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Editorial

Isabel Bayerl

O que o eleitor quer?

 
A elevada carga tributária é apontada pelo eleitor de baixa renda como o maior empecilho para a geração de emprego e o aumento do consumo no País. Sete em cada dez brasileiros defendem a redução dos impostos, e não dos juros, como forma de gerar empregos - 65% aceitam menos programas sociais, como o Bolsa-Família, se a contrapartida for reduzir tributos para derrubar os preços.
Pesquisas do Instituto Análise mostram que 67% das pessoas com renda familiar de até R$ 465 dizem preferir um presidente que reduza os impostos dos alimentos para que se compre comida mais barata a um que aumente o Bolsa-Família - opção de 32% dos entrevistados.
A diminuição da carga tributária, portanto, teria reflexos em outro tema caro ao eleitor: o aumento do consumo. Puxado pelo crescimento real do salário mínimo e do crédito, o consumo das famílias cresceu nos últimos anos - e o governo estima que aumentará 6,1% em 2010.
Corte de impostos é apontada como principal medida contra desemprego - mais até que educação.
Estudo elaborado por Maria Helena Zockun, pesquisadora da Fipe, mostra que, em 1996, famílias que ganhavam até dois salários mínimos gastavam 28% da renda com impostos. Em 2004, 49% da renda foi para o Fisco. As famílias com renda superior a 30 mínimos gastavam 18% da renda com impostos em 96. Em 2004, gastaram 26%.
A pesquisa deve ao menos chamar a atenção dos presidenciáveis, que têm, de fato, a capacidade de mobilizar uma reforma tributária, cozinhada em banho-maria há anos no Congresso.
A relação que a pesquisa faz entre impostos e Bolsa-Família, por mais oportuna que seja, deveria relacionar também a corrupção e a impunidade. Para isso, no entanto, faltam dados. Sabe-se que as cifras desviadas dos cofres públicos para os bolsos de parlamentares corruptos são vultosas, mas com um judiciário omisso e um poder público que se alia a bandalheira para garantir a governabilidade, fica o dito pelo não dito e o Brasil segue como um dos países cujo povo mais paga para financiar a corrupção.
Mesmo quando se fala em recursos oficiais, há absurdos como o revelado pela Controladoria-Geral da União (CGU), que constatou que no orçamento deste ano, o Ministério do Turismo assumiu o topo do ranking de emendas, desbancando as pastas da Saúde e Educação. A explicação parece clara. Desviar recursos de shows e comícios parece pesar menos na consciência. Não há outra explicação plausível para que parlamentares acreditem ser mais importante para o País investir em turismo do que em saúde e educação.






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