Há clamor por reestatização da Sabesp, mas imbróglio jurídico é grande, afirma Haddad

Por Daniel Tozzi

O ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad, reconheceu nesta quarta-feira, 19, que há um "clamor" no Estado para uma reestatização da Sabesp, mas que considera difícil a anulação do atual contrato por conta do imbróglio jurídico envolvido.

"Eu sei desse clamor e eu vou estudar com muito carinho todas as possibilidades. Mas antecipo: estatizar uma empresa recém-privatizada é um imbróglio de tamanho grande", disse Haddad, que porém, se comprometeu a, ao menos, rever os pontos do atual contrato. As declarações foram feitas durante sabatina à rádio CBN e aos jornais O Globo e Valor Econômico.

"Vou passar a limpo esses contratos. Como é a obrigação de qualquer administrador que assume uma cadeira: contratar uma equipe boa para rever ponto a ponto o contrato para ver as possibilidades de melhorar", detalhou.

Ainda no campo das concessões, Haddad disse que o contrato de energia elétrica, com a Enel, está errado "desde que nasceu", na década de 1990, mas, por se tratar de uma concessão federal, não cabe ao Estado de São Paulo ou à Prefeitura assumir o controle do serviço. "O contrato foi feito 30 anos atrás e venceu agora e nós governo federal não renovamos porque não será renovado nas condições atuais", disse o ex-ministro da Fazenda. "E não pode ser renovado, a menos que a Enel apresente um novo controlador, ou garantias, mudanças com penalidades elevadas para o que aconteceu em São Paulo", detalhou o candidato, se referindo a episódios recentes de falta de luz na capital e região metropolitana.

Nesse sentido, o petista também que o que pode ser feito por Estado e Prefeitura é ajudar a reavaliar os pontos do contrato.