Deputado estadual Silvio Dreveck (PP) bate no Governo e critica a escolha do coordenador da nova regional da Fatma em Mafra

CANOINHAS ? De fala articulada e grave, o deputado estadual Silvio Dreveck (PP) fala com a firmeza de quem não teme expressar suas idéias. Na entrevista a seguir, concedida na sexta-feira, 20, quando passou por Canoinhas, Dreveck critica abertamente o Governo do Estado e ações como a nomeação de Régines Roeder para coordenar a Regional da Fatma em Mafra. Acompanhe:

 

Correio do Norte: Qual a avaliação o senhor faz do PP no Estado hoje?

Dreveck: Estamos com mais de 70 prefeitos, temos um grande número de vereadores e a perspectiva é de que tenhamos um bom resultado nas próximas eleições. Em SC, em função de termos perdido o governo, é evidente que algumas perdas ocorreram.

Este ano estamos trabalhando no fortalecimento do partido em todos os municípios e acredito que aqui em Canoinhas não será diferente.

Todo partido tem seus altos e baixos, já fomos mais fortes, mas isso é natural.

 

CN: Uma de suas bandeiras na Assembléia diz respeito à defesa do setor madeireiro que atravessa um momento de crise, agravada com a queda cada vez maior da cotação do dólar. É possível vislumbrar um futuro melhor para a indústria madeireira a partir do cenário atual?

Dreveck: Primeiro temos de analisar que o setor madeireiro tem grande expressão na economia do Planalto Norte e está passando por uma crise sem precedentes. O que está afetando o setor, além do dólar baixo, são outros fatores como a alta taxa de impostos. Outro fator é a alta taxa de juros, a maior do mundo, embora tenha tido uma leve baixa. Hoje se exporta muito pouco manufaturados, nossa maior fatia de exportação está em commodities (produtos faturados antecipadamente). É preciso deixar de exportar apenas produtos agrícolas e começar a exportar cadeiras, bicicletas etc. Mas não acredito numa solução a curto prazo para a região porque o dólar está flutuando e não vai ser o dólar que vai resolver o nosso problema.

Nós precisamos ter uma colaboração, aliás, a obrigação dos governos em pagar o que devem às empresas exportadoras (créditos da Lei Kandir). Para se ter uma idéia de Campo Alegre a Porto União as empresas exportadoras têm mais de R$ 50 milhões em créditos e não recebem. Isso gera desemprego e fechamento das empresas. É preciso liberar crédito também para dar fôlego aos empresários. Além disso, é preciso fortalecer outras atividades como a agricultura. O plantio da maçã é um exemplo, é muito importante para a nossa região, mas para isso é preciso dar condições, o que não está acontecendo.

 

CN: O senhor é um dos críticos do prefeito de São Bento do Sul Fernando Mallon (Dreveck governou o município por oito anos). Hoje a cidade vive uma crise sem precedentes. Isso é culpa de governo ou da conjuntura econômica?

Dreveck: Tenho de reconhecer que é problema de conjuntura nacional, mas setorizada. Nós temos setores da nossa economia que estão crescendo bem, mas não é o caso da indústria madeireira, o que afeta especialmente São Bento do Sul, que tem muitas indústrias moveleiras. Como Mallon não está fazendo uma administração à altura do que a população esperava, tem prejudicado, evidentemente, novos investimentos na cidade. O município não vai bem e inibe investimentos. Agora quando o município vai bem, as obras são realizadas, isso chama atenção.

 

CN: Qual sua avaliação da terceira reforma administrativa do Governo do Estado?

Dreveck: Votei contra porque acredito ser importante descentralizar, isso eu sou a favor, descentralizar recursos da Educação, da Saúde, da Infra-Estrutura, isso eu estou de acordo. Agora, criar Secretarias para juntar cabides de emprego, aí eu sou contrário. Santa Catarina é o único Estado brasileiro com mais de 50 Secretarias. Estão sendo úteis para fazer trampolim político e digo porquê ? o Tribunal de Contas fez um relatório de onde foi gasto o dinheiro das Regionais. O governador Luiz Henrique tem dito que a descentralização levou o dinheiro para o interior, mas para nossa surpresa, a SDR que mais levou dinheiro foi a de Florianópolis. Este dinheiro destinado às Regionais não foi para investimento, foi para pagar aluguel, telefone, diárias, gasolina, esse tipo de coisa. Isso implica em aumentar despesas. O governo tem de colocar na cabeça que para investir em infra-estrutura, tem de gastar menos em despesas de custeio. Se não fizer isso, gastando mais em despesas de custeio, a tendência é aumentar impostos. Isso aconteceu no final do ano, com a tentativa do governo de aumentar o ICMS em dois por cento. Tanto é que o Estado está endividado em mais de R$ 1 bilhão.

 

CN: O senhor acredita que o Governo Federal ajude o Estado, conforme pediu LHS?

Dreveck: O Estado não pode ficar dependente do Governo Federal. Não pode fazer uma dívida antecipada contando com o dinheiro do Governo Federal. A única ajuda do Governo Federal deve vir com a incorporação do Besc.

 

CN: A Reforma Administrativa trouxe um benefício que especialmente a indústria madeireira aguardava que foi a aprovação da Regional da Fatma em Mafra. No entanto, não seria um retrocesso entregar o comando da Regional a alguém que é investigado pela Polícia Federal?

Dreveck: É lamentável isso, fiquei sabendo hoje que na verdade, o objetivo da criação da coordenação de Mafra não foi para colaborar com a região, mas sim para fazer uma acomodação política porque houve uma briga por indicação entre dois deputados e, por conta disso, não chegaram a um acordo. Estão criando a coordenação de Mafra para beneficiar uma pessoa que, no mínimo, não deveria estar exercendo a função pública.  Ainda sobre este assunto, soube hoje que a maioria dos projetos que passam pela Fatma de Canoinhas, e em Mafra não deve ser diferente, são remetidos para Florianópolis.

Florianópolis devolve dizendo que é de competência da Regional e dessa forma o cidadão tem que estar andando pra lá e pra cá sem nenhuma solução. Mais grave que isso: funcionários que cobram 20% do valor da multa para aplicar uma multa em determinada empresa.

Uma pessoa que já foi presa pela Polícia Federal não vai ser a solução para os problemas da Fatma, definitivamente.

 

CN: Qual vai ser sua participação nas eleições 2008. Bastidores ou linha de frente?

Dreveck: Estarei na linha de frente, mas não como candidato.