Com a ajuda de raio laser, pesquisador afina camada externa do óvulo, facilitando aderência do embrião ao útero.
Com a ajuda de raio laser, pesquisador afina camada externa do óvulo, facilitando aderência do embrião ao útero. Uma nova técnica de reprodução assistida, que começou a ser desenvolvida em agosto e terá seus resultados publicados numa revista científica dentro dos próximos meses, tem permitido à Clínica e Centro de Pesquisa em Reprodução Humana Roger Abdelmassih, de São Paulo, aumentar de maneira significativa o número de mulheres com mais de 35 anos que conseguem engravidar. A técnica ? desenvolvida no exterior e aperfeiçoada na clínica brasileira ? consiste em lançar um certeiro feixe de raios laser contra a zona pelúcida do óvulo já fecundado em laboratório. Zona pelúcida é a membrana que reveste externamente o óvulo. Depois de 8 a 10 disparos precisos de laser, cerca de 25% da superfície dessa membrana estão menos espessos e oferecem menor resistência à saída do embrião. Este pode, então, ser transferido para o útero da futura mamãe com maior chance de a gravidez evoluir normalmente, uma vez que conseguirá livrar-se do seu envoltório e fixar-se na parede uterina. De acordo com o especialista em reprodução humana Roger Abdelmassih, o método aperfeiçoado pela sua clínica é importante porque a zona pelúcida do óvulo torna-se excessivamente dura em mulheres com mais de 35 anos, muitas vezes inviabilizando a implantação do embrião no útero e o prosseguimento da gravidez. ?Graças ao processo de desgaste, de redução da espessura dessa membrana do óvulo já conseguimos quase dobrar os índices de implantação de embriões?, afirma o pesquisador russo-americano Dmitri Dozortsev, que faz parte da equipe da Clínica Roger Abdelmassih. A aplicação de laser também se mostrou muito útil no aprimoramento da ICSI, que é a técnica por meio da qual se injeta - com a ajuda de uma finíssima agulha ? um espermatozóide no interior do óvulo. Em 25% das mulheres que se submetem a esse tratamento da infertilidade, o óvulo é frágil a ponto de ser destruído quando se tenta perfurá-lo com a micro-agulha. Mas com um disparo de laser, os técnicos fazem uma pequena perfuração que abre caminho para a agulha, sem danificar o óvulo. Roger Abdelmassih destaca que os recentes avanços na área da reprodução assistida têm permitido às melhores clínicas atingir índices de sucesso elevados, em torno de 55% por tentativa para mulheres de até 35 anos.
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