Quando pesdir desculpas vira um ciclo

"Desculpas sem mudança são apenas promessas que prolongam a dor."

Por Tathiane Karine Hesse Gonçalves

A dor volta, as lágrimas aparecem e, mais uma vez, chegam as desculpas.

Nem todo pedido de desculpas representa mudança. Às vezes, é apenas o começo de mais uma repetição da dor.

Tudo começa com uma atitude que machuca. Uma palavra que humilha, uma mentira, uma traição, uma explosão de raiva ou uma situação em que a mulher se sente diminuída e desrespeitada.

Depois vem o pedido de desculpas.

Ele diz que se arrependeu, promete que será diferente, afirma que nunca mais vai acontecer. Pode demonstrar carinho, fazer declarações e até apresentar mudanças temporárias. E, porque ainda existe amor, esperança e o desejo de acreditar, ela decide dar mais uma chance.

Mas, algum tempo depois, tudo acontece novamente.

A dor volta, as lágrimas aparecem e, mais uma vez, chegam as desculpas.

Esse é um dos aspectos mais dolorosos de um relacionamento abusivo: a repetição de comportamentos que machucam, seguidos de promessas que nem sempre se transformam em atitudes.

A mulher começa a viver entre dois sentimentos: a esperança de que aquela pessoa realmente mude e o sofrimento de perceber que está passando por tudo outra vez.

Com o tempo, pode começar a questionar a si mesma: "Será que estou exagerando? Será que dessa vez será diferente? Será que preciso ter mais paciência?"

E, enquanto tenta compreender e justificar o comportamento do outro, muitas vezes vai deixando suas próprias necessidades de lado.

É importante entender que pedir desculpas é diferente de assumir responsabilidade. Uma mudança verdadeira exige reconhecimento do erro, respeito aos limites, atitudes consistentes e, principalmente, o fim dos comportamentos abusivos.

Quem realmente deseja mudar não pode exigir perdão enquanto continua machucando.

Nenhuma mulher precisa esperar a próxima agressão, a próxima humilhação ou a próxima decepção para reconhecer que merece viver de outra maneira.

Perdoar não significa aceitar que tudo continue igual. Amar alguém não significa suportar sofrimento. E dar novas oportunidades não deve custar a própria saúde emocional, dignidade e segurança.

Se você se reconhece nessa história, saiba que não está sozinha. Procure apoio de pessoas de confiança e ajuda profissional. Se houver violência ou ameaça, priorize sua segurança.

Uma reflexão para levar com você:

Quantas vezes você acreditou que seria a última vez, mas acabou vivendo tudo novamente?

Às vezes, a mudança mais importante não acontece quando o outro promete mudar, mas quando você percebe que não precisa mais aceitar aquilo que tanto machuca.

Com carinho,

Vanessa Gomes
Escolhi a Liberdade