As músicas escolhidas são Trenzinho Caipira, de Heitor Villa-Lobos, e Anunciação, de Alceu Valença, homenageando os 80 anos do compositor e cantor pernambucano. Rodrigo Belchior informou que, entre coro, orquestra e batucada, são 60 crianças e jovens com idades que variam de 8 a 18 anos.
Segundo Belchior, a expectativa é grande porque a harpa não é um instrumento comum dentro de uma comunidade. Por isso, eles terão a oportunidade de conhecer uma harpa e o que ela pode fazer junto de um violino, por exemplo.
A ideia é trazer essa linguagem artística para eles, para que conheçam e vivenciem mesmo.
Na avaliação do idealizador e diretor do festival, Sérgio da Costa e Silva, trata-se de um intercâmbio artístico e humano que transforma a vida de quem participa e de quem assiste.
Transformação
Já a apresentação da Camerata Uerê ocorrerá no dia 24, às 18h, no Palácio Tiradentes, com participação especial da harpista Edith Gasteiger, da Áustria. Criada em 2013 pela violinista francesa Constance Depretz, a Camerata reúne cerca de 30 jovens, entre 7 e 18 anos, integrantes do Projeto Uerê.
No dia 25, às 13h, no auditório do CCBB Rio, o festival recebe a Orquestra de Cavaquinhos de Cabo Frio, município da Região dos Lagos fluminense, com o harpista da África do Sul Kobie Du Plessis. A orquestra celebra 30 anos de existência e foi criada pelo professor e maestro Ângelo Budega. A iniciativa já beneficiou mais de 1 mil crianças por meio do projeto Apanhei-te Cavaquinho, utilizando a música como ferramenta de formação e inclusão.
O festival recebe também no dia 25, às 18h, no Museu do Exército Forte de Copacabana, a Orquestra Forte de Copacabana, conhecida anteriormente como Orquestra Violões do Forte, que terá participação especial do harpista venezuelano Jesus Suarez. O projeto social foi criado em 2011, pelo Instituto Rudá, e reúne jovens de 11 a 21 anos da rede pública de ensino.
Expansão
O o idealizador e diretor do festival destacou que o RioHarpFestival integra o projeto Música no Museu, reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Cidade do Rio de Janeiro e responsável, há 29 anos, pela realização de concertos gratuitos no Brasil e no exterior.
Além da programação no Rio de Janeiro, o evento conta atualmente com edições em São Paulo (SPHarpFestival), Brasília (BsbHarpFestival) e Europa, em dez cidades de oito países (Portugal, Espanha, França, Bélgica, Croácia, Itália, Áustria e Alemanha). Em 2026, com versão mais enxuta, o circuito se expande ainda mais com apresentações na África do Sul.
Estreias
A edição 2026 do RioHarpFestival marca algumas estreias, entre elas, a da harpista e cantora peruana Karishma Ramirez, conhecida artisticamente como Torcaza Karishma.
Nascida em Lima, a artista teve sua formação marcada pela influência da avó, que lhe ensinou as primeiras canções em quéchua, língua de povos tradicionais andinos. Sua música preserva essa memória cultural e valoriza a tradição peruana. Karishma se apresenta no CCBB Rio nos dias 12 e 13 de julho, às 15h, e no Museu da Justiça, no dia 14 de julho, às 12h30.
A harpista francesa Léa Mesnil também estreia no festival trazendo um olhar europeu sobre a música brasileira. Formada pelo Conservatório Nacional Superior de Música e Dança, aprofundou sua pesquisa sobre o repertório nacional a partir de sua própria transcrição do Concerto para Violão de Villa-Lobos. Léa Mesnil se apresenta no CCBB Rio nos dias 20 e 23 de julho, às 15h.
No dia 20 de julho, o harpista peruano Mahatma Ramírez, irmão de Karishma, apresenta concerto solo, às 12h30, no CCBB Rio e, no dia 21, às 12h30, no Centro Cultural do Tribunal Regional do Trabalho (CCTRT-RJ).
Haverá também estreias de artistas japoneses de koto (harpa japonesa) e tambores orientais, com destaque para o Grupo Komyo Tambores do Japão, que se apresentará no dia 5 de julho, às 13h, no CCBB Rio, com a participação especial do brasileiro Alessandro Aguiar, que toca a harpa japonesa.
Haverá ainda apresentações dedicadas às tradicionais harpas africanas Kora e NGoni, com o Coral Vozes da África, o grupo Musso Ngoni com Lilian Amancai, Kamale Ngoni e o Gaio de Lima Trio.
Destaques
Um destaque na programação é o harpista mexicano Kevin Zabdiel, que se apresentará no dia 6 de julho, às 12h30, no auditório do CCBB Rio e, no dia 7, no mesmo horário, no Real Gabinete Português de Leitura. As duas audições contarão com a participação especial do Ballet Folclórico Quetzalli Veracruz.
O encontro reúne a tradição da harpa mexicana e a riqueza da dança folclórica de Veracruz, em uma apresentação que valoriza as raízes culturais latino-americanas e reforça a proposta do RioHarpFestival de aproximar diferentes povos, histórias e linguagens artísticas por meio da música, informou Sérgio da Costa e Silva.
No dia 8, às 15h, no 4º andar do CCBB Rio, o compositor Gabriel Erkoreka fará palestra sobre "Natureza, tradição e contemporaneidade: O universo musical de Gabriel Erkoreka e sua obra Kora para harpa".
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