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Saúde

SC é o melhor estado brasileiro em Doação de órgãos

Muitas vezes, o transplante de órgãos pode ser única esperança de vida ou a oportunidade de um recomeço para pessoas que precisam de doação

Da Redação

Santa Catarina possui hoje um dos melhores índices de doação de órgãos por milhão de habitantes do país, saiu de 17,5 em 2010 para 40,9 doadores efetivos pmp em 2018. O ano de 2019 vem sendo um ano mais que especial, em setembro, a Central Estadual de Transplantes de Santa Catarina registrou número recorde de doações  

A doação de órgãos é um ato nobre que pode salvar vidas. Muitas vezes, o transplante de órgãos pode ser única esperança de vida ou a oportunidade de um recomeço para pessoas que precisam de doação. É preciso que a população se conscientize da importância do ato de doar um órgão.  

O transplante de órgãos é um procedimento cirúrgico que consiste na reposição de um órgão (coração, fígado, pâncreas, pulmão, rim) ou tecido (medula óssea, ossos, córneas) de uma pessoa doente (receptor) por outro órgão ou tecido normal de um doador, vivo ou morto.

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil é referência mundial na área de transplantes e possui o maior sistema público de transplantes do mundo. Atualmente, cerca de 96% dos procedimentos de todo o País são financiados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em números absolutos, o Brasil é o 2º maior transplantador do mundo, atrás apenas dos EUA. Os pacientes recebem assistência integral e gratuita, incluindo exames preparatórios, cirurgia, acompanhamento e medicamentos pós-transplante, pela rede pública de saúde.

Em Santa Catarina o mês de setembro foi o primeiro da história da SC Transplantes, unidade vinculada à Superintendência de Regulação e Serviços da Secretaria de Estado da Saúde, em que foram registradas mais de 40 doações efetivas de órgãos.

Foi o recorde absoluto em 20 anos de existência. Os números mostram o avanço da unidade, especialmente no ano de 2019. Em setembro, justamente o mês da doação de órgãos, foram contabilizadas 43 doações efetivas. O que equivale no mês a quase 74 p.m.p.!

"Com foco na educação dos profissionais de saúde e na organização do sistema estadual de transplantes temos evoluído constantemente e nos posicionamos como a melhor central de transplantes do Brasil em doação efetiva de órgãos em doze dos últimos 15 anos. Nos outros três anos apresentamos o segundo melhor desempenho entre todos os estados brasileiros", ressalta o coordenador estadual da SC Transplantes, Joel de Andrade. "Nos quase 20 anos de existência o SC Transplantes tem trabalhado para obter melhores resultados a cada mês".

Andrade destaca que 2019 foi um ano mais que especial. "Registramos o melhor fevereiro da história, com 24 doações efetivas, o melhor julho da história e segundo melhor resultado já alcançado com 34 doações", afirma. 'E então, veio setembro, mês do doador, com uma recompensa aos esforços de todos os profissionais da Secretaria de Estado da Saúde e a solidariedade dos catarinenses. Contabilizamos 43 doações efetivas. É a primeira vez que rompemos a barreira das 40 em todos os anos de trabalho e apenas a quinta vez que ultrapassamos o número de 30 em um único mês".

Os melhores desempenhos da SC Transplantes foram registrados nos últimos dois anos: em dezembro de 2017 (38 doações efetivas), outubro de 2018 (32), novembro de 2018 (31) e julho de 2019 (34).

Para se ter uma ideia da evolução da SC Transplantes, nos primeiros cinco anos de atividade foram registrados menos doadores por ano que o total obtido apenas no último mês de setembro. Somente em setembro foram mais de 900 pessoas transplantadas no estado.

"A somatória desta atividade em duas décadas de trabalho contabiliza mais 15.300 transplantes. Números equivalentes a população da cidade de Palmitos, a octogésima sétima mais populosa de Santa Catarina", compara Andrade. "A melhor notícia é que estes resultados apontam tendências. Seguiremos trabalhando para que a população tenha as melhores chances ao necessitar de um transplante de órgão, tecido ou célula. Finalmente nossa gratidão as famílias doadoras, os verdadeiros protagonistas nessa lição de solidariedade".

No Estado são realizados transplantes de coração, rim, fígado, rim e pâncreas conjugado, córnea, esclera, tecido ósseo e válvula cardíaca, sendo a maioria esmagadora pelo Sistema Único de Saúde.

NO PLANALTO NORTE CATARINENSE

De acordo com os dados divulgados pela SC Transplantes, a lista de espera de Órgãos e Tecidos de janeiro a novembro do ano passado estava em 537. No Planalto Norte do estado, são 102,8 notificações por milhão de população (pmp) para 49,6 doações pmp no ano de 2019.

Da região, somente Mafra (Hospital São Vicente de Paulo), Canoinhas (Hospital Santa Cruz), Bento do Sul (Hospital Maternidade Sagrada Família)e Porto União (Hospital São Bráz) são credenciados pararealizar captação de órgão e tecido.

O HSCC desde maio de 2014oportuniza todos os familiares a realizarem a doação, conforme disposto na lei nº 9.434, de 4 de fevereiro de 1997, com remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante e tratamento.

Segundo o relatório da SC Transplantes, até novembro de 2019, Canoinhas possuía apenas duas notificações, um doador, mas com recusa. Outro dado interessante é que o município somou durante o ano de 2018, nove doações de Tecido Ocular. Os dados atualizados não foram disponibilizados.

I FÓRUM INTERNACIONAL DE COORDENAÇÃO DE TRANSPLANTES DO BRASIL

Entre 26 e 29 de novembro aconteceu, em São José SC, o Fórum Internacional de Coordenação de Transplantes do Brasil. O evento contou com a participação de quase 300 profissionais da área, com representante de 20 unidades da federação do Brasil, incluindo todos os sistemas estaduais mais relevantes. Representantes dos EUA, Espanha, Argentina levaram informações essenciais da construção de cada um destes sistemas.

A construção do modelo catarinense de doação e transplante foi dissecada. Cada etapa e cada decisão da construção do sistema estadual de SC, com base no sistema espanhol, foi contemplada. "Os participantes nos deram um retorno muito positivo e tivemos uma aprovação maciça das apresentações e de cada exemplo derivado da experiência de Santa Catarina e dos outros modelos discutidos", exclama Andrade.

Dentro do evento ocorreu uma reunião das coordenações estaduais de transplantes e da Coordenação Geral do Sistema Nacional de Transplantes (CGSNT). Foi tratada uma articulação para um plano nacional de transplantes para a área no Brasil. "Muito orgulho para nós termos participados deste momento da construção do Sistema Nacional de Transplantes. Para coroar o evento, recebemos do Ministério da Saúde o reconhecimento de melhor estado brasileiro em Doação de órgãos", orgulha-se o coordenador estadual.


Tire suas dúvidas sobre doação de órgãos:


Como posso ser doador?
Hoje, no Brasil, para ser doador não é necessário deixar nada por escrito, em nenhum documento. Basta comunicar sua família do desejo da doação. A doação de órgãos só acontece após autorização familiar.


Que tipos de doador existem?
Doador vivo - Qualquer pessoa saudável que concorde com a doação. O doador vivo pode doar um dos rins, parte do fígado, parte da medula óssea e parte do pulmão. Pela lei, parentes até quarto grau e cônjuges podem ser doadores; não parentes, somente com autorização judicial.
Doador cadáver - São pacientes em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) com morte encefálica, geralmente vítimas de traumatismo craniano ou AVC (derrame cerebral). A retirada dos órgãos é realizada em centro cirúrgico como qualquer outra cirurgia.


Quais órgãos e tecidos podem ser obtidos de um doador cadáver?
Coração, pulmão, fígado, pâncreas, intestino, rim, córnea, veia, ossos e tendão.


Para quem vão os órgãos?
Os órgãos doados vão para pacientes que necessitam de um transplante e estão aguardando em lista única, definida pela Central de Transplantes da Secretaria de Saúde de cada Estado e controlada pelo Ministério Público.


Como posso ter certeza do diagnóstico de morte encefálica?
Não existe dúvida quanto ao diagnóstico. O diagnóstico da morte encefálica é regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina. Dois médicos de diferentes áreas examinam o paciente, sempre com a comprovação de um exame complementar.


Após a doação o corpo fica deformado?
Não. A retirada dos órgãos é uma cirurgia como qualquer outra e o doador poderá ser velado normalmente.


Fonte: ABTO







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