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Feijão, milho e soja em crise em BVT

Produtividade baixa e preço em queda preocupam setores

Isabel Bayerl

Gracieli Polak

BELA VISTA DO TOLDO
Neste ano, os agricultores de Bela Vista do Toldo que apostaram no feijão não conseguiram o lucro que almejaram. A situação se repete também com quem, apesar do aumento elevado nos custos da produção, investiu no milho ou acreditou na soja. Agora, no final do ciclo de colheita de algumas culturas e em plena negociação da safra, a situação agrícola começa a se apresentar desastrosa na cidade.
Quem não perdeu grande parte do que plantou com a primeira estiagem da safra, no final de 2008 e começo de 2009, agora amarga a quebra da produtividade nas variedades que representavam a última esperança de obter lucro no plantio. “Eu esperava que a soja que tenho no campo produzisse bem, mas com essa última estiagem dá para notar que ela está secando com muitas falhas e que a quebra vai ser grande. Chover agora não adianta mais”, relata Leônidas Damaso, que tem 20 hectares preenchidos com a oleaginosa e também investiu no cultivo de milho e feijão, sem sucesso.
Damaso plantou 30 hectares com milho gastando aproximadamente 30% a mais do que gastou na safra anterior, esperando produtividade igual ou superior e preço proporcionalmente maior em relação ao aumento no cultivo. Das seis mil sacas esperadas, vieram apenas quatro mil, que agora são negociadas por uma média de R$ 18, valor menor que os R$ 22 pago no ano anterior. Situação que, nas contas do agricultor, vai apenas garantir o pagamento do financiamento. “Está complicado, porque tivemos prejuízo em tudo e o preço está caindo. Tem muita oferta no mercado e a tendência é o preço cair ainda mais”, reclama.
PERSPECTIVA DE CRISE
Alfredo Cezar Dreher, secretário de agricultura, afirma que  houve queda na produção da maioria das culturas plantadas na safra 2008/2009 e que, realmente, Bela Vista enfrentará graves problemas que, devido à vocação agrícola de parcela considerável da população, deverá atingir todos os setores do município. “Estamos verificando a situação para ver o que pode acontecer, porque quase 100% dos agricultores têm financiamento e temos de tentar negociar para que as dívidas não sejam arrastadas. Mas é preocupante, temos noção disso”, explica.
Dreher lembra, que desde o começo do ano, o município está em situação de emergência por causa da estiagem e que este é um fator positivo na negociação com os bancos, porque oficializa os prejuízos causados pela condição climática desfavorável, ainda que não sirva de alento para quem perdeu na safra das águas e resolveu tentar a safrinha. “Quem perdeu tudo resolveu apostar, sem esperar que desta vez tivesse problema, mas o produto agora está com menor qualidade e produção, com preço menor”, relata.            
 
FUMO SALVA ECONOMIA
A cultura com menor variação em relação à produtividade e ao valor pago ao produtor, de acordo com o secretário, é o fumo. Segundo Dreher, a cultura tem salvado o ciclo produtivo 2008/2009 e garantido sobrevivência no campo. “Como a proporção de fumicultores no município é alta e a maioria dos agricultores se dedica ao cultivo paralelo de diversos produtos, os danos poderão ser amenizados”, avalia.
Para o técnico agrícola José Aparecido Francisco, que trabalha em uma casa agropecuária na cidade, o mau momento já pode ser sentido na prática, com a diminuição no volume de compras realizado pelos agricultores. “Todo mundo está com um pé atrás, esperando que o preço da safra melhore para conseguir pagar os financiamentos e investir, mas muito pouco”, diz.





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