Jamiroquai desfila hits anos 1990 em noite adolescente do Rock in Rio
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A banda britânica Jamiroquai arrastou bom público ao palco Sunset do Rock in Rio na noite desta sexta-feira (11), apesar da multidão que preferiu guardar posição no palco Mundo para o show do Stray Kids. A noite de festival é majoritariamente dedicada ao k-pop.
Jamiroquai se apresenta no domingo (13) no Nubank Parque, em São Paulo.
Jovens dos anos 1990 e 2000 que assistiram na MTV ao famoso e recorrente videoclipe de "Virtual Insanity" celebraram quando a canção de 1996 foi tocada, a última do show.
Muitos desses jovens são agora pais e mães dos novos jovens, que foram à Cidade do Rock para ver o pop coreano de Stray Kids e Nexz.
Mesmo shows laterais, como MC Cabelinho, no Espaço Favela, tinham maioria de adolescentes e jovens adultos.
O conjunto liderado por Jay Kay abriu fileiras de "acid jazz" nas lojas de discos dos anos 1990. É o maior expoente do estilo. O som tem bastante de funk, soul e reggae e foi reciclado por bandas do mundo todo, entre elas o Jota Quaest do início de carreira.
O primeiro álbum da banda, "Emergency on Planet Earth" [1993], que tem o primeiro hit, "When You Gonna Learn", é um soul eletrônico. O segundo "The Return of the Space Cowboy" [1994] bebe na fonte do dance. O terceiro, "Travelling Without Moving" [1996], tem "Virtual Insanity", o que parecia bastar ao público do festival.
A faixa alçou a banda ao sucesso mundial pelo videoclipe em que Jay Kay e os móveis ao redor pareciam deslizar no chão. O vídeo, assiduamente na MTV, contornou as jovens tardes.
Filho de pai guitarrista português e mãe cantora de jazz, Jay Kay teve o timbre de voz comparado ao de Stevie Wonder no início da carreira. Não era a mesma extensão vocal da grande fase, mas sustentou bom balanço, apoiado por trio de backing vocals à moda black e boa interação de baixo, bateria, teclados e eletrônicos.
Famoso pelos chapéus -- de nórdico, indígena norte-americano e mágico --, Kay trocou cinco vezes de acessório e outras quatro de agasalho.
Jamiroquai abriu com a relativamente recente "Don't Give Hate a Chance", que pouco empolgou.
Ao fim da apresentação de "Space Cowboy", single do segundo álbum, uma fã comentou ao colega ao lado que o Kay, 56, envelheceu bem. Foi mesmo grande o esforço do britânico de provar tal ponto, com chutes para o ar e passos de dança por todo o palco.
O sucesso "Travelling Without Moving" foi executado em cadência mais acelerada, com percussão que lembrava as caixas de uma escola de samba. Até ali, a quinta música do show, Kay já havia trocado o chapéu quatro vezes.
A interação do líder com o público foi pouca, restrita a "obrigado" em português e saudação ao "Rock in Rio". Kay vestiu um agasalho verde e amarelo.
O show de uma hora foi encerrado com "Virtual Insanity", sobre a tecnologia em tempos de um "fucking Crazy world", segundo Kay. Não teve passos deslizantes pelo palco, como no clipe, mas a execução agradou aos nostálgicos noventistas.