Depois de 58 anos impresso em formato standard, Correio do Norte muda formato
CANOINHAS ? 58 anos de história. Uma grande responsabilidade para os que estão hoje, à frente do jornal Correio do Norte. Responsabilidade que comporta algumas ousadias como a alteração do formato do jornal. Essa é a primeira edição do Correio do Norte em formato tablóide, em 58 anos. A alteração que implica em modernidade e atendimento ao leitor, coincidindo com o aniversário do jornal, torna oportuna uma homenagem aos que fizeram e fazem a história do jornal, desde 1947.
AMBIÇÕES POLÍTICAS
É inegável que o Correio do Norte nasceu de ambições políticas. Na capa da edição número 1, já existem apologias políticas com uma matéria intitulada ?Jovino Tabalipa é do povo e trabalhará em benefício do povo?. Jovino, então candidato a prefeito de Canoinhas pela União Democrática Nacional (UDN), era um dos proprietários do jornal, embora não assinasse o expediente. Aliás, o jornal nasceu literalmente dentro da UDN. A redação do jornal funcionava dentro da sede do partido. Benedito Terézio de Carvalho Junior, presidente do diretório municipal da UDN, era um dos principais acionistas do jornal. No entanto, nenhum desses nomes aparecia no expediente. Assinava como diretor-proprietário, Silvio Alfredo Mayer, pela redação Guilherme Varela e pela gerência, Agenor Gomes. O que o jornal chama de ?orientação?, foi confiada a Aroldo Carneiro de Carvalho, advogado e deputado estadual pela UDN. Abertamente, o jornal se declarava defensor dos ideais políticos do partido.
Aroldo (leia texto ao lado), por sinal, até sua morte, em 1981, esteve nos bastidores do jornal, seja na linha de frente ou apenas como um ?orientador?, como trás a primeira edição do jornal. Fiel aos ideais udenistas, Aroldo escrevia editoriais ardorosos contra a oposição, publicados pelo CN. Na década de 1950, Aroldo aparece como diretor do jornal, posição que ocupou até 1978, três anos antes de sua morte.
Na década de 1970, Aroldo comprou a parte de seus sócios e assumiu sozinho o jornal. Mas antes da compra, Aroldo teve outros parceiros no jornal, sempre udenistas.
GRANDES NOMES
Na década de 1950, Aroldo contratou, em 1951, Ithass Seleme, para gerenciar o jornal. Alfredo de Oliveira Garcindo era responsável pela redação, embora não apareça seu nome no expediente. Em 1955, uma reforma administrativa no CN, trouxe para a diretoria do jornal, Carlos Schramm e Osvaldo Soares, enquanto que Aroldo se afastava para cuidar de suas pretensões políticas.
Em 1956, Garcindo deixa de ser somente redator e passa ao cargo de diretor do CN ao lado de Schramm. Em 1958, Schramm deixa o jornal e João Seleme assume, ao lado de Garcindo, a diretoria.
ANOS 1960
Em 1962, Aroldo volta a assumir a direção do CN, ao lado de João Seleme. Ithass Seleme continua na gerência do jornal e a redação passa a ser responsabilidade de Alfredo Alberto Munhoz.
Em 1963, dois novos diretores estréiam no CN: Paulo Jacques, ao lado de Rubens Ribeiro da Silva.
Rubens inicia assim, uma longa parceria com o CN, que duraria 14 anos.
ANOS 1970
Em 1975, Glauco Bueno estréia no CN, como gerente comercial. Rubens cuidava, sozinho, da direção do jornal. Em 1977, Glauco deixa a parte comercial para cuidar da redação do CN, ao lado de Pedro Grisa. 1977 é o ano que marca uma fase de expansão regional do jornal. Colaboradores como Esmeraldino Almeida, em Papanduva; Paulo Frank, em Três Barras e Francisco Krisan, em Major Vieira; estréiam colunas no jornal.
Em 1978, Lucio Colombo, que até hoje escreve no CN, estréia como redator do jornal, e Glauco Bueno passa ao posto de diretor do jornal. Esse é o ano que marca o desligamento de Aroldo do jornal, depois de 31 anos administrando o CN. Divair Zaniolo de Carvalho, viúva de Aroldo, assume o jornal.
ANOS 1980
Os anos 1980 foram de grande importância para o crescimento do CN. Houve mudança de layout, de linha editorial e de funcionários. Em 1981, Myrian Eduarda de Miranda era editora do jornal e Lucio Colombo era repórter. Em 1984, o historiador Fernando Tokarski assume a direção do jornal e expande a rede de colaboradores com Afonso Romanio, em Três Barras; Nilson Oliveira Franco, em Major Vieira; Esmeraldino Almeida e Paulo Augustin, em Papanduva e Waldemar Colombo, em Irineópolis.
Em 1985, a lei exige que um jornalista profissional assine todo e qualquer jornal. No caso do CN, Edevardes Sartori, jornalista provisionado, estréia como responsável pelo CN. Fernando Tokarski assume o departamento comercial do jornal.
A partir daí, o CN inicia um processo de expansão no interior de Canoinhas. Helio Bruger assume a cobertura da região de Pinheiros; Waldemar Woiciekoski assume Encruzilhada, Lucio dos Santos assume a localidade de Boa Vista e Lourenço Novak assume a Água Verde.
Em 1986, Roberto Amorin assume a diretoria do jornal.
Em 1989, Alcyr Petters, assume a redação do CN. Nucio Pires dirige o jornal e Ângelo Schulka assume o departamento comercial.
ANOS 1990
Em 1990, Humberto Schwabe, assume a edição do jornal. Donaldo Fleith cuida da parte administrativa do CN e Siegward Beulke assume a montagem e revisão.
Em 1992, Ângelo Schulka assume a direção do jornal. Porfili Cristina Terpan cuida da parte administrativa e Sartori continua assinando o jornal como redator.
Em 1995, Luis Fernando Freitas e Hilton Ritzmann compram o jornal e contratam Glauco Bueno para assumir a direção do CN ao lado de Sartori, que continua responsável pela redação.
Em 1997, Rosi Danker Beulke arrenda o CN de Freitas e Ritzmann, e Sigward Beulke volta à direção do jornal. O professor Carlos de Oliveira assume a redação e Osnilda Beulke assume o cargo de editora.
Por um período de menos de um ano, o CN circula duas vezes por semana, às quartas e sábados.
No início de 1998, o CN, pela primeira vez em 51 anos, fecha suas portas para reabrir em novembro de 1999, pelas mãos da família Freitas.
Fabiano Freitas assume a direção do jornal. A jornalista Bianca Neppel assume a redação do e Abenur Gomes da Silva assume o departamento comercial.
NOVO MILÊNIO
O CN entra no novo milênio pouco semelhante às primeiras edições do jornal. Pelo menos no quesito visual. Com páginas coloridas, impresso na gráfica O Estado do Paraná, em Curitiba, e linha editorial definida, o CN conquista o leitor pela seriedade e isenção.
Em 2001, a família Freitas vende o jornal para a família Pangratz. Márcia Bedretchuk e Neno Pangratz assumem a direção do jornal. Bianca continua na redação. Em 2001, João Francisco da Silva assume a redação do jornal, ao lado de Bianca.
Em 2002, o jornalista Rodrigo Mello assume a redação.
Em 2003, Carmen Regina Pangratz assume a direção do jornal e Thiago Dias, a redação.
No mesmo ano, o jornalista Ricardo Portelinha assume a redação do jornal.
Desde abril de 2004, Edinei Wassoaski é editor do Correio do Norte.
FRAGMENTOS
?A pacata Canoinhas de então, com suas ruas retas, semi-desertas e barrentas, observava alguns garotos que apregoavam o novo órgão de imprensa?
?O diretor Silvio Mayer, o redator Guilherme Varela e o gerente Agenor Gomes, postados no Edifício Gomes, à rua Vidal Ramos, aguardavam, nervosos e desconfiados, as primeiras repercussões?
Fragmentos do editorial do Correio do Norte, em maio de 1948, em alusão ao primeiro aniversário do jornal
?Nascido do idealismo de autênticos democratas, enfrentando toda sorte de empecilhos e dificuldades, com vontade férrea de colaborar pelo progresso de Canoinhas, (...) os seus fundadores lançaram-se a luta, sem esmorecimentos,..?
?Estando atualmente com mais de mil assinaturas, Correio do Norte é lido até na Argentina e na Síria?
Fragmentos do editorial do Correio do Norte, em maio de 1957, em alusão aos 10 anos do jornal
Aroldo Carneiro de Carvalho, o precursor
Por mais de 30 anos, Aroldo esteve à frente do Correio do Norte
Aroldo Carvalho, nascido em Canoinhas, escolheu logo cedo uma profissão ligada aos seus ideais e foi advogado em sua cidade natal.
Atraído pela política, elegeu-se deputado estadual. Paralelamente, participava de associações e federações, defendendo os produtores de Santa Catarina, assumindo a presidência de algumas delas.
Na vida pública, exerceu funções executivas em dois governos seguidos, como secretário de Viação e Obras nas administrações de Irineu Bornhausen e Jorge Lacerda.
Confirmou sua popularidade em 1955, quando pela primeira vez foi eleito deputado federal.
De volta a Santa Catarina, foi secretário do Interior e Justiça, no governo de Heriberto Hulse.
A partir de 1962, teve então, mais três mandatos consecutivos como deputado federal, participando ativamente da vida parlamentar, sendo membro de comissões, em missões no exterior, mas nunca esquecendo seu estado, seu povo e sua luta incansável pelo bem comum.
Aroldo morreu às 11h50min, do dia 11 de maio de 1981, em Brasília.
Frases de Aroldo:
?Nutro um profundo carinho pelo Correio do Norte. Foi nele e por ele, que galguei o primeiro degrau de minha vida pública?
?O homem vencido não é aquele que perde uma, duas ou dez batalhas e, sim, aquele que depõe as armas e deixa de lutar?
Publicado em 16 de maio de 1981, no Correio do Norte. Texto de Glauco Bueno
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