Entenda o que muda com a nova forma de cobrança da telefonia fixa

CANOINHAS - No fim de 2006, depois de vários adiamentos e indefinições, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) definiu o cronograma de implantação da cobrança das ligações locais em minutos. Todas as operadoras devem converter a forma de cobrança das ligações locais, de pulso para minuto, até o fim de julho deste ano. E o processo foi iniciado, para algumas localidades, no início do mês de março.

Com a regulamentação do processo de conversão, as companhias de telefone terão de informar ao consumidor como optar pelo melhor plano de acordo com os diferentes perfis de assinante e serão obrigadas a oferecer pelo menos dois planos: um plano básico e um plano alternativo, que foi chamado de Plano Alternativo de Serviços de Oferecimento Obrigatório (Pasoo).

A atuação da Anatel nesse processo de mudança na tarifação local de pulso para minuto foi mais um exemplo de descaso com o consumidor. Além dos inúmeros adiamentos, a metodologia utilizada para calcular o preço do minuto no plano básico - que resultará em aumentos absurdos dos preços das ligações que durarem mais de 3 minutos - não ficou clara.

A mudança tinha tudo para ser boa para o consumidor, trocando o sistema impreciso de medição das ligações locais por pulsos por um sistema que tem como base a efetiva utilização do serviço. Mas o comportamento da Anatel na condução da conversão só causou mais confusão e incerteza. Há, ainda, o risco de o consumidor ter de pagar mais caro se não escolher o plano adequado ao seu perfil de consumo.

De acordo com a metodologia de conversão de tarifas proposta pelo órgão regulador em dezembro de 2005, no plano básico em minutos todas as ligações com duração superior a 3 minutos ficam muito mais caras e as que duram menos do que isso podem ficar mais baratas. Para se ter uma idéia, uma ligação de 15 minutos, em São Paulo, pode custar até 140% mais caro.

Diante dessa metodologia absurda, o Idec manifestou sua indignação e lutou por alterações. Em resposta, adiou-se a conversão por um ano. Por fim, a Anatel manteve os cálculos para o plano básico e criou outro plano para os consumidores que fazem ligações mais longas, com duração superior a 3 minutos: o Pasoo.

Não foi, certamente, a melhor solução para o consumidor. Porém, ao menos, agora aqueles que pagariam mais caro para fazer ligações superiores a 3 minutos têm uma alternativa: se migrarem para o Pasoo permanecerão gastando praticamente o mesmo que gastam hoje.

O QUE MUDA?

Como acontece a cobrança por pulso?

Nas chamadas locais, hoje em dia, a unidade de tarifação é o pulso. Um pulso é cobrado assim que a chamada é atendida e outro pulso é cobrado em até 4 minutos após a chamada ser atendida (chamado de pulso aleatório). Os demais pulsos são cobrados de 4 em 4 minutos após o pulso aleatório. Dessa maneira, uma pessoa que fale 1 minuto pagará por um pulso no atendimento da chamada e, em tese, tem uma chance de 25% do segundo pulso cair nesse intervalo de 1 minuto (1 min/4min = 0,25). Ou seja, dependendo de sua ?sorte?, pagará um ou dois pulsos numa ligação de um minuto.

Em horários reduzidos (de segunda a sexta-feira, de meia-noite às 6h, aos sábados das 14h à meia-noite, aos domingos e feriados o dia todo) a cobrança é de apenas um pulso, independentemente do tempo da ligação. No plano básico em pulsos o consumidor paga uma taxa de assinatura e tem o direito a consumir, sem pagar mais, 100 pulsos em linhas residenciais ou 90 pulsos em linhas comerciais.

Como será o novo plano básico, em minutos?

O novo plano básico em minutos, para o qual o consumidor migrará automaticamente, possui a mesma taxa de assinatura e habilitação que o plano básico em pulsos. Dentro da franquia incluída na assinatura, o consumidor recebe 200 minutos em linhas residenciais e 150 nas linhas comerciais ou tronco. Não há, neste plano, tarifa de complemento: o consumidor paga apenas por aquilo que consumir. Entretanto, há um tempo mínimo de tarifação de 30 segundos. Ou seja, toda vez que o consumidor realizar uma ligação e esta for atendida, já será tarifado por 30 segundos de conversação. Passados estes 30 segundos o consumidor será tarifado a cada décimo de minuto (6 segundos). Se falar 1 minuto, pagará por 1 minuto de conversação. Nos horários reduzidos o consumidor pagará o valor de 2 minutos e poderá falar por quanto tempo quiser.

E a alternativa criada pela Anatel, chamada de Pasoo, como funciona?

A outra opção criada pela Anatel será um plano alternativo que as companhias de telefone serão obrigadas a oferecer a todos os consumidores e que contará com regras de reajuste, taxa de habilitação e assinatura idênticas ao plano básico. Nesse plano, para cálculo de quanto custaria o minuto, considerou-se que 1 pulso equivale a 4 minutos e, por conta disso, o minuto custará um quarto do que custa o pulso hoje. Do mesmo modo, a franquia de 100 pulsos incluída na assinatura será convertida para 400 minutos (nas linhas não residenciais e linhas tronco a franquia muda de 90 pulsos para 360 minutos).

Esta franquia equivale ao número de minutos que o consumidor pode gastar sem ter que pagar um valor excedente ao da assinatura. Se optar pelo PASOO, sempre que uma ligação do consumidor for atendida será cobrado um mínimo equivalente a 4 minutos de conversação (tarifa de completamento da ligação). Além disso, o consumidor também será tarifado pelo tempo de utilização, a cada décimo de minuto (ou seja, a cada 6 segundos). Dessa forma, o consumidor que falar por 1 minuto ao telefone terá abatido de sua franquia o valor de 5 minutos (4 da tarifa de completamento e 1 da conversação).

Por conta desta tarifa de completamento, o plano não é vantajoso para quem faz ligações curtas. Entretanto, neste plano as ligações acima de 3 minutos ficam mais baratas que no plano básico em minutos, o que torna o plano recomendável para aquelas pessoas que tem acesso discado à internet ou que gostam de falar por longos períodos ao telefone. Os horários reduzidos serão os mesmos do plano básico. Nestes horários o consumidor paga apenas uma única tarifa no momento em que a ligação é atendida e pode falar quanto tempo quiser. Neste plano o consumidor pagará por 4 minutos de conversação nas ligações no horário reduzido, enquanto no plano básico em minutos a tarifa é de 2 minutos.

Quem optar por esse plano permanecerá em situação tarifária semelhante à de hoje, tendo em vista que suas tarifas são praticamente equivalentes às tarifas que hoje se cobra pelo pulso. A vantagem do novo plano é que está eliminado o pulso aleatório. O consumidor que hoje está no plano básico (a grande maioria), já pode solicitar a mudança para o PASOO, mas a mudança somente ocorrerá quando a companhia de telefone promover a mudança de pulso para minuto na sua cidade. Caso o consumidor não solicite o PASOO, o seu plano básico em pulsos será convertido automaticamente para o novo plano básico em minutos.

 

Quando acontecerá a mudança?

A mudança teve início no começo de março e deve ser finalizada até o fim de julho deste ano. Para saber quando ocorrerá a mudança em sua cidade o consumidor deve procurar a companhia de telefone. No caso, a Brasil Telecom de Canoinhas ainda não sabe informar quando ocorrerá a mudança na região.

 

Qual o melhor plano para o consumidor?

Depende do perfil desse consumidor. Se o consumidor, em regra, faz ligações locais (ou com tratamento local) mais curtas, de até 3 minutos, a melhor opção é ficar com o plano básico quando ocorrer a conversão para minutos. Por exemplo: comerciantes que usam o telefone para fazer ligações rápidas, para dar recados, etc.

Se o consumidor, em regra, faz ligações locais (ou com tratamento local) com duração superior a 3 minutos, compensa optar pelo plano alternativo (PASOO) que a Anatel obriga as companhias a oferecer. Por exemplo: a uma família com adolescentes, que geralmente falam bastante ao telefone, o PASOO é o plano mais indicado. O mesmo vale para quem usa internet com conexão discada fora dos horários reduzidos.

Da forma que a conta vem hoje, sem informações claras, não dá para o consumidor conhecer o seu próprio perfil. O número de pulsos tarifados não é informação suficiente para que o consumidor possa escolher com segurança, afinal, 200 pulsos podem equivaler a 100 ligações com duração de 2 pulsos, como também podem equivaler a 20 ligações de 10 pulsos (ou a 2 ligações de 100 pulsos cada). Para avaliar o seu perfil, o consumidor deverá fazer isso a partir de sua própria observação sobre o número de minutos que gasta nas ligações.

Celulares e interurbanos

A mudança afeta somente a tarifação de ligações locais (ou com tratamento local). Ligações para celular, interurbanas e internacionais já são tarifadas em minuto e não sofrerão qualquer alteração.