BRASÍLIA, DF E WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá viajar nos próximos dias para os Estados Unidos, onde deve se encontrar com o chefe do governo do país, Donald Trump.

A expectativa é de que a reunião seja na quinta-feira (7) e a confirmação oficial deve sair em comunicado da Casa Branca. A expectativa é que o presidente embarque na quarta e retorne na sexta-feira (8).

Lula deve viajar junto com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, que esteve nos EUA durante as reuniões da primavera do FMI (Fundo Monetário Internacional) e anunciou no início de abril uma parceria estratégica entre os dois países para o combate ao crime organizado transnacional.

Em entrevista a jornalistas, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou torcer "para que essa boa química que ocorreu entre o presidente Lula e o presidente Trump possa fortalecer ainda mais em benefício de dois grandes países, duas grandes democracias do Ocidente, que é o Brasil e Estados Unidos".

Antes do encontro, Lula tinha dito que pretendia encontrar com Trump em março, mas a ideia não foi adiante na época.

Integrantes do governo e diplomatas ainda adotam cautela e evitam dar como certa a visita porque a informação não foi oficialmente divulgada pelas autoridades americanas. Do lado brasileiro, há o receio de confirmar a informação antecipadamente e o governo americano cancelar o compromisso.

Lula e Trump estão de lados opostos do espectro político mundial. O brasileiro costuma fazer diversas críticas ao chefe do governo americano. É uma forma de tentar desgastar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente, adversário do petista e apoiador de Trump.

Um dos momentos de maior popularidade do petista foi no ano passado, quando Lula conseguiu encaixar um discurso de soberania nacional depois de os Estados Unidos imporem um tarifaço contra produtos brasileiros.

Trump, à época, relacionou as tarifas ao processo contra Jair Bolsonaro (PL) -meses depois, o ex-presidente seria condenado a 27 anos e três meses de prisão por causa da trama golpista. Nos últimos meses, porém, o republicano não criticou Lula.

A última vez que foi questionado sobre o petista, ele afirmou que gostava dele e que adoraria recebê-lo na Casa Branca. Depois, foi questionado por qual motivo não convidou Lula, Gustavo Petro (Colômbia) e Claudia Sheinbaum Pardo (México) para um evento que reuniu líderes latinos em Miami para um evento batizado de "Escudo das Américas".

Trump deu a entender que não sabia que o convite não tinha se estendido a eles. "Eu acho que eles foram [convidados], eu me dou bem com todos eles", disse o americano.

O governo brasileiro fez movimentos diplomáticos para reverter o tarifaço, e conseguiu derrubar as taxas de diversos produtos. Em setembro daquele ano, Lula e Trump tiveram um primeiro encontro: conversaram rapidamente em Nova York, durante a assembleia geral da ONU.

Depois, eles se falaram por telefone. Em outubro de 2025, por exemplo Trump afirmou que uma conversa telefônica com Lula havia sido ótima e que poderia visitar o Brasil. Eles se encontraram no mesmo mês na Malásia, onde os líderes participaram da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático).

Em janeiro, Lula afirmou que iria em março aos Estados Unidos encontrar o presidente americano. "No começo de março eu vou fazer uma viagem a Washington porque os Estados Unidos e o Brasil são as duas principais democracias do Ocidente e eu acho que dois chefes de Estado precisam conversar olhando um no olho do outro", declarou o petista à época.

Agora, a viagem acontece dias depois de Lula sofrer uma derrota histórica após o Senado rejeitar a indicação feita por Jorge Messias para o STF (Supremo Tribunal Federal).

Aliados de Lula avaliavam que a reunião com Trump não seria realizada caso não acontecesse até o fim de junho. O motivo seria a eleição deste ano, quando Lula tentará um novo mandato à frente do Planalto. A agenda de pré-campanha e campanha costuma dificultar viagens do presidente da República para o exterior.

O entorno do petista teme que Trump tente algum tipo de intervenção na eleição brasileira. No mês passado, o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, foi até a Hungria fazer campanha para o então primeiro-ministro, Viktor Orbán.

Modelo para vários líderes da direita global, Orbán, responsável por um processo de deterioração da democracia húngara, foi derrotado por Péter Magyar.