BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), retirou o sigilo da investigação sobre o filme "Dark Horse", que trata da vida de Jair Bolsonaro, e sobre outros processos do caso do Banco Master.
No total, Mendonça tornou públicos 31 documentos que tratam da apuração sobre fraudes atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e desdobramentos do caso.
Antes, na noite desta segunda (10), o ministro havia liberado 15 petições, afirmando querer se restringir às petições ligadas aos diálogos entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, que será tema de sessão na corte marcada para a próxima terça-feira (15).
Ao retirar o sigilo de mais documentos, Mendonça atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República, que solicitou a publicização de todos os inquéritos do caso Master.
"Anoto, inicialmente, que referidos processos não guardam relação com o objeto da pauta da sessão extraordinária a realizar-se na próxima terça-feira. De todo o modo, entendo não haver impedimento ao levantamento dos correspondentes sigilos", escreveu Mendonça na nova decisão.
A liberação de apenas parte desse acervo levou Mendonça a ser acusado de selecionar o que tornaria público por ministros da própria corte.
Além da PGR, que formalizou um pedido ao presidente do tribunal pela abertura de outros documentos, Moraes afirmou a Fachin que Mendonça fez uma "escolha seletiva" do material do Master divulgado e deixou de apresentar 180 documentos, "tornando público somente o que entendeu conveniente".
O ministro Cristiano Zanin também solicitou a Fachin o pedido de acesso integral ao conteúdo de um dos celulares de Daniel Vorcaro depois de o relator do caso do Banco Master, André Mendonça, não atender à solicitação.
O magistrado defendeu que "cabe a cada julgador definir os elementos necessários para a formação de sua convicção" e que eventual veto seria incongruência e causaria "severas dificuldades" no julgamento das mensagens entre o ex-banqueiro e Alexandre de Moraes.
Mendonça negou, afirmando que uma cópia de segurança dos dados extraídos do aparelho foi entregue, de forma voluntária pela corporação, ao seu gabinete, mas que o material permanece lacrado e intocado. Já os dados originais, de acordo com o magistrado, estão sob custódia da PF em um depósito da instituição.