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ENTREVISTA

Como está o Hospital Santa Cruz?

Presidente explicou como o hospital tem atuado nos cuidados com os pacientes de Covid-19 e detalhou a situação financeira da associação

José Rossi Júnior
Presidente do HSCC Reinaldo de Lima Junior

Com a pandemia do novo coronavírus, a comunidade de todo o Planalto Norte pode ver, ainda com mais clareza, a importância do Hospital Santa Cruz de Canoinhas (HSCC) para a região. Mesmo com as dificuldades financeiras, já conhecidas da sociedade, ele tem sido essencial para cuidar dos pacientes diagnosticados com Covid-19.

Para elucidar as dúvidas a respeito da atual situação da associação, o CN conversou com o presidente Reinaldo de Lima Júnior, que ocupa o cargo de forma voluntária, que fez um balanço de sua gestão, comentou sobre a situação financeira do hospital, detalhou a maneira como a comunidade pode ajudar, e, explicou as dificuldades e transtornos enfrentados pelo hospital, nos cuidados com os pacientes de Covid-19.

Confira:

CN: Como a pandemia do Covid-19 influenciou no cotidiano do hospital de modo geral? Além do cuidado redobrado com a transmissão do vírus, muitos profissionais foram mudados momentaneamente de função? Algum leito foi fechado periodicamente?

Presidente: A pandemia influenciou todos os hospitais e lógico, que no Hospital Santa Cruz, não foi diferente. Inicialmente foi necessário estruturar um fluxograma para admissão na Ala Covid. Após, mesmo com a alta qualidade técnica dos colaboradores, foi necessário a preparação para atender estes pacientes, com segurança e com o cuidado que eles mereciam e merecem. Colaboradores que atuavam nas alas clínicas, cirúrgicas, UTI e maternidade foram selecionados para atuarem no enfrentamento ao Covid-19. Foi necessário adaptar quartos, transformando-os em leitos de UTI, ou seja, onde tinham três leitos, passamos a ter no máximo dois. Algumas decisões foram tomadas em conjunto com o poder público, sendo a transferência da maternidade para a Fundação Hospitalar de Três Barras, Felix da osta Gomes, e as cirurgias para o Hospital Municipal Major Vieira (Hospital São Lucas). Hoje, a maternidade e as cirurgias já estão no Hospital Santa Cruz de Canoinhas. Aproveito para, destacar a diferença estre as três instituições, sendo fundação privada e hospital municipal, ao contrário do HSCC que é uma associação, como pode ser consultado, através do http://servicos.receita.fazenda.gov.br/Servicos/cnpjreva/Cnpjreva_Solicitacao.asp?cnpj=, pelo CNPJ 83.192.096/0001-64.

Todos os projetos, que tínhamos para serem executados em 2020, foram obrigados a ficar na gaveta, pois o foco desde março foi destinar todos os esforços para o atendimento dos pacientes da Covid-19. Quando assumi a presidência do HSCC, em 04/2019, juntamente com toda a diretoria, nosso principal objetivo era não fechar a instituição, dada as dificuldades financeiras, jamais esperava enfrentar uma situação (em 2020) como está, ou seja, como esta pandemia que o mundo não teve como se prevenir.

CN: A pandemia foi prejudicial à saúde financeira do HSCC? Se sim, de que maneira?

Presidente: Como todos sabem a situação financeira do HSCC nunca foi das melhores, quando assumi a presidência do HSCC, com o apoio de toda a diretoria e conselhos, foi uma decisão muito difícil, pois meu CPF foi colocado diante de uma dívida a curto prazo de R$ 15.617,832,42 (passivo Circulante) e a longo prazo de R$ 2.805.292,52 (passivo não circulante). Estes dados são de 31/12/2018, disponíveis no  http://www.hsccsaude.com.br/#.

Assumimos este desafio em abril de 2019. Lembro que meu trabalho, assim como da diretoria e conselhos são voluntários. Em 2018, o déficit foi de R$ 1.923,630,11, com muito esforço, em 2019, fechamos com um déficit de R$ 206.963,00. Agora em 2020, vamos aguardar como será, mas acredito que não vamos conseguir avançar o que esperávamos quanto ao resultado financeiro.

A pandemia foi sim prejudicial, pois houve cancelamento das cirurgias eletivas através do Decreto Estadual 526, de 17 de abril de 2020, redução dos exames diagnósticos, a demanda do HSCC, no que diz respeito a internamentos, outras patologias também reduziram significativamente, e os recursos recebidos são destinados exclusivamente para a Ala Covid. Lembro ainda, que todo recurso recebido se faz necessário elaborar um plano de trabalho e ser aprovado pelo conselho municipal da saúde, após a execução, deve-se prestar conta. Neste sentido, para a Ala Covid, temos recursos, porém para as demais estruturas do HSCC, nem tanto, pois deve utilizar outras fontes de recursos. Qualquer pessoa entende que o custo fixo de uma empresa ou entidade se mantem, e quando a receita reduz, as dificuldades surgem. Nossa principal despesa, a qual posso chamar de investimento é com a folha de pagamento. A diferença de uma empresa é que quando baixa a produção pode-se realizar a demissão, no caso do hospital, nem sempre, pois devemos manter um número de colaboradores determinado pelos órgãos reguladores, até mesmo para manter um atendimento seguro aos pacientes. A Ala Covid, deve ser administrada de forma separada das demais, pois os recursos são carimbados. No início tivemos ajuda financeira dos municípios da comarca, esta ajuda reduziu atualmente, justificado pelos repasses financeiros dos outros entes federativos.

CN: Foi anunciado que os leitos de UTI abertos durante a pandemia permanecerão abertos depois, qual será a utilização deles?

Presidente: Hoje temos 10 leitos habilitados (UTI Covid). Lembro que recebemos 5 respiradores da Secretaria de Estado da Saúde, e isto no mês passado, mas estamos com a UTI Covid, desde abril. A intenção é sim permanecer com a UTI em funcionamento, porém destinadas a casos específicos como uma UTI Pediátrica ou até mesmo a ampliação da UTI adulto, pois possuímos estrutura para abertura de 10 leitos. Algumas pessoas, podem se perguntar se existe a necessidade de ampliação da UTI adulto, pois informo que temos demanda sim para mais 10 leitos. Em recente visita na UTI do Hospital São Vicente de Paulo, no município de Mafra, tínhamos 7 pacientes de Canoinhas, em um determinado dia. Considerando que já temos 10 leitos, poderíamos dizer que 20 leitos não seria um número elevado, quem sabe o ideal. Mas lógico, nossa UTI precisa de investimentos, por exemplo, um equipamento para hemodiálise, recurso financeiro para execução deste serviço, como equipe médica, enfermagem e insumos em geral, devido ao alto custo dos procedimentos.

CN: Como a colaboração da comunidade (vaquinha virtual) e as doações das empresas ajudaram o hospital neste momento atípico vivido pelo setor da saúde?

A ajuda foi fundamental, com estas doações adquirimos quatro respiradores que totalizaram R$ 329.000,00, sendo três, a um custo de R$ 83.333,33 cada e um equipamento a um custo de R$ 79.000,00. Também foi possivel utilizar parte deste recurso para as despesas de custeio. Então, não resta dúvidas que a ajuda da comunidade foi fundamental, seja ela financeira ou até mesmo com insumos e alimentos, principalmente no início, onde ainda não tínhamos recebido recursos públicos sejam estaduais ou federais.

CN: Quais os principais problemas enfrentados pela administração do HSCC durante a pandemia?

Presidente: Acredito que uma das principais dificuldades foi, e é, encontrar profissionais, em especial técnico de enfermagem para contratar, e isto é uma realidade do Brasil. Outra dificuldade, é o valor dos insumos, produtos 10 vezes mais caros se comprados com meses antes da pandemia. Não podemos esquecer da questão psicológica da sociedade, o que em minha interpretação é justa, porém o pânico é prejudicial em todos os aspectos. Entretanto, todas as dificuldades fazem parte do processo inesperado que estamos atravessando, e um bom navegador, conhecemos durante a tempestade.

CN: De que maneira os profissionais do HSCC estão se cuidando para não contrair o vírus do Covid-19, durante o cuidado com os pacientes?

Presidente: Temos um rigoroso protocolo de segurança e de parametos no HSCC, o qual foi elaborado por uma equipe técnica extremamente capacitada, bem como, foi seguido os critérios e protocolos do Ministério da Saúde, Vigilância Sanitária e baseado nos protocolos do Hospital Albert Einstein. Os colaboradores são orientados a cumprirem as recomendações, pois a segurança depende da responsabilidade de cada profissional. Neste sentido o protocolo a ser seguido aliado ao treinamento, fazem toda a diferença neste cuidado para não contrair o vírus. Aproveito, para agradecer a todos os colaboradores do HSCC. Acredito que estes mais de 200 colaboradores fazem toda a diferença nesta instituição que em 07 de março de 1939, foi oficialmente fundada, ainda como "Casa de Caridade Santa Cruz" e em 1940 teve seu nome alterado para Hospital Santa Cruz de Canoinhas.

CN: De que maneira a comunidade da região pode ajudar o HSCC?

Presidente: A ajuda pode ser de várias formas, mas inicialmente confiando na gestão, pois estamos lá voluntariamente e com as melhores das boas intenções. Depois, participando do HSCC, sempre estive e estarei durante o meu mandato como presidente (que termina em março de 2022) a disposição para esclarecer dúvidas. Gostaria muito de receber o convite de outras entidades para falar sobre o HSCC, sobre a movimentação financeira, sobre os projetos futuros, sobre como vamos resolver os problemas passados, entre tantas outras questões. Outra maneira extremamente importante é fazer doações financeiras, doação em alimentos ou de insumos utilizados na instituição. E por último, acompanhar as atividades do HSCC.






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