Cheiro de Londres, síntese de um livro em desenvolvimento

Por Tathiane Karine Hesse Gonçalves

Fotografia registrada pelo autor, em viagem de estudos em Londres.

Existem cidades que impressionam pela grandeza de seus monumentos. Outras permanecem na memória pela beleza de suas paisagens ou pela riqueza de sua história. Há, contudo, cidades que nos conquistam por um caminho silencioso: o dos sentidos e sentimentos únicos. Londres foi, para mim, uma dessas cidades. Durante duas semanas, entre o final de abril e o início de maio de 2026, vivi uma experiência ímpar e que ultrapassou a condição de um simples estudante e turista. De estudante a caminhante, de um simples observador a fotógrafo; retratando belos e intensos momentos; do meu jeito caboclo; como um estrangeiro e uma pessoa comum e; disposto a aprender e aproveitar cada momento naquele lugar milenar. A viaja dos sonhos, que por longos 40 anos sonhei e achei que não conseguiria mais realizar. Viajei para aperfeiçoar o meu inglês, por meio de um programa de intercâmbio, mas encontrei muito mais do que um grande idioma. Descobri uma cidade construída ao longo de quase dois mil anos de existência; onde o passado convive naturalmente com o presente. Em poucas quadras era possível caminhar e observar da arquitetura medieval às linhas modernas dos prédios, daqueles belos edifícios de vidro; do silêncio reverente das antigas e belas igrejas, ao movimento incessante do metrô, ônibus e dos fortes trens; da imponência dos belos palácios reais ao canto discreto dos pássaros nos parques. Entretanto, foi um detalhe de um aspecto único que mais despertou minha curiosidade. O cheiro. Cheiro de Londres.

Há um perfume antigo em cada rua,
Que a névoa, em véus de prata, faz nascer;
Mistura de memória que flutua,
Com chuva, pedra e tempo a florescer.

Cheiro da madeira antiga e pubs milenares ,
Ao chá e a magia que vencem o frio da estação;
Ao Tâmisa guardando aromas com diferentes ares,
Verdadeiros segredos que embriagam o coração.

Londres não cabe apenas na paisagem,
Nem vive só na torre ou na avenida;
Habita o aroma eterno da passagem,

Que faz da alma uma pátria renascida.
Quem sente o seu perfume, uma só vez,
Jamais regressa o mesmo ao seu país.

Adão Lourenço