De acordo com Corrêa do Lago, a COP30 pode vir a ser o local que definirá as novas regras para o mercado mundial, com soluções capazes de abrir novas frentes de negócios transformadores.
A carta destaca que essa mudança é inevitável e cita o exemplo da transição energética que movimentou mais de US$ 2 bilhões em investimentos globais no último ano e gerou 35 milhões de empregos em 2023, segundo relatório das Nações Unidas.
A diretora executiva da COP30, Ana Toni, lembrou que isso é reflexo do trabalho de muitas empresas pioneiras que já atuam nessa transformação.
Mas esse chamado é para que as empresas atuem ainda mais, não só as pioneiras e os visionários, mas todos, para dar escala e acelerar o processo da maneira que a gente precisa no combate à mudança do clima, disse.
Para o embaixador, o setor, ao perceber as oportunidades econômicas, é capaz de ir além do que governos gostariam ou recomendariam à iniciativa privada. Estamos criando uma nova dinâmica do setor privado, com uma autonomia que não é relacionada à negociação e sim aos ganhos que ele pode fazer ao utilizar essa nova maneira de atuar.
Na carta, a presidência brasileira da COP30 sugere que o setor se oriente por meio do primeiro Balanço Global (GST, na sigla em inglês), instrumento de avaliação do Acordo de Paris, apresentado na COP28. Também é informado que iniciativas sugeridas anteriormente pelo setor privado estão sendo mapeadas e otimizadas para facilitar o monitoramento das ações em andamento.
A nova ferramenta funcionará a partir da atuação de um Grupo de Ativação, que reunirá iniciativas pioneiras, escaláveis e reais, em uma plataforma chamada de Celeiro de Soluções. Cada iniciativa será acompanhada de um Planos de Aceleração de Soluções, com sugestões de ajustes de políticas, parcerias e financiamento necessário.
Segundo André Corrêa do Lago, o mecanismo é uma provocação ao secretariado da Convenção Climática de que é necessário o acompanhamento para que a ação avance além das negociações, mas de forma a incentivar e não de constranger.
A questão do monitoramento é central, porque quando a gente foi fazer o levantamento de tudo que já tinha sido apresentado nas agendas de ação anteriores, a gente se deu conta de que tinha quase 490 iniciativas. Ninguém lembra nem de 30, então tem ações que a gente já podia fazer, acrescentou o embaixador.
Na carta, a presidência da COP30 sugere que a colaboração público-privada é capaz de fazer frente à urgência que a crise climática exige e ainda criar oportunidades vantajosas para todos. A transição para uma economia de baixo carbono e resiliente ao clima é agora um dos maiores motores de inovação e crescimento da história. Da energia limpa e agricultura regenerativa às cadeias de abastecimento circulares e soluções baseadas na natureza, as fronteiras dos negócios sustentáveis expandem-se exponencialmente e o mesmo acontece com as oportunidades, destacou.
O comunicado é concluído, reforçando o convite ao setor privado, CEOs, investidores, inovadores e empresários a irem a Belém para colabora e compartilhar soluções. A presidência da COP30 reconhece o desafio logístico do local escolhido, mas reforça: A Amazônia é um símbolo da urgência planetária e o lar de pessoas cujas vidas incorporam tanto a linha de frente da crise climática quanto o coração de suas soluções. Vir a Belém é uma chance de arregaçar as mangas, ouvir, aprender e participar do espírito colaborativo do Mutirão Global.
*A repórter viajou a convite do Institut Français.
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