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AGRONEGÓCIOS

No dia do Colono e do Motorista, a comemoração é pelo avanço do agronegócio na região

Combinação entre os elementos fundamentais para a vida, fazem com que a agricultura não acabe no país

Bruna Werle
Foto: Bruna Werle
Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Canoinhas, Romualdo Stein

Uma data que remete às origens e aos pioneiros, em um momento de celebrar e evidenciar aqueles que, ao longo de anos, plantam as bases do desenvolvimento e do progresso do país. Há mais de cinco décadas, no dia 5 de setembro de 1968, foi sancionada pelo presidente Artur da Costa e Silva a Lei nº 5.496, que instituiu oficialmente o "Dia do Colono", que a partir de então, foi comemorado em 25 de julho de cada ano.

No mesmo ano, no dia 21 de outubro, o presidente sancionou o Decreto nº 63.461/1968, que instituiu o "Dia do Motorista", cuja comemoração é feita, anualmente, também no dia 25 de julho. A data é em homenagem ao protetor dos motoristas e dos viajantes São Cristóvão. E mesmo não sendo considerado feriado, a data é sempre comemorada com eventos, festa, desfiles, e homenagens alusivas aos Colonos e Motoristas.

O Brasil é um país com abundância de recursos naturais, com extensas áreas agricultáveis e disponibilidade de água, calor e luz, elementos fundamentais para a vida. É essa combinação perfeita para que a agricultura tenha crescido nas últimas décadas.

A partir de 1990, as demandas crescentes e políticas macroeconômicas de estabilização, como controle da inflação e taxas de câmbio mais realistas, impulsionaram ainda mais o crescimento do setor agrícola, que passou a ser o principal responsável pelo superávit da balança comercial brasileira. No entanto, as políticas públicas não são suficientes e o homem do campo continua buscando por mais valorização.


Movimento Grito da Terra

Principal evento da agenda do movimento sindical do campo, o Grito da Terra reúne milhares de trabalhadores e trabalhadoras rurais de todo o País em Brasília, que tem na pauta reinvindicações relativas às políticas agrícolas (assistência técnica, crédito), à reforma agrária (desapropriação de terras e criação e manutenção de assentamentos), às questões salariais (cumprimento e ampliação das leis trabalhistas) e às políticas sociais (saúde, previdência, educação e assistência social). Além de defender os interesses das mulheres trabalhadoras rurais e da juventude rural.

O primeiro Grito da Terra Brasil foi organizado em 1995 e teve como saldo imediato a criação de uma linha de crédito no valor de R$ 1,5 milhão para a agricultura familiar. De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Canoinhas, Romualdo Stein, o Gritos da Terra rendeu importantes conquistas como a criação do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), e da melhoria das condições de trabalho dos assalariados rurais.


Marcha das Margaridas

Desde o ano 2000, a cada quatro anos, camponesas de todos os estados marcham inspiradas pela história de Margarida Maria Alves, liderança assassinada por defender os direitos de trabalhadoras e trabalhadores rurais. Hoje, a Marcha é considerada a maior e mais efetiva ação de luta das mulheres do campo, da floresta e das águas, contra a exploração, a dominação e todas as formas de violência e em favor de igualdade, autonomia e liberdade feminina. No mês de agosto, duas mulheres de Canoinhas irão para Brasília representar o Sindicato e todas aquelas que se dedicam à agricultura na região.


Por mais produtos biológicos

Atualmente, a sociedade tem buscado por uma alimentação mais saudável, com menos agrotóxicos e industrializados. Essa mudança no comportamento social, reflete diretamente na agricultura, que, para atender a demanda, tem procurado produzir produtos mais orgânicos e naturais.

O Sindicato, em parceria com a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) de Canoinhas, está montando um grupo de produtores rurais que trabalham com produtos livres de químicos.

"A população está disposta a pagar um pouco mais por produtos mais biológicos. Então nós vamos agora começar a trabalhar esse grupo e a gente espera ter um bom respaldo para frente", comenta o presidente.


Diversificação do solo

A monocultura, sistema de exploração do solo com especialização em um só produto, ainda é uma prática comum no meio rural da região. No entanto, esse tipo de produção gera insegurança aos agricultores, que sofrem com as intempéries do clima ao longo do ano.

"Esse ano, a seca no começo do ano e muita chuva no outono, fez com que diminuísse a produção e reduzisse a qualidade do fumo, desvalorizando o preço da classe na hora da venda", explica Stein.

Uma solução para que o agricultor não seja prejudicado, é a diversificação da propriedade. Com uma policultura, onde há o cultivo de várias plantas e animais em uma área, o produtor tem a garantia de produtos de qualidade o ano todo. "Porque se tiver uma outra cultura, que venha dar suporte ao produtor, nessas situações incontroláveis, o sustento está garantido", complementa.


Agricultura Familiar

Pequenas extensões de terra e que utilizam fundamentalmente o trabalho da família na produção rural, historicamente a agricultura familiar é responsável por grande parte do abastecimento do mercado interno, com produtos que fazem parte da dieta básica alimentar da população.

"A agricultura familiar é o alicerce da nossa região. Ainda que haja a suinocultura, pecuária, avicultura, apicultura, e a piscicultura, a Agricultura familiar responde mais de 70% da produção, tanto do Estado como no país", afirma o presidente do Sindicato.


A era da informação e da tecnologia

Até 1990 homens e mulheres do campo sofriam com escassez de tecnologia e de informação. O que prevalecia era o trabalho braçal na produção agropecuária. Menos de 2% das propriedades rurais contavam com máquinas agrícolas. Esse cenário mudou, o boom no desenvolvimento tecnológico trouxe modernidade e conhecimento ao produtor rural.

Nesse sentido, o Sindicato incentiva que os produtores rurais estejam atualizados em relação aos assuntos da terra, do plantio e colheita. Plantio direto, zoneamento de riscos climáticos, manejo de pragas, manejo de plantas daninhas, mecanização, sucessão de até três cultivos anuais na mesma área e integração da lavoura da soja com pecuária e floresta são temas que o homem do campo precisa conhecer.

"A gente vê o quanto a cada ano está mudando, o quanto de conhecimento está vindo. A gente preza muito para que o trabalhador rural busque esse conhecimento e aprimore sua propriedade. A tecnologia e os investimentos chegaram para ajudar", comenta Stein.


De importador à exportador

De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), nos últimos 40 anos, o Brasil saiu da condição de importador de alimentos para se tornar um grande provedor para o mundo. Foram conquistados aumentos significativos na produção e na produtividade agropecuárias. O país se tornou um dos principais colaboradores do agronegócio mundial.

Santa Catarina é o maior produtor nacional de suínos e segundo maior produtor de aves do Brasil, e fecha o primeiro semestre de 2019 com crescimento de 56% nas exportações de carnes. Segundo dados do Ministério da Economia, de janeiro a junho, o Estado embarcou mais de 929 mil toneladas de carne suína e de frango, sendo 331,4 mil toneladas a mais do que no mesmo período de 2018.


Rota do Milho

Entre 1975 e 2017, a produção de grãos, que era de 38 milhões de toneladas, cresceu mais de seis vezes, atingindo 236 milhões, enquanto a área plantada apenas dobrou. Santa Catarina produz em média três milhões de toneladas de milho por ano e utiliza sete milhões na alimentação de suínos e aves, uma vez que o consumo diário passa de 19 mil toneladas.

Uma alternativa mais viável e barata para suprir a demanda de grãos é diminuir os custos logísticos para a importação do grão e abastecimento das agroindústrias no Estado. Com a implantação da Rota do Milho, o agronegócio de Santa Catarina poderá ser abastecido com os grãos produzidos no Paraguai, com os caminhões passando pela Argentina e chegando ao estado pela aduana de Dionísio Cerqueira.





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