Polícia espera resultado do teste de DNA para confirmar suspeita
CANOINHAS ? O corpo encontrado na periferia de Mandirituba, distante 40 quilômetros de Curitiba, na quinta-feira, 5, pode não ser do comerciante canoinhense José Vanderlei de Gross, 45 anos.
O exame da arcada dentária do corpo foi impossível por conta do estado em que se encontrava o corpo. Por enquanto, os únicos indícios que levam a Polícia a acreditar que o corpo seja realmente de Vande, são as roupas que o homem vestia, idênticas às de Vande, e as chaves da casa do comerciante, encontradas com o cadáver.
O corpo foi encontrado em um matagal, à cerca de 200 metros da BR-116, com uma perfuração na nuca, provocada por um disparo de arma de fogo.
Se realmente for Vande Andrade, a Polícia acredita que ele foi executado no mesmo dia do seqüestro, há 81 dias. O corpo está em avançada decomposição.
Segundo o delegado regional Altair Muchalski, esse é o terceiro corpo encontrado na região de Curitiba, que é apontado como sendo de Vande, mas, no entanto, ?nunca tivemos indícios tão fortes de que seja realmente ele?, reconhece.
Para Muchalski, mesmo que o último corpo encontrado não seja de Vande, trata-se de um caso de seqüestro seguido de morte.
Da mesma hipótese, compartilha o coordenador de Investigações da Diretoria de Polícia do Interior (DPI), delegado Mauro Cândido Rodrigues, que entrou recentemente no caso. ?Não tenho dúvida que esse corpo seja do Vande, é só uma questão de formalidade, oficializar sua morte?, acredita.
Com a impossibilidade de se reconhecer o corpo pela arcada dentária, o enterro do cadáver encontrado, que deveria acontecer no fim de semana, foi protelado. Apenas um exame de DNA poderá atestar se o corpo é ou não de Vande. Na quarta-feira, 11, os filhos de Vande foram a Curitiba para fornecer material a um laboratório que irá comparar o DNA dos filhos de Vande com o do cadáver encontrado.
O resultado do teste deve sair em 15 dias.
PRESOS ADEREM A LEI DO SILÊNCIO
Ninguém sabe, ninguém viu. Essa é a tática adotada pelos três homens presos, acusados de envolvimento no seqüestro de Vande. Segundo Rodrigues, outros quatro homens envolvidos no crime já tiveram suas prisões preventivas decretadas. ?É apenas uma questão de tempo prendê-los?, afirma Rodrigues.
Vande foi seqüestrado na manhã do domingo, 23 de outubro, em sua casa.
O filho dele, de 12 anos, comunicou o crime a Polícia.
De acordo com o relato do adolescente, ele acordou ouvindo o pai discutindo com quatro homens armados que o forçaram a abrir o cofre que, depois de roubarem R$ 20 mil em dinheiro, eletrodomésticos, celulares e roupas, trancaram o adolescente num quarto e fugiram na caminhonete de Andrade, levando-o como refém. A caminhote ainda não foi encontrada.
Conforme o inquérito, o crime foi premeditado. Os criminosos teriam planejado assaltar a casa de Vande imaginando encontrar muito dinheiro, já que teriam ouvido falar que Vande guardava grandes somas de dinheiro em casa. Dois moradores do bairro São Cristóvão, de Três Barras, conheceram quatro criminosos de Curitiba por meio de uma mulher, amásia de um deles.
Os paranaenses estariam interessados no dinheiro e os tresbarrenses estariam interessados em vingança já que teriam sido coagidos por Vande a pagar uma dívida.
Inicialmente, o plano da quadrilha teria sido apenas roubar e dar um susto em Vande, mas o empresário teria reconhecido os criminosos de quem era credor.
Assustados, os criminosos teriam resolvido seqüestrar Vande, levando-o na própria caminhonete.
No dia 24 de dezembro, a Polícia conseguiu prender em Major Vieira, mais um suspeito de ter participação no crime, João Carlos Soares Fragoso, conhecido como Teco. A exemplo dos outros três presos, Teco se restringe a dizer que é inocente e que só falará em juízo.
FORAGIDOS
Um dos foragidos que já teve sua prisão decretada é Júlio César de Oliveira e seria professor de capoeira no Paraná. Um menor de idade também de Curitiba, teria participado do assalto e do seqüestro, mas sua identidade não é conhecida pela Polícia.
Os retratos falados dos dois suspeitos foram divulgados há dois meses.
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