Inauguração do Centro de Diagnóstico por Imagem, em 29 de maio, não melhorou a situação dos pacientes que esperam por exames

Gracieli Polak

CANOINHAS

 

A espera por exames clínicos complexos, por enquanto, não diminuiu em nada desde a inauguração do Centro de Diagnóstico por Imagem do Hospital Santa Cruz, no dia 29 de maio. A demanda por exames como ultrassonografias, em Canoinhas é maior do que o número de exames realizados, problema que será sanado quando o Centro entrar em funcionamento, o que efetivamente, apesar do ato inaugural, não aconteceu.

Enquanto os exames laboratoriais e os de raios X são liberados na hora, sem demora para os pacientes, as ecografias enfrentam espera, que em alguns casos, se prolongam por meses.

Cristiane Pilotto Cavalheiro é uma dessas pessoas que sofrem com a demora da realização dos exames. Desde que perdeu o filho recém-nascido, em maio do ano passado, devido a problemas com a placenta, ela precisa fazer tratamento para voltar a engravidar sem apresentar riscos a ela ou ao filho, o que inclui a realização de ultra-sonografia intravaginal. ?O médico me deu a requisição para o exame no dia 30 de abril, mas o exame mesmo, só poderei fazer no final de julho, segundo o que me falaram no serviço social?, conta.

A secretária de saúde, Telma Bley, afirma que alguns exames realmente demoram mais tempo do que seria adequado, porque a demanda é muita alta para alguns procedimentos. Segundo ela, as clínicas da cidade não suportam tal quantidade. Telma explica que dos 163 exames ultra-sons a que o município tem direito por mês, a maioria não é realizada somente com os recursos do Sistema Único de Saúde (SUS)  e que a Secretaria paga mais de R$ 4 mil extras para que sejam realizados exames fora da cota. Outro problema que faz com que a espera seja longa em casos menos urgentes é a prescrição precoce de exames de alta complexidade.?Vários pedidos de tomografias e ressonâncias magnéticas não apresentam os dados clínicos que justifiquem a realização desses exames, o que torna difícil a autorização. É o que aumenta a fila?, explica Telma.

 

ESPERANÇA

 

 A secretária afirma ainda que Canoinhas, que hoje disponibiliza três ressonâncias magnéticas por mês, passará a disponibilizar 15 depois que o Centro de Diagnóstico por Imagem começar a funcionar. Todos os procedimentos que enfrentam espera nas filas, serão realizados satisfatoriamente depois que o Centro estiver funcionando. Mas até lá, pode se prolongar mais uma espera.

Segundo o secretário executivo do Consócio Municipal de Saúde (CIS), Luís César Batista, o funcionamento da clínica depende da calibração do equipamento e da contratação do médico radiologista que será responsável pelo Centro. ?Já temos o pessoal técnico, mas ainda não temos o médico. Assim que a contratação acontecer, e que tudo esteja certo, o Centro começará a funcionar?, explica.

Telma ressalta que, assim que o Centro começar a funcionar, Canoinhas será referência para toda a região, e deverá encurtar a distância dos pacientes que precisam ir para outras cidades fazer exames. ?Nós não estamos de braços cruzados. Estamos sempre buscando recursos para conseguir atender à demanda do município?, explica.