Ano Internacional da Mulher Agricultora: Epagri atua para ampliar gestão feminina no meio rural
A Epagri promove capacitação de mulheres para ampliar liderança feminina no campo em Santa Catarina, com mais de 1.3 mil contempladas entre 2019 e 2025, fortalecendo a sucessão e a gestão de propriedades.
Belmonte, cidade do Extremo Oeste de Santa Catarina, abriga uma rotina intensa na propriedade de Elisiane Soster e da mãe, Salete Pasini Soster, que administram lavouras de soja, milho e uma produção de leite, mantendo cerca de 70 hectares sob manejo e 45 vacas em lactação, com a criação de bezerras para sustentar o plantel familiar.
Historicamente, a participação de mulheres no campo é marcante, especialmente na agricultura familiar. Dados do IBGE mostram que quase um milhão de mulheres lideram propriedades rurais no Brasil, representando 18,7% do total; em 2006 esse patamar era ainda menor.
No entanto, a representatividade feminina na gestão de negócios agrícolas ainda é baixa. Em 2026 a Organização das Nações Unidas instituiu o Ano Internacional da Mulher Agricultora para incentivar políticas públicas que promovam o protagonismo feminino no campo, um objetivo que ganha apoio em Santa Catarina pela atuação da Epagri.
Empoderamento feminino
Entre 2019 e 2025, mais de 1.300 mulheres em Santa Catarina passaram pelo curso Flor-E-Ser, programa da Epagri para desenvolver competências em gestão, empreendedorismo e liderança. Nos últimos dois anos, o número de capacitadas dobrou, ampliando o alcance da iniciativa.
Cianarita Caron Figueiró, coordenadora do Programa Capital Humano e Social da Epagri, destaca que as listas de espera são elevadas e que as próprias participantes costumam incentivar outras a participar. Os depoimentos reforçam que o curso se tornou um divisor de águas, fortalecendo a autoestima e o papel da mulher no planejamento da propriedade.
Outra ação da Epagri envolve o Ação Jovem Rural e do Mar, criado para preparar os filhos de produtores para a sucessão. Entre 2021 e 2025, mais de 320 mulheres passaram por esse programa, com participação masculina ainda dominante, mas com expectativa de crescimento à medida que o ensino técnico agrícola avança.
No ano anterior, a Epagri assumiu a gestão compartilhada de cinco Cedups Agrotécnicos em parceria com a Secretaria de Educação. Hoje, 30% dos alunos são mulheres, e há planos para criar alojamentos dedicados a elas para ampliar a participação.
Andréia Meira, diretora de Ensino Agrotécnico, ressalta que a confiança na marca Epagri facilita a sensibilização das famílias para incentivar as filhas a ingressarem no ensino técnico. A cooperação com o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) e a Cooperativa Aurora amplia oportunidades para jovens aprendizes, com bolsas de até R$ 750,00.
Sucessão rural
A capacitação técnica foi decisiva para Elisiane, que assumiu a propriedade da família junto com a mãe após o falecimento do pai. Ela já era técnica em Agropecuária, participou do curso Ação Jovem Rural em 2016 e hoje orienta processos de sucessão, presta consultoria a famílias rurais e realiza palestras sobre o tema.
Elisiane também é coautora do livro Rainhas Internacionais do Agro, que reúne relatos de mulheres agricultoras de várias nações, destacando que as mulheres estão cada vez mais assumindo posições estratégicas no campo. Ela afirma que a gestão não tem gênero; tem competência e responsabilidade.
