Zanin reforça pedido de acesso a celular de Vorcaro após Mendonça dizer que dados estão lacrados
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cristiano Zanin reforçou nesta sexta-feira (11) o pedido de acesso integral ao conteúdo de um dos celulares de Daniel Vorcaro depois de o relator do caso do Banco Master, André Mendonça, não atender à solicitação.
O magistrado defendeu que "cabe a cada julgador definir os elementos necessários para a formação de sua convicção" e que eventual veto seria incongruência e causaria "severas dificuldades" no julgamento das mensagens entre o ex-banqueiro e Alexandre de Moraes.
Mendonça afirmou que uma cópia de segurança dos dados extraídos do aparelho foi entregue, de forma voluntária pela corporação, ao seu gabinete, mas que o material permanece lacrado e intocado. Já os dados originais, de acordo com o magistrado, estão sob custódia da PF em um depósito da instituição.
"Com o devido respeito, a mídia solicitada encontra-se no gabinete de sua excelência e deve ser compartilhada com os demais julgadores para que todos tenham a mesma oportunidade de análise dos elementos relacionados ao aludido processo", respondeu Zanin.
Mendonça emitiu despacho em resposta ao presidente da corte, Edson Fachin, após Zanin pedir para que seja liberada a mídia do aparelho do ex-banqueiro que foi apreendido pela Polícia Federal em novembro de 2025. O ministro argumentou que o material está diretamente relacionado ao caso e que a decisão da presidência para a quebra de sigilo já abrange o conteúdo.
Zanin argumentou que ter acesso à mídia servirá para permitir a apreciação "necessária e completa" do julgamento que tem sessão marcada para a próxima terça (15), quando o plenário deve analisar o relatório da PF que aponta Moraes como interlocutor do ex-banqueiro.
No último despacho feito, Cristiano Zanin disse ainda que o fato de o material ter sido entregue de forma lacrada pelos investigadores não afasta a necessidade de acesso ao conteúdo e mencionou que a preservação da custódia dos documentos deve ser feita na origem, e não em relação à cópia.
Ele também citou que os advogados de Vorcaro receberam cópia da Polícia Federal e têm acesso integral às mídias do aparelho.
"Enfatizo que todo o colegiado deve ser a mesma oportunidade de analisar os elementos relacionados à petição pautada para julgamento, independentemente da efetiva análise pelo relator. Essa sempre foi a regra em todos os julgamentos colegiados, inclusive no Supremo Tribunal Federal", disse.
"Uma vez pautado o procedimento ou processo, os julgadores devem ter acesso a todos os elementos colocados à disposição do Relator, independentemente, insisto, de terem sido efetivamente analisados ou não pelo mesmo", completou.
O julgamento pode resultar na abertura de uma investigação contra Moraes ou na anulação do documento que mostra diálogos entre ele e Vorcaro, conforme pedido feito pela PGR, em 1º de setembro.
Também nesta sexta, Fachin pediu ao relator que retire, em até 24 horas, o sigilo de todos os documentos que integram as investigações sobre o caso Master na corte.
Ele atendeu a um pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República), assinado pelo vice-procurador-geral Hindemburgo Chateaubriand, e a solicitações de Zanin e de Moraes -que mantinha relações com Vorcaro.