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O martírio de quem depende de boas estradas

CN percorre o interior de Canoinhas e revela histórias como a do agricultor que só chega em casa de trator

Isabel Bayerl

 
Gracieli Polak

CANOINHAS
De trator, o agricultor José Hacker transporta para sua propriedade uma carga de calcário que utilizará para a correção dos solos de sua área cultivada. Também de trator foram transportados para a casa do agricultor os últimos móveis adquiridos, as compras de mercado e todo o material empregado na construção da casa. “O caminhão vinha até aqui na minha casa e daqui não passava. Tudo foi deixado aqui, inclusive duas cargas de pedra brita, que eles tiveram de carregar na pá no trator para levar lá para cima”, conta a agricultora Natália Figura, vizinha de Hacker.
Localizada nos limites de Canoinhas com Irineópolis, a comunidade de Pinheiros, mesmo depois de duas semanas sem chuvas, enfrenta problemas com a má conservação de algumas vias, como a estrada secundária que liga a comunidade à vizinha Rio d’Areia do Meio, principal motivo de reclamações. Para os agricultores que dependem da via para chegar às propriedades, como Hacker, o problema significa mais trabalho e isolamento quando o tempo fica chuvoso. “Para andar por aqui, só de trator. Ainda assim é perigoso”, afirma.
A falta de manutenção, segundo os moradores, faz que eles fiquem ilhados nas suas propriedades, sem poder sair de casa em caso de necessidade. “Faz mais de quatro anos que esta estrada não recebe pedra. Agora que o tempo está seco dá para andar, mas se cair uma chuvinha já não passa mais nada. O limite é aqui”, fala Hacker, se referindo a propriedade dos vizinhos. Segundo Natália, o acesso até a casa deles se deu somente por meio de muita batalha e, mesmo empedrada, precisa de mais melhorias. “Só arrumaram aqui por causa da minha filha, que vai para a Apae de Irineópolis. Se não arrumassem não tinha como ela continuar indo. Prometi buscar um advogado caso ela não pudesse ir para a escola”, diz.
ISOLAMENTO
Problema semelhante enfrenta a agricultora Rosa Colaço Nohath, que tem três filhos na escola. Rosa conta que, quando chove, as crianças precisam andar cerca de três quilômetros para chegar até o ponto para pegar o ônibus para chegar até a escola. “É complicado, longe, perigoso. Como é que as crianças vão andar tudo isso em uma estrada como esta?”, questiona.
Segundo o secretário de obras do município, Fernando de Oliveira, grande parte das estradas do interior tem recebido manutenção e estão em boas condições de tráfego. No caso da estrada que dá acesso à casa de Hacker, o fato de ser uma estrada secundária faz com que ela não seja tratada como prioridade. “Estamos tentando deixar todas em boas condições, mas como aquela é uma estrada essencialmente rural, perde a preferência para as vias utilizadas pelo transporte escolar”, explica.
Oliveira diz ainda que as vias da região têm recebido patrolamento e cascalhamento constantes e que, logo que a estação mais seca se inicie, melhorias serão realizadas, inclusive com a utilização das pedras do britador da Serra das Mortes, motivo de questionamento dos agricultores, como Giovani Glevinski, que se manifestou sobre assunto na Câmara de Vereadores na terça-feira, 1. “Se a caçamba sobe para pegar pedras, poderia colocar no caminho, mas sobe vazia”, reclama. Segundo Oliveira, este é um problema que em breve poderá ser sanado. “Agora ficou mais fácil, porque o britador está funcionando muito bem. Em pouco tempo toda aquela região vai estar regulamentada”, diz.
Esperando pela melhoria na estrada que passa ao lado de sua casa, Rosa desabafa. “A gente reza para não ficar doente quando estiver chovendo, porque se ficar tem de esperar morrer sem poder sai de casa”, lamenta.





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