Julia Valentim Tavares também está medindo esses efeitos a partir do interior das árvores da borda sul da Amazônia, o chamado arco do desmatamento, onde o volume de chuvas já diminuiu e a temperatura aumentou na última década. Ela investiga por quanto tempo essas árvores podem resistir às secas, antes que suas "cordas" internas sejam danificadas.
"Se o solo tem água, essa corda permanece intacta. Numa estação seca, o solo deixa de ter água e essa corda é tensionada. A atmosfera puxa para cima, o solo puxa para baixo, até a hora que essa corda se rompe. Se isso acontecer muitas vezes, em várias partes da árvore, essa árvore começa a literalmente morrer de sede."
Aquecimento global
Nos últimos anos, a região também tem sofrido com os efeitos do aquecimento global. Em 2024, a Amazônia enfrentou a pior seca da sua história, por consequência do El Nino, fenômeno natural de aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que altera a circulação atmosférica, e tem se tornado mais intenso.
Marielos destaca que 88% da bacia amazônia sentiu os efeitos dessa seca, que também interferiu na "máquina de chuva". A capital da Colômbia, Bogotá, localizada na região dos Andes, sofreu desabastecimento de água. Em Quito, capital do Equador, que também está fora da Amazônia, a falta de água levou à cortes no fornecimento de energia elétrica.
"A pergunta que todos deveríamos estar fazendo é: De onde nasce a água de inúmeras cidades latinoamericanas? De onde nasce a água que usamos na agricultura, pecuária, indússtria, produção de alimentos?", provocou a copresidente do Painel Científico pela Amazônia.