento à possível ocorrência de divisão de propriedades, considerando que o município possui um alto número de estabelecimentos com menos de 50 hectares. Atrelado a isso, pode estar a maior permanência dos jovens no meio rural, devido à rentabilidade das atividades no campo em relação às atividades urbanas na região, especialmente no cultivo do tabaco, que segue crescendo. "São pequenas propriedades onde os filhos formam suas famílias e assumem parte desses estabelecimentos agropecuários, declarando-se produtores independentes. Num cenário onde as condições de empregabilidade no meio urbano acabam não trazendo opções tão rentáveis, o jovem vê mais vantagem em ficar no campo", comenta.

Segundo Noernberg, esta análise é uma avaliação preliminar, que pode ser melhor embasada com a divulgação definitiva do Censo Agro 2017 e a apresentação de dados ainda não disponíveis - como o levantamento da estratificação dos estabelecimentos por município, que pode comprovar essa teoria. Ele também lembra que o trabalho desenvolvido nos últimos anos incentivando a qualificação de jovens do meio rural também deve gerar resultados a longo prazo. "Além da capacitação para as turmas desses cursos, existe um poder de irradiação de conhecimentos em cima da liderança que esses jovens passam a exercer", observa.


Mecanização  

RCN /Santa Catarina 

O IBGE também mensurou a participação do maquinário no agronegócio catarinense. Em 1975, havia 15.641 tratores em Santa Catarina, número que pulou para 69.884 em 2006, e para 108.374 em 2017. O avanço da tecnologia sobre áreas rurais é uma realidade constante e crescente, e tem sido fator importante para o crescimento da produtividade. Além disso, o aumento do maquinário permite ao agricultor desenvolver outras áreas de produção.

Nesse sentido, a floresta de pinus é destaque. Ideal como matéria-prima para produção de celulose, a cultura cresceu mais de 470% desde 1975, em detrimento de áreas destinadas a pastagens naturais, fruticultura e lavouras tradicionais. A área passou de 194 mil hectares para 918 mil hectares nestes 42 anos.

Outro setor que ganhou muita relevância com o desenvolvimento tecnológico foi a criação de animais. O número de bovinos nos últimos 11 anos cresceu 16%, com aumento considerável na produção de leite: passou de 1,3 bilhão de litros em 2006 para 2,83 bilhões de litros em 2017. O número de suínos cresceu 22,1% no mesmo período: passou de 6,5 milhões de cabeças para 8,4 milhões de cabeças. E o de aves caiu, de 179 milhões para 168 milhões de cabeças.

Houve aumento significativo também nas terras arrendadas em Santa Catarina. Comparando com o Censo de 2006, o número de estabelecimentos deste tipo subiu 18,77%, enquanto a área cresceu 46,27%, indicando que quem já tinha terra nessas condições provavelmente aumentou a área de arrendamento.





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