O Canal do Panamá pode reduzir ainda mais o número de embarcações autorizadas a cruzar a rota, num novo golpe para a logística global já pressionada por conflitos e gargalos em outras rotas marítimas. Segundo o Financial Times, a Autoridade do Canal modelou um cenário de "pior caso" em que as travessias diárias cairiam para até 27 navios nos próximos meses, com base em padrões de chuva observados em 1997, considerado o ano mais seco já registrado para o canal.

Nesta segunda-feira, ainda de acordo com o jornal, o canal opera com cerca de 32 trânsitos diários, abaixo da média usual de 36, após medidas para preservar água antes e durante a estação seca - de dezembro a meados de abril. A possível nova restrição ocorre porque o canal, que liga os oceanos Atlântico e Pacífico e movimenta mais de 3% do comércio mundial, depende de reservatórios de água doce para operar suas eclusas.

A nova administradora do Canal do Panamá, Ilya Espino de Marotta, afirmou ao FT que a questão climática virou o principal desafio, com escassez hídrica se repetindo em intervalos menores.

O Financial Times atribui o agravamento ao aumento da frequência de anos secos e lembra que as restrições chegam num momento em que o transporte marítimo já enfrenta interrupções associadas ao conflito no Oriente Médio e a limitações de tráfego em áreas sensíveis como o Estreito de Ormuz.

A pressão por soluções de longo prazo marca a troca de comando na via. Espino, que é primeira mulher a assumir a administração do canal, disse que sua prioridade é avançar com o projeto de um reservatório no rio Indio, estimado em US$ 1,5 bilhão, para garantir água tanto ao consumo humano quanto à operação do canal, em entrevista à Associated Press. A Junta Diretiva do canal a designou para liderar o plano, que envolve reassentamento de comunidades e temas ambientais e deve ficar pronto entre 2031 e 2032.

Para a nova administradora, manter a confiabilidade do canal é crucial: se o mercado perceber falta de resposta estrutural, cargas podem migrar para rotas alternativas. A AP lembra que Espino ganhou projeção ao liderar a ampliação que entrou em operação em junho de 2016, um marco que ampliou a capacidade do canal para navios maiores.

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