,
CONTAMINAÇÃO

Águas das enxurradas aumentam o risco de doenças infectocontagiosas

Bruna Werle
Foto: Divulgação
Ao andar nas águas é necessário o uso de botas ou calçados rígidos com perneira com proteção até o joelho e calças compridas

Caracterizado pelo frio e período de chuva, o Planalto Norte Catarinense, vive, historicamente e, quase que, anualmente, episódios de enxurradas e enchentes, com a aproximação do inverno. Na semana passada, as fortes e constantes chuvas que deixaram as cidades da região em situação de alerta, fizeram com que o Rio Canoinhas subisse rapidamente, ocasionando alagamentos em diversos pontos dos municípios.

Além dos prejuízos ambientais e materiais, o contato com as águas sujas, e a proliferação de animais peçonhentos devem receber atenção. De acordo com a coordenadora do Programa de Endemias, do Ambulatório Municipal de Epidemiologia da Secretaria de Saúde de Canoinhas, a bióloga, Cristina Brandes Grosskopf, as principais ocorrências epidemiológicas após as inundações são os acidentes por animais peçonhentos e o aparecimento de surtos de doenças infecciosas.

Casos de leptospirose, doenças respiratórias, meningites e doenças de transmissão hídrica e alimentar, cólera, diarreia, febre tifoide, hepatite tipo A, giardíase, amebíase, verminoses, são as mais atendidas pelas equipes de Saúde do município. "As pessoas podem contrair a leptospirose quando entram em contato com água ou lama contaminadas pela urina de roedores, como as ratazanas, ratos de telhado e camundongos. A bactéria entra na pele, com ou sem ferimentos, quando em contato com águas contaminadas", explica a bióloga.

Alimentos com cheiro, cor ou aspecto fora do normal, estando úmidos, mofados ou murcho, bem como frutas, verduras e legumes estragados ou escurecidos e alimentos crus ou malcozidos, ou ainda cozidos ou refrigerados e que tenham ficado por mais de duas horas fora da geladeira, como leite, carnes, ovos, e sobras de alimentos, e que entraram em contato com a água de enchente sãos os transmissores de doenças hídricas e alimentares e não devem ser consumidas.

"Alimentos com embalagem em plástico (garrafas PET, leite em saco, grãos ensacados) que não foram abertos, mas que tiveram contato com água da enchente devem ser descartados. Alimentos com embalagens em latas, plásticos e vidros que apresentem sinais de alteração, como inchaço, esmagamento, vazamento, ferrugem, buracos, tampas estufadas e com outros danos, mesmo que não estejam abertos devem ser descartados", orienta Cristina.

Além dos cuidados com a alimentação, deve-se estar atentos aos animais peçonhentos, uma vez que estes invadem as residências, aumentando o risco de acidentes, principalmente em áreas verdes ou próximas a matagais. A estadia temporária em alojamentos e abrigos, com uma grande quantidade de pessoas convivendo em um mesmo espaço, pode favorecer a disseminação de doenças de transmissão respiratória. "As inundações também propiciam a ocorrência de acidentes com ferimentos, levando ao aumento do risco de contaminação pelo bacilo do tétano, o qual está presente na natureza, no solo, na poeira e nas fezes de alguns animais", alerta.

Febre, dor de cabeça, diarreia, náusea, vômito, dor abdominal e dores no corpo são os principais sintomas das doenças causadas pelas águas contaminadas. Nesses casos é necessário procurar com urgência o serviço de saúde mais próximo e comunicar os detalhes do acidente ao profissional de saúde. Cristina ressalta para a importância de relatar informações como o objeto que foi ferido, em caso de suspeita de tétano, e por qual animal foi picado, em caso de acidente por animais peçonhentos.

"O melhor a fazer é prevenir-se deixando a vacinação das doenças imunopreveníveis em dia. A vacinação pode prevenir o tétano e difteria, conhecida como antitetânica que deve ser reaplicada a cada 10 anos, Hepatite A e meningite, que são oferecidas na rotina de vacinação da criança", lembra.

PREVINA-SE

Após a água baixar, é recomendável lavar tudo o que foi molhado para eliminar microrganismos nocivos. A coordenadora do Programa de Endemias, Cristina dá algumas dicas para prevenir o contagio de doenças após as enxurradas:

1. Sempre filtre e ferva (por 5 minutos) a água antes de beber. Caso não possa fervê-la, trate a água para consumo com hipoclorito de sódio (2,5%). Para cada litro de água que for beber, adicionar duas gotas de hipoclorito de sódio e deixar repousar por 30 minutos. É importante respeitar esse tempo de repouso para eliminar a bactéria.

2. Utilize hipoclorito de sódio (2,5%) para as atividades de higienização. Leia e siga as instruções da etiqueta na embalagem do produto. Nunca misture o hipoclorito de sódio (2,5%) com alvejante, nem com outros produtos de limpeza.

3. Para não se contaminar com a água da enchente ou lama, no momento da limpeza, utilize equipamentos de proteção individual (botas, luvas, máscara). Botas e luvas podem ser substituídas por plásticos e a máscara por pano ou lenço limpo

4. Evite o contato com água ou lama de enchentes ou esgotos. Impeça que crianças nadem ou brinquem nesses locais, que podem estar contaminados pela urina dos ratos.

5. Após as águas baixarem será necessário retirar a lama e desinfetar o local (sempre se protegendo). Deve-se lavar pisos, paredes e bancadas desinfetando com água sanitária na proporção de duas xícaras das de chá (400ml) desse produto para um balde de 20 litros de água, deixando agir por 30 minutos.

6. Não ande descalço. Use botas ou calçados rígidos com perneira com proteção até o joelho e calças compridas.

7. Não pegue nos animais peçonhentos, nem que pareçam estar mortos. Em caso de encontrar animais peçonhentos dentro da residência, afaste-se lentamente deles, sem assustá-los e chame o Corpo de Bombeiros.

Medidas práticas para evitar a presença de roedores:

1. Manter os alimentos guardados em recipientes bem fechados e à prova de roedores (potes de vidro, latas de alumínio), em locais elevados do solo. Manter a cozinha limpa, sem restos de alimentos.

2. Retirar as sobras de alimento ou ração de animais domésticos antes do anoitecer e manter limpos os vasilhames de alimentação, evitando restos alimentares que atraem os roedores.

3. Fechar buracos e vãos nas paredes e rodapés para evitar a entrada de roedores nas casas. Manter ralos e vasos sanitários bem tampados. Manter os terrenos baldios limpos.

4. As margens de córregos devem ser preservadas e protegidas, sem lixo ou entulho. Evitar entulhos e acúmulo de objetos nos quintais, como telhas, madeiras e materiais de construção, pois servirão de abrigo ao roedor.

5. Acondicionar o lixo em sacos plásticos ou em latões de metal com tampa, armazenando-o em locais altos até que seja coletado. Colocar o lixo pouco antes da coleta realizada pelo Serviço de Limpeza Urbana.

SINAL DE ALERTA!

Leptospirose

A Leptospirose é uma doença infecciosa causada por bactérias que podem ser encontradas em fezes e urina de animais contaminados, principalmente, ratos. Os sintomas incluem febre alta, perda do apetite, calafrios, vômitos, diarreia, dor de cabeça e dores no corpo até 40 dias depois de ter entrado em contato com as águas de enchente ou esgoto. Em casos mais graves, há insuficiência renal, alteração na circulação sanguínea e insuficiência hepática, por exemplo.

Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar

Se uma ou mais pessoas, que compartilham o mesmo ambiente, apresentar três ou mais episódios de diarreia em um intervalo de 24 horas, além de náusea, vômito e dor abdominal depois de comer e beber alimentos da mesma origem deve-se procurar o médico.

Doenças de Transmissão Respiratória

Se apresentar febre, tosse e/ou dor de garganta, deve-se procurar imediatamente o médico. O doente deve seguir as orientações do médico e tomar os medicamentos corretamente. O doente deve ficar em repouso, ter uma alimentação balanceada, ingerir líquidos, evitar sair de casa enquanto estiver doente, até cinco dias após o início dos sintomas.

Tétano

Inicialmente o indivíduo apresenta contrações involuntárias na região do ferimento evoluindo para contrações generalizadas. Contrações excessivas de alguns músculos faciais (riso sardônico) e contrações excessivas dos músculos do pescoço, da região dorsal e rigidez muscular progressiva, atingindo os músculos abdominais (abdômen em tábua, barriga dura) e o diafragma. As crises de contraturas (músculo duro), geralmente, são desencadeadas por estímulos luminosos ou sonoros (luzes intensas e volume de som alto).

Na fase mais avançada pode ocorrer dificuldade de engolir o alimento, insuficiência respiratória, alterações neurológicas, entre outros sintomas.

Micose

É uma doença de pele causada por fungos. Os microrganismos se proliferam especialmente em ambientes com muita umidade e sujeira. Por isso, é necessário retirar roupas molhadas e sapatos úmidos após pegar chuva. Os sintomas variam de acordo com o local do corpo, mas o principal deles é a coceira e o aparecimento de manchas vermelhas. O tratamento deve ser indicado por um dermatologista.

Hepatite

A transmissão do vírus da hepatite A é bastante comum em lugares com pouca higiene e sem saneamento básico. Os sintomas se assemelham com os da gripe, incluindo dor de cabeça, de garganta, tosse e sensação de mal-estar que podem durar várias semanas. Por ser um vírus, os medicamentos recomendados tratam os sintomas e não a causa da infecção.



correiodonorte
teste 6.jpg


site cópia não autorizada.png

teste 6.jpg

JORNAL CORREIO DO NORTE - Rua Três de Maio, 364, Centro, Canoinhas-SC - (47) 3622-1571 - Whats: 47 9 8865-7880

Copyright © 2011. Todos os direitos reservados | Correio do Norte