População de cigarrinhas-do-milho cresce 33% em Santa Catarina mas infectividade recua

Incidência de cigarrinhas-do-milho sobe 33,3% na última semana em Santa Catarina, mas infecções por patógenos diminuem.

Por Redação Tathiane K.H.Gonçalves

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A incidência de cigarrinhas-do-milho em Santa Catarina registrou um aumento de 33,3% na última semana, com uma média estadual de 160 insetos por armadilha. Entre as cidades com maior contagem destacam-se Porto União e Mafra, no Planalto Norte; Xanxerê, Tunápolis, Tigrinhos e Guaraciaba, no Oeste; além de Braço do Norte, no Sul do estado.

O índice, embora elevado, permanece dentro do esperado para o período, especialmente por conta do calor que favorece a reprodução. Maria Cristina Canale, pesquisadora da Epagri/Cepaf e responsável pelo programa Monitora Milho SC, aponta que a maioria das lavouras monitoradas já entrou na fase reprodutiva, deixando para trás o período mais crítico de transmissão de doenças como enfezamentos e viroses do milho.

Apesar do aumento populacional, há uma boa notícia aos produtores: a redução das infecções. “Sem dúvida, esse é um passo importante para reduzir a permanência desses microrganismos no sistema produtivo do milho, com reflexos positivos já para a próxima safra”, afirma. Na última semana, apenas Guatambu e Bom Jesus do Oeste registraram a presença de vírus do enfezamento-pálido, do mosaico estriado e da bactéria do espiroplasma do enfezamento.

Para quem ainda não iniciou o plantio da safrinha ou tem lavouras em fase vegetativa, a recomendação é não semear lavouras de segundo cultivo muito próximo a lavouras maduras e realizar o manejo químico durante o estádio vegetativo.

O programa Monitora Milho SC coleta e divulga semanalmente informações de 55 lavouras distribuídas pelo estado, permitindo que o setor acompanhe a evolução da população de cigarrinhas e das infecções causadas por esses insetos.

O ataque de cigarrinhas infectadas com patógenos dos enfezamentos pode comprometer substancialmente a produção de milho. Criado no início de 2021, o programa Monitora Milho SC é uma iniciativa do Comitê de Ação contra Cigarrinha-do-milho e Patógenos Associados, com participação da Epagri, Udesc, Cidasc, Ocesc, Fetaesc, Faesc, CropLife Brasil e Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária. Sua metodologia tem se destacado como referência para ações similares em outros estados e até no exterior.

Informações atualizadas para os produtores

A pesquisadora Maria Cristina Canale, do Cepaf da Epagri, explica que as informações geradas pelo monitoramento são fundamentais para a convivência com a cigarrinha e as doenças que ela transmite. “Embora os enfezamentos já sejam conhecidos no país há décadas, os surtos têm ocorrido com maior frequência em todas as regiões produtoras. A convivência com o problema deve contar com a participação ativa de todos os produtores de milho, com o manejo regionalizado”, aponta.