Com Maracanã no roteiro, NFL acelera expansão e leva metade das equipes ao exterior
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Melbourne, Rio de Janeiro, Londres, Paris, Madri, Munique e Cidade do México compõem o roteiro da mais ambiciosa expansão internacional da NFL (National Football League, a tradicional liga do futebol americano), com nove jogos da temporada 2026 fora dos Estados Unidos. Trata-se de um recorde na história da competição.
A turnê da liga americana vai passar por palcos históricos do futebol, com seis jogos em estádios que já sediaram a Copa do Mundo, cinco dos quais já foram palcos de finais do Mundial. Um deles é o Maracanã, que recebe o terceiro jogo da NFL no Brasil --em 2024 e 2025, a liga realizou jogos em São Paulo, no estádio do Corinthians, em Itaquera.
Além de abrir um novo mercado no país, onde afirma ter mais de 36 milhões de fãs, sendo 8 milhões descritos como "ávidos", a liga incluiu em seu calendário estreias na Austrália e na França, além de um retorno muito aguardado ao México.
Ao todo, 16 equipes das 32 que compõem a liga vão atuar no exterior. De acordo com Peter O'Reilly, vice-presidente executivo de negócios de clubes, internacional e eventos da liga, isso será cada vez mais frequente.
"Estamos comprometidos em continuar crescendo a cada ano no que estamos fazendo", diz. O dirigente afirma, ainda, que cada partida serve como um catalisador para um projeto maior para atrair novos fãs e manter o engajamento ao longo da temporada.
A NFL já conta com nove escritórios internacionais e prevê a inauguração de mais uma filial em Paris no final deste mês. "Não trabalhamos com eventos isolados", diz O'Reilly. "Uma vez que entramos em um mercado, nosso compromisso é de longo prazo."
A série de partidas fora dos Estados Unidos teve início na quinta-feira (10), quando o San Francisco 49ers derrotou o Los Angeles Rams por 27 a 7 em Melbourne, na Austrália. No próximo dia 27 será a vez de o Rio de Janeiro receber o segundo duelo internacional, entre Baltimore Ravens e Dallas Cowboys, no Maracanã, às 17h25 (horário de Brasília).
O horário definido para o evento coloca a partida justamente em uma das janelas mais importantes para a liga nos EUA.
"Nosso maior horário de audiência nos EUA é na janela das 16h30 [na costa leste dos EUA, 17h30 de Brasília]. Então, acreditamos que essa é uma ótima maneira de mostrar aos nossos fãs, com Ravens x Cowboys, tudo o que está acontecendo e a crescente empolgação em torno da NFL no Brasil", afirma Hans Schroeder, vice-presidente executivo e chefe de operações da NFL.
No palco das finais da Copa do Mundo de 1950 e 2014, a expectativa da liga é receber um público superior a 70 mil pessoas. Em 2025, Los Angeles Chargers x Kansas City Chiefs levou 47.627 torcedores à Neo Química Arena, em Itaquera, superando o público do ano anterior, quando 47.236 assistiram ao confronto entre Green Bay Packers e Philadephia Eagles.
"Após o sucesso dos jogos em São Paulo, estamos extremamente animados para jogar em uma das cidades mais emblemáticas do mundo, o Rio de Janeiro", diz o comissário da NFL, Roger Goodell. O contrato com a cidade estabelece o compromisso de realizar um mínimo de 3 jogos ao longo dos próximos 5 anos.
Além de buscar um maior apelo presencial, a NFL fechou em 2025 um acordo de múltiplos anos com a TV Globo, que passou a se apresentar como a casa do futebol americano no país.
O acordo com a emissora envolve temporada regular, playoffs, Super Bowl e outros conteúdos. Para este ano, o canal ampliou a exposição, com o SporTV exibindo mais de 80 jogos ao vivo, sendo 41 exclusivos. A ge tv exibirá outros 41. O jogo no Maracanã terá transmissão de SporTV e ge tv, com a TV Globo exibindo o show do intervalo e um compacto depois na TV aberta.
A temporada 2026 teve sua abertura oficial na quarta-feira (9), quando Seatle Seahawks, atual campeão, venceu o New England Patriots por 13 a 10, na reeditação do embate do último Super Bowl. Mais 14 jogos serão disputados neste domingo (13), completando a primeira rodada.
Em 2027, o plano da liga é ampliar a excursão, com dez jogos no exterior. "O comissário [da liga] já falou em ir além disso. Queremos engajar o futebol americano ao redor do mundo. Temos uma visão de tornar o esporte global", explica O'Reilly.
Embora também exista um interesse de levar a liga para mercados asiáticos, como o Japão, o dirigente explicou que dificuldades logísticas impossibilitam esse objetivo atualmente.