Negociação com EUA não tem nenhuma relação com calendário eleitoral, diz ministro

Por Mateus Maia e Marianna Gualter

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quarta-feira, 18, que a negociação com os Estados Unidos, ao menos do lado brasileiro, não tem vinculação com o calendário eleitoral. Segundo ele, não há tempo para terminar qualquer processo de reciprocidade em 2026, mas ele espera destravar o diálogo com os norte-americanos ainda neste ano.

"Nós precisamos estabelecer com os Estados Unidos um diálogo para superar qualquer outra questão e tentar ficar na questão comercial, na questão econômica. Não há, da parte do Brasil, da parte do governo brasileiro, nenhum atrelamento ao calendário eleitoral. E se tiver na relação com os Estados Unidos, é outro abuso, é outra inadequação", afirmou o ministro.

Ele também disse que não vê o tarifaço como uma interferência direta no Brasil, mas como uma barreira ilegal e indevida: "Eu acho que nós temos que negociar com os Estados Unidos a superação dessa barreira que é ilegal, é indevida e, ao mesmo tempo, nos defender porque ela é abusiva e causa danos para o País."

Ele declarou ainda que o processo de reciprocidade teve início internamente e que os ministérios devem prestar esclarecimentos e informações em até 60 dias. "Depois, em até 60 dias, devemos apresentar relatório para processo de reciprocidade."

Por fim, disse que a proximidade com Asean pode levar à diversificação do mercado brasileiro e que a queda nas vendas para a Argentina se deve somente à crise econômica vivida por esse País. Ele descartou qualquer influência do atrito entre o presidente argentino, Javier Milei, e o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"Não há dado estatístico posterior a isso. Então não está relacionado a isso. Com os Estados Unidos, a redução se dá em razão do comportamento que ele, infelizmente, passou a manter, que é indevido, injusto, descabido. E com a Argentina, por conta da crise econômica, que, infelizmente, aquele país ainda vive", completou o ministro.