Com Flávio investigado e viagens de diretores do BC às custas de Vorcaro, saiba o que há nos documentos do caso Master
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Os documentos sobre o Banco Master e o ex-controlador da instituição Daniel Vorcaro que tiveram o sigilo retirado mostram a abertura de investigação contra Flávio Bolsonaro no inquérito do filme "Dark Horse", os detalhes da atuação de Sicário e "A Turma" e as viagens feitas por diretores do Banco Central às custas do ex-banqueiro.
Na noite de quinta-feira (10), o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, pediu que o material sobre o Master fosse tornado público, com exceção ao que diga "respeito a diligências cujo sigilo seja imprescindível à realização da medida" -ou seja, o que poderia atrapalhar o prosseguimento das investigações.
A demanda foi atendida pelo relator do caso, o ministro André Mendonça, na própria quinta, com a retirada do sigilo de 14 procedimentos, além do principal, que deu origem aos demais.
Na tarde desta sexta-feira (11), Fachin pediu a Mendonça que retire, em 24 horas, o sigilo de todos os documentos que integram as investigações sobre o caso do Master.
O fim do sigilo sobre a investigação também foi defendido pelo presidente Lula (PT).
Grande parte das informações que tiveram o sigilo retirado até aqui, porém, já havia sido vazada ou divulgada pelo próprio Supremo em decisões anteriores. Mas a medida revelou detalhes até então desconhecidos.
FLÁVIO BOLSONARO
Entre as informações inéditas está o fato de que Flávio Bolsonaro é formalmente investigado, desde julho, dentro do inquérito que apura a produção do filme "Dark Horse", que conta a história de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje preso por liderar uma tentativa de golpe de Estado.
A Polícia Federal apura a "possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos".
A suspeita é que parte dos recursos tenha sido destinada para bancar a estadia de Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio e ex-deputado federal, nos Estados Unidos.
'DARK HORSE'
Documentos da PF e da PGR (Procuradoria-Geral da República) apontam que o senador era interlocutor direto de Vorcaro na negociação para investimentos no filme.
Como revelou o site The Intercept, Flávio negociou diretamente com o ex-banqueiro o repasse de pelo menos US$ 24 milhões (hoje, aproximadamente R$ 122,7 milhões) para a produção do filme.
Deste montante, foram pagos efetivamente no mínimo US$ 12,3 milhões (hoje, cerca de R$ 62,9 milhões), segundo documentos da investigação noticiados pela revista piauí.
BANCO CENTRAL
A quebra de sigilo também mostra novos detalhes da atuação de subordinados ao ex-banqueiro.
Vorcaro bancou viagens e jantares internacionais para dois servidores do Banco Central acusados de atuar para favorecer o Master, segundo afirmam relatórios da PF enviados ao STF.
De acordo com a investigação, Vorcaro custeou parte de uma viagem do ex-chefe de Supervisão Bancária Belline Santana, junto com a esposa, a Paris.
Também pagou o passeio do ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza à Disney, nos Estados Unidos.
O ex-banqueiro tinha relação próxima com integrantes da autoridade monetária, aos quais pagava propina, segundo a apuração policial.
CRISE NO STF
O Supremo passa pela maior crise de sua história recente. O estopim foi a decisão de Mendonça de produzir um relatório sobre pessoas próximas a Vorcaro, que revelou que um dos interlocutores do ex-banqueiro era o também ministro Alexandre de Moraes.
A partir daí, os dois entraram em um conflito crescente a cerca de 30 dias do primeiro turno das eleições de 2026.
Ex-dono do Master, Vorcaro está preso e é investigado por comandar o que se acredita ser a maior fraude financeira do país.
Até aqui, as investigações mostraram que ele mantinha contato próximo com o alto escalão da política, inclusive ministros do Supremo, como Moraes e Dias Toffoli.
Com o primeiro, por exemplo, trocou mensagens sobre o inquérito contra ele, inclusive dois dias antes de ser preso. Já com o segundo, mantinha negócios e parcerias comerciais, como um resort.
Na quinta, reportagem publicada pela revista piauí com base em relatório da PF enviado ao STF revelou que o órgão suspeita que Toffoli seria proprietário ou beneficiário final do fundo de investimento Arleen, que recebeu R$ 35 milhões de Vorcaro.
Vorcaro também mantinha ativo um grupo chamado "A Turma", liderado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário, com o qual combinava formas de intimidar pessoas, inclusive jornalistas, e acessava informações confidenciais.