CURITIBA, PR, E RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, criticou neste sábado (12), em Curitiba, a atuação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendoça, relator do caso Banco Master.
Em discurso, Lula afirmou que Mendonça estaria agindo de maneira seletiva na condução do caso no STF, e mencionou uma conversa que teria tido com o presidente da corte, Edson Fachin.
"Eu disse a ele que não era possível o cidadão, que é um juiz relator, ficar soltando matérias pinçadas. Somente aquilo que interessava a ele. E eu pedi para liberar todo o processo. Deixar nu, para saber quem é que está por trás disso", disse o presidente, sem citar o nome de Mendonça. "Vamos deixar às claras para ver quem é ladrão e corrupto nesse país. E a família Bolsonaro não escapa."
"Vorcaro já está preso. Mas agora vão começar a aparecer as orgias que ele fazia. As mulheres da Suíça, da Suécia, para fazer sacanagem com muita gente da política. Portanto, quem fez putaria, vai ser desmascarado", continuou Lula, em referência ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e investigado por fraude contra o sistema financeiro.
Em seguida, Lula disse que quem cometeu erros deve pagar e que "isso vale para todo mundo" e para "qualquer ministro da Suprema corte".
"Ninguém pode ser ministro da Suprema corte para ficar rico. Aquilo é um sacerdócio. As pessoas têm que se dedicar porque é a corte Suprema. Quando ela toma uma decisão, ninguém pode mudar. Então as pessoas têm que ter um padrão de comportamento acima da média da sociedade", declarou ele, também sem mencionar nomes.
Na quarta-feira (9), Lula já havia defendido a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master. Em uma publicação em rede social, o presidente afirmou que o país precisava de "mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral".
Em outro momento do discurso neste sábado, ele também defendeu investimentos públicos, principalmente na área da educação, e disse que "é preciso parar com essa babaquice de fazer superávit".
"Para gerar emprego, a economia tem que crescer, e para economia crescer, o governo tem que investir. Para o governo investir é preciso parar com essa babaquice de fazer superávit, de ter controle fiscal. Porque a grande dívida do Brasil é a taxa de juros que nós pagamos, R$ 1,3 trilhão. O restante é investimento", afirmou o presidente.
Na quarta-feira (9), em um encontro com empresários em Brasília, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) prometeu que, se reeleito, Lula fará superávit nas contas públicas. Também defendeu o corte de privilégios a integrantes do Judiciário e Legislativo como meio de combate ao desperdício de recursos públicos.
As declarações de Lula neste sábado foram feitas durante um comício na Boca Maldita, região central da capital paranaense. No palanque ao lado do petista estavam os candidatos do PT ao Senado, Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha, e o candidato ao Governo do Paraná Requião Filho (PDT).
Lula também atacou o ex-juiz Sergio Moro (PL), que o condenou em processo da Operação Lava Jato, em 2017, e que hoje é candidato ao Governo do Paraná.
"Nosso adversário é frouxo, mentiroso. Sou vítima da mentira dele", disse o petista. Ao pedir votos a Requião Filho, Lula voltou a fazer referência ao ex-juiz: "Eu não vou falar mal de outros candidatos que eu não conheço todos eles. Mas aqui tem um que é candidato que não vale o que come".
Na campanha eleitoral de 2022, Lula fez um comício no mesmo local, ao lado do pai de Requião Filho, o ex-governador Roberto Requião, que naquele ano era o candidato do PT ao Governo do Paraná. Hoje Requião disputa uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo PDT e também estava no palco deste sábado.
Em 2022, Requião teve 26,23% dos votos, ficando em segundo lugar na disputa vencida por Ratinho Junior (PSD) no primeiro turno, com 69,64% dos votos.
A passagem de Lula por Curitiba faz parte de um giro do candidato pela região Sul. Na sexta-feira (11), ele esteve no Rio Grande do Sul.
Durante um comício em Porto Alegre, exaltou programas do governo federal, falou de violência contra as mulheres e mencionou Donald Trump, presidente dos EUA, temas também tratados em Curitiba.
Lula disse que Trump é "cabo eleitoral da extrema direita" no mundo e acrescentou que "nenhum presidente de outro país vai meter o bedelho nas nossas eleições".
Falou ainda sobre as fraudes no INSS e do Banco Master, mirando a oposição e seu principal adversário nas urnas, Flávio Bolsonaro (PL).
"A direita abriu uma CPI e tentou jogar nas nossas costas a responsabilidade pela corrupção na previdência social. A quadrilha do INSS foi montada por eles, foi criada no governo Bolsonaro, foi desmontada por mim. Eles enriqueceram no governo Bolsonaro e estão presos no meu governo", afirmou Lula em Porto Alegre.
"E eles não pararam por aí. Eles criaram um banqueiro, chamado Vorcaro. Em 2019, na época deles, o bandido virou banqueiro. No meu mandato, ele virou prisioneiro", continuou Lula.
Uma agenda também estava prevista para Florianópolis, neste domingo (13), mas foi cancelada.
FLÁVIO CRITICA MORAES
Também neste sábado, em Cabo Frio (RJ), Flávio Bolsonaro afirmou que vai indicar cinco ministros ao STF caso seja eleito. O número considera um eventual impeachment do ministro Alexandre de Moraes.
"Eu vou indicar cinco homens e mulheres que são contra o aborto, contra as drogas, que respeitem a Constituição, que sejam a favor do desenvolvimento das cidades, sem essa radicalidade de licenciamentos ambientais que na verdade entravacam o desenvolvimento", disse ele, em discurso.
O candidato voltou a a associar o presidente Lula a Moraes, alvo de relatório da Polícia Federal sobre sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.
"O mau exemplo está vindo de cima. Está vindo do presidente da República, que abandonou o país. Quem governa o Brasil é o Alexandre de Moraes. Quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes", afirmou.