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O imperialismo ianque

Para aqueles que afirmaram que a eleição de Lula à presidência significava uma ?expressiva? vitória dos trabalhadores, ou mesmo alguns envergonhados que diziam ser um ?giro? à esquerda das massas, só

Jefferson Dubena

 

 

Para aqueles que afirmaram que a eleição de Lula à presidência significava uma ?expressiva? vitória dos trabalhadores, ou mesmo alguns envergonhados que diziam ser um ?giro? à esquerda das massas, só resta procurar um ?novo? engodo para justificar o violento ataque desencadeado pelo governo de frente popular às conquistas e condições de vida do proletariado brasileiro.

O ?plano de ajuste? determinado pelo FMI e pela ?Casa Branca? ao títere FHC só pôde ser aplicado em parte, em função da resistência instintiva esboçada pelo movimento operário ao longo dos últimos oito anos. A porção mais ?cruel? e ?amarga? do receituário imperialista para os países semicoloniais deverá, agora, ser implementada pela ?centro-esquerda? burguesa, como Lula, Gutiérrez, Toledo, Lagos, Chávez etc.. Estes senhores possuem a ?autoridade política? necessária junto aos trabalhadores, ao contrário dos velhos políticos tradicionais e corruptos. Aproveitando-se da traição e passividade das direções reformistas, o imperialismo ianque tentará conseguir o máximo de espoliação econômica, quebrando, pela confusão ideológica, a enorme resistência e luta protagonizada pelo proletariado latino-americano ao longo da última década.

No Brasil, estão ameaçadas conquistas históricas, como a previdência estatal, a aposentadoria integral para o funcionalismo público, a multa contratual de 40% paga pela patronal sobre o FGTS em caso de demissão sem justa causa, a não cobrança de contribuição previdenciária aos aposentados etc.. Ao mesmo tempo, o governo Lula pretende avançar na privatização do ensino superior público, na eliminação de empresas estatais (incluindo os bancos estaduais que ainda permanecem sob o controle do governo federal) e no corte orçamentário de verbas para a saúde etc.. Isto sem falar no aumento da carga tributária sobre os trabalhadores e as pequenas empresas.Outro fator determinante na estratégia de ataque aos trabalhadores, por parte do PT,é o aumento do superávit primário das contas públicas, seguindo à risca as ordens do FMI.

O governo Lula fala em acabar com ?privilégios? e com estes ?recursos? distribuir comida aos ?excluídos? (programa ?Fome Zero?).Este seria  a ?prova? do corte social do novo governo. Mais uma grande falácia do tipo ?vamos crescer o bolo para depois reparti-lo?. Não se acaba com a fome do povo arrochando salários, subindo juros e pagando as dívidas externa e interna, além de eliminar as conquistas operárias. Ao contrário, só farão crescer o desemprego e aumentar a miséria da população explorada.

Os ?acrobatas? da ?esquerda? vendida às benesses estatais (estão neste momento, como ratos, brigando ferozmente pelos cargos do 3º, 4º, 5º e 6º escalões) logo se apressam em afirmar que esta política ?neoliberal? só vingará no primeiro ano do governo Lula, pois estariam amarrados pelo orçamento do governo FHC. Os mais ?rebelados?, como a senadora petista Heloísa Helena, insurgem-se contra a política ?macro-econômica? do Banco Central e do Ministério da Fazenda, voltando a carga em direção a Meirelles e Palocci. Omitem, desta forma, o real caráter de classe deste governo, um governo burguês a serviço do capital financeiro nacional e internacional.

Palocci, Meirelles, Furlan, Roberto Rodrigues, Berzoini, Rosseto, Dutra etc. são ?peças? da mesma engrenagem, ou seja, um governo capitalista submisso e subordinado às ordens de Washington. Lula conseguiu inclusive superar o próprio FHC em matéria de ?capachismo? aos ianques. Bush, no seu encontro com Lula, mandou o governo brasileiro adiar a licitação da compra dos ?caças? para reequipar a sucateada FAB. O motivo era óbvio, FHC se inclinara por fechar o negócio com a União Européia, adquirindo aviões Mirage da França. Acontece que o dinheiro da aquisição dos aviões não vem do orçamento para 2003, como noticiou a imprensa burguesa recém convertida à ?onda Lula?, mas sim de um empréstimo junto a bancos americanos. De imediato, Lula obedeceu ao seu amo e ainda teve a cara-de-pau de anunciar que a prioridade de seu governo era o programa ?Fome Zero?. Logo após a guerra de rapina ao Iraque, Bush venderá ao Brasil a sucata dos seus F-15 que já não mais servem para entrar em combate. Quanto à questão da ALCA, o governo Lula também conseguiu ultrapassar FHC, e já prepara para os próximos meses um encontro de ?cúpula? entre o Brasil e os EUA com o objetivo de firmar um acordo bilateral, pondo um fim às objeções da diplomacia do Itamarati a cláusulas da ALCA consideradas, até então, nocivas ?à economia brasileira?, leia-se burguesia nacional.

Para o conjunto da vanguarda classista e a genuína esquerda revolucionária não resta outra senda, a não ser a denúncia política vigorosa do caráter capitalista e pró-imperialista do atual governo de frente popular. Esta compreensão da conjuntura se materializa na política de galvanizar o movimento de massas, atacado de forma vil pelo governo dos bastardos petistas, na perspectiva de construção da oposição revolucionária à frente popular, preparando sua derrota em cada luta concreta a ser travada pelo proletariado no próximo período.

 







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