K-pop de Hwasa agita o Rock in Rio em meio a alerta de aglomeração e calor

Por NATHALIA DURVAL E YURI EIRAS

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Na estreia do k-pop no Rock in Rio, nesta sexta-feira, Hwasa segurou uma plateia inteira sozinha. A cantora foi a segunda a se apresentar no palco Mundo e mostrou um lado diferente do pop da Coreia do Sul -sexy e com vocal potente.

Antes do show começar, às 19h, um aviso nos telões pedia para o público dar alguns passos para trás para que a apresentação continuasse. Com a aglomeração -sobretudo pela proximidade do show do headliner Stray Kids, à 0h05-, pessoas próximas ao palco passaram mal por causa do calor que estava ali.

Em meio a isso, o principal passeio de circulação do Rock in Rio, que liga a entrada aos palcos Mundo e Sunset, tem apresentado problemas de circulação de público.

Apesar de não ser o dia mais cheio da atual edição do festival -ainda havia entradas disponíveis até o início da tarde-, o público tem dificuldade de se deslocar por conta da quantidade de pessoas sentadas nos espaços de deslocamento. Famílias espalharam cangas pelo gramado e também pelos corredores de circulação.

Hwasa encheu o gramado do festival carioca e trouxe um contraste ao Nexz, que apresentou antes um k-pop mais tradicional, com músicas animadas acompanhadas de coreografias sincronizadas e visual colorido. Na vez dela, o público cantou e gritou muito mais.

A cantora começou a carreira no Mamamoo, em 2014, que desde o início foi encaixado numa categoria de grupos que se destacam pelo vocal -enquanto outros são mais conhecidos pela performance no geral ou pelo rap. Aos 31, Hwasa é a integrante mais nova do quarteto, que continua ativo. Todas as integrantes têm hoje carreiras solo de sucesso.

A caçula é talvez a mais popular, e se destaca pela voz mais rouca. Ela exibiu a potência com notas altas e riffs. Apesar de mostrar que tem gogó, deixou o playback rodar em alguns momentos. A ferramenta é normal no k-pop, com pouco uso em festivais. Já bandas ao vivo são raridade, mas a acompanharam no palco.

Ela é uma artista que combina com o Brasil e encontrou aqui uma plateia que reage à sua altura. É ousada e tem carisma, uma antítese da imagem fofa que muitos que não acompanham o k-pop têm do gênero.

Hwasa subiu ao palco exibindo um vestido curto, que por vezes mostrava a lingerie, com corset de renda e decote à mostra. Rebolou até o chão, balançou os seios, passou a mão pelo corpo, fez carões. Ela também dançou, acompanhada de dançarinas e dançarinos. Como diz em "Chili", uma das primeiras a cantar, ela é "apimentada".

O público reagia com gritos de "linda" e "gostosa". Seu visual também foge à regra dessa indústria. Desde jovem, foi criticada pela aparência, por ser "curvilínea demais" e ter pele mais "bronzeada". Ela aborda o tema em canções como "I Love my Body", em que celebra o próprio corpo. Foi uma das que mais agitou a plateia.

A integrante do Mamamoo tem sucessos reconhecíveis por qualquer fã de k-pop, como "Twit", "Maria" e "Good Goobye" -esta última, virou fenômeno na terral natal e foi uma das canções mais premiadas de uma solista. Sua carreira hoje é gerida por uma gravadora criada por Psy, responsável por apresentar o pop sul-coreano ao mundo com o hit "Gangnam Style".

Num dos pontos altos, ela resgatou sucessos do quarteto num medley que incluiu "Décalcomanie", "Starry Night", "Dingga" e "Hip"

Em resposta aos gritos do seu nome, Hwasa sorria, colocava a mão sobre o coração e repetia "eu te amo", em português. "Queria muito ver vocês", disse num momento. "Amo o Rock in Rio e o Brasil. E ouvi falar que sou a primeira solista de k-pop no festival. Meu coração está cheio de amor para dar para vocês".

Na música "Na" (eu, em coreano), disse que mudou o ritmo para ficar com um estilo mais do Rio. Ahn Hye-jin, seu nome batismo, explicou ainda que tem um terceiro nome: Maria, que tem tatuado na nuca. Em outro momento de ligação com o Brasil, disse: "Ouvi falar que aqui tem muitas Marias". Logo emendou a música homônima, um dos principais sucessos. "Essa música era para dizer para mim mesma o quão maravilhosa eu sou", explicou. "Acho que essa música tem um certo espírito brasileiro".

Próximo ao fim do show, desceu para o gramado, tocou na mão dos fãs e perguntou como se dizia "fofo" em português, antes de cantar "Cute".

Não por coincidência, encerrou com "Good Goobye", exibida com legendas em português no telão. Ela começou cantando deitada no show e encerrou correndo pelo palco com a bandeira do Brasil. A performance e o estilo de Hwasa mostraram que combinam com um festival, mesmo num dia que não seja de nicho.