Márcio Elias: Governo dos EUA deve encaminhar proposta sobre tarifas até a próxima semana

Por Flávia Said

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou que a expectativa do governo brasileiro é receber até a próxima semana uma proposta dos americanos de um possível acordo sobre as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.

Em 30 de setembro, os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira; e do MDIC, Márcio Elias Rosa, tiveram uma reunião com o representante comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), embaixador Jamieson Greer, às margens da reunião de ministros de comércio do G20, em Milwaukee. Na ocasião, as autoridades norte-americanas ficaram de encaminhar um esboço de proposta para um futuro acordo dentro de quatro semanas.

"Eu imagino que, a partir dessa semana ou na outra, o Brasil deve receber o documento dos EUA. A informação que eu tenho é que eles estão trabalhando no documento para nos encaminhar, porque, independentemente da discussão política, nós tivemos conversas informais nesse período e eles, de fato, estão trabalhando nisso", disse Márcio Elias a jornalistas. O ministro participou da abertura do seminário Implementação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, nesta terça-feira, 3, na Câmara dos Deputados.

"Quando a gente negocia um acordo dessa natureza comercial, de uma parte surge uma proposta e nós fazemos as ofertas. Então, eles americanos devem nos encaminhar a proposta de um acordo dizendo basicamente quais são os setores que eles gostariam de ter oferta de redução, por exemplo, de tarifa e nós responderemos na sequência. Mas não tem nenhuma antecipação do mérito do conteúdo ainda", prosseguiu o titular do MDIC.

O Brasil questiona a base legal para decisão do governo Donald Trump que, em julho passado, impôs tarifaço de até 37,5% sobre a importação de uma série de produtos brasileiros. Desse porcentual, 25% foram aplicados com base em supostas práticas anticompetitivas pelo Brasil e um adicional de 12,5% foram direcionados ao Brasil e outros 59 países, sob alegação de falha das economias em impor e aplicar efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado. O País levou a discussão à Organização Mundial do Comércio (OMC), ainda sem desdobramentos.

Questionado se o resultado das eleições de meio de mandato nos EUA vão impactar nas discussões em relação às tarifas, o ministro Márcio Elias Rosa respondeu negativamente. "Não, nada, não muda absolutamente. O Brasil segue no seu percurso, tem muito trabalho para fazer e o povo norte-americano é que define as eleições."

Como vem sendo mostrado pela Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, as vendas aos EUA têm caído desde o primeiro tarifaço, anunciado em agosto de 2025. No acumulado de janeiro a setembro de 2026, as exportações para os EUA caíram 6,5%, ante igual período do ano anterior, para US$ 27,46 bilhões. As importações também recuaram, 7,1%, e totalizaram US$ 31,79 bilhões. O Brasil segue tendo déficit comercial com os EUA, de US$ 4,33 bilhões no acumulado deste ano.