Povos tradicionais lançam aliança inédita para defender Mata Atlântica

Por Elaine Patricia Cruz Repórter da Agência Brasil

Povos tradicionais lançam aliança inédita para defender Mata Atlântica

Representantes de territórios ancestrais lançaram nesta quarta-feira (27), em São Paulo, a Aliança dos Povos e Comunidades Tradicionais Guardiões da Mata Atlântica. O lançamento ocorreu na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), no Dia Nacional da Mata Atlântica.

Formada por povos indígenas, caiçaras, quilombolas, caboclos, marisqueiras, povos de terreiro e pescadores artesanais de várias partes do país, a aliança foi organizada para representar e defender a Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados do país. A coalizão também luta pela garantia dos direitos territoriais desses povos e comunidades.

Somos povos e comunidades tradicionais, guardiãs e guardiões de saberes ancestrais que nos permitem cuidar de nossa mãe natureza, suas florestas, rios, lagoas e mares, diz o manifesto de lançamento da aliança.

Em entrevista à Agência Brasil, a coordenadora da Comissão Guarani Yvyrupa e habitante da Aldeia Rio Bonito, no Sertão de Itamambuca, em Ubatuba (SP), Ivanildes Kerexu, disse que a aliança é um projeto de união dos povos e que busca também reforçar a luta por esse território.

Precisamos fazer essa Aliança da Mata Atlântica para que a gente possa ter o direito de políticas públicas e, claro, também para a preservação ambiental, disse a coordenadora.

O que manteve até hoje a Mata Atlântica sempre foram as comunidades tradicionais que nela vivem e que estão ali resistindo, reforçou.

Para os povos indígenas, contou Ivanildes, a Mata Atlântica tem um significado muito especial, por incorporar uma espiritualidade muito forte. Nossa crença do povo Guarani sempre foi que essa é uma região que para gente seria uma terra sem mal. Essa é a visão que o nosso povo sempre teve.