Com média de 17,21 litros por vaca ao dia, o estado superou em cerca de 76% a média nacional e ampliou em 58,2% a produtividade em dez anos.

Santa Catarina lidera produtividade de leite no Brasil

Santa Catarina fechou 2025 na liderança nacional da produtividade de leite, com média de 17,21 litros por vaca ao dia, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), divulgada pelo IBGE. O resultado ficou bem acima da média brasileira, de 9,78 litros por vaca ao dia, e reforçou a posição do estado como referência em eficiência na pecuária leiteira.

Os dados foram destacados na edição de outubro do Boletim Agropecuário, publicado pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri/Cepa. O levantamento reúne indicadores de mercado, produção e clima das principais cadeias do agronegócio catarinense e oferece uma visão atualizada do desempenho do campo no estado.

Ganhos de eficiência sustentam o avanço

Segundo a economista da Epagri/Cepa Andréa Castelo Branco, o resultado mostra uma transformação estrutural na atividade leiteira. A produção cresceu mesmo com a redução no número de animais ordenhados, o que indica ganhos consistentes de eficiência nos sistemas produtivos.

Esses avanços estão relacionados a melhorias em manejo, alimentação e genética dos rebanhos. Na avaliação da Epagri, a combinação desses fatores ajuda a explicar por que Santa Catarina consegue ampliar o volume produzido sem depender do aumento do rebanho.

Recorde de produção e impacto no mercado

Em 2025, o estado atingiu produção recorde de 3,43 bilhões de litros de leite, com crescimento de 4,1% em relação ao ano anterior. Mesmo com menos vacas ordenhadas, Santa Catarina manteve ritmo de expansão e consolidou um modelo baseado em maior rendimento por animal.

O boletim também informa que, em setembro de 2026, as exportações de lácteos cresceram de forma expressiva, enquanto as importações recuaram, reduzindo o déficit comercial do setor. No mercado interno, o preço pago ao produtor teve leve queda em outubro, mas permaneceu acima do patamar observado no mesmo período de 2025.

Clima afeta outras cadeias do agro

Além do leite, o boletim traz análises sobre arroz, feijão, trigo, milho, soja, maçã, alho, cebola, bovinocultura, avicultura e suinocultura. Em todas essas cadeias, o documento aponta tendências de preço, produção, oferta e impacto climático, informações importantes para produtores e agroindústrias no planejamento da safra.

Entre os principais fatores acompanhados está a influência do clima sobre as lavouras. Chuvas intensas, excesso de umidade e baixa insolação afetaram o desenvolvimento das plantas e o ritmo da colheita, principalmente em áreas do Sul do estado.

Perspectivas para a próxima safra

No arroz, a Epagri/Cepa projeta recuo na produção de Santa Catarina para 2026/27, com impacto atribuído às chuvas associadas ao El Niño. Já no trigo, as perdas climáticas e a redução de área devem resultar em uma colheita menor.

Por outro lado, milho e soja avançam com boas condições de lavoura e expectativa positiva de produtividade. Para a Epagri, esse cenário confirma a força da cadeia leiteira e a importância do agronegócio catarinense para a economia do estado.

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