Conclusão é de que acidente foi causado por falha humana
Edinei Wassoaski
CANOINHAS
Falha humana. Esta é a conclusão da perícia realizada no caminhão caçamba da prefeitura de Canoinhas que atropelou um Santana na rotatória da rua 3 de Maio no dia 14 de junho, provocando a morte de Reinaldo Kovalek, 21 anos.
De acordo com o perito Marco Antonio Bubniak, não há dúvidas de que o caminhão estava em perfeitas condições de uso, especialmente o sistema de freios.
O laudo pericial foi concluído na segunda-feira, 7, e entregue ao delegado da Polícia Civil de Canoinhas, Getúlio Scherer, na terça-feira, 8.
Scherer confirmou a informação de Bubniak. Depois de concordar em entregar uma cópia da perícia a reportagem, no entanto, voltou atrás, optando por aguardar a conclusão do inquérito policial aberto a partir do laudo pericial.
TACÓGRAFO FOI TROCADO
O motivo para abertura de inquérito, que deve durar 30 dias prorrogáveis por mais 30, foi a troca do tacógrafo do caminhão antes da chegada da Polícia no local do acidente. A afirmação está no laudo pericial.
O tacógrafo é um equipamento de segurança obrigatório que registra a distância percorrida, vibrações e velocidade do veículo em relação ao tempo. Basicamente, registra a velocidade do caminhão. Esse registro é feito em uma lâmina que deve ser trocada semanalmente. No caso do caminhão envolvido no acidente, o tacógrafo daquela semana foi trocado pelo da semana anterior. A data, que marca o início da semana ? 02/06 ? foi alterada com uma caneta preta para 09/06. ?Não sei quem fez isso, o que cabe à Polícia investigar, mas quem fez demonstra total desconhecimento do assunto, já que o tacógrafo original não prejudicaria em nada a investigação?, explica Bubniak.
O perito descarta a possibilidade de o tacógrafo da semana anterior simplesmente não ter sido trocado. ?Caso não tivesse sido trocado, os registros dos dias subseqüentes teriam sido feitos em uma folha em branco, o que não foi o caso?, esclarece Bubniak.
Um técnico em tacógrafos endossou o que diz o perito. ?Trata-se de um crime de falsificação documental?, concluiu.
O perito pediu formalmente à prefeitura que buscasse o tacógrafo referente ao momento do acidente, mas não houve pronunciamento por parte do município.
Ele ouviu ainda o motorista do caminhão, Antoniel Vicente de Lima, que afirmou não ter mexido no tacógrafo.
MUNICÍPIO DEVE SE PRONUNCIAR NA PRÓXIMA SEMANA
De acordo com a assessora jurídica da prefeitura, Janaina Micheleto, até quarta-feira, 9, o município não havia recebido cópia da perícia que havia sido requerida junto à Delegacia de Polícia Civil. Prefeito Leoberto Weinert (PMDB), que chega hoje de viagem, deve se inteirar sobre as conclusões da perícia e se pronunciar no início da próxima semana, de acordo com a advogada.
PRÓXIMOS PASSOS
- A Polícia tem 30 dias, prorrogáveis por mais 30 para concluir o inquérito policial que vai apurar a responsabilidade pela troca do tacógrafo;
- Com o inquérito concluído, o delegado Getúlio Scherer encaminha ao Ministério Público;
- O MP decide se engaveta ou oferece a denúncia à Justiça.
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