Ações dos EUA na Venezuela representam riscos à ordem multilateral

Por Pedro Peduzzi - Repórter da Agência Brasil

Ações dos EUA na Venezuela representam riscos à ordem multilateral

Os ataques feitos pelos Estados Unidos à Venezuela no sábado (3) para derrubar o presidente, Nicolás Maduro, representam, na avaliação de especialistas entrevistados pela Agência Brasil, riscos para organismos multilaterais e para os países da América Latina.

Militares americanos retiraram à força Maduro e sua mulher, Cilia Flores, de território venezuelano, em uma ação que matou forças de segurança do presidente e causou explosões em Caracas, capital do país. Maduro foi levado para Nova York e, segundo o governo dos Estados Unidos, vai responder no país a acusações por uma suposta ligação ao tráfico internacional de drogas.

Cientista político e professor de relações internacionais da Faculdade São Francisco de Assis (Unifin), Bruno Lima Rocha diz que o ocorrido na madrugada de sábado, quando se deu a incursão, é, antes de tudo, um ataque dos Estados Unidos à soberania de um país.

Primeiro, porque não existe, no direito internacional, um atestado para que os Estados Unidos operem como polícia do mundo", diz Rocha.

"Em segundo lugar, porque, mesmo que as acusações contra Nicolás Maduro fossem verdadeiras o que, de fato não são , a ONU ou o sistema de instituições internacionais não delegaram para os Estados Unidos poder para sequestrar, capturar ou intervir em um país soberano, argumenta o professor.

Entre as justificativas apresentadas pelo governo estadunidense para os ataques contra a Venezuela está a de que Maduro estaria ligado a grupos narcoterroristas que abastecem com drogas o mercado interno dos EUA.

Do ponto de vista legal, isso foi um absurdo. Uma agressão imperialista pura e simples, disse Bruno Rocha, que classifica como sequestro a ação contra Nicolás Maduro e alerta que os EUA ameaçam roubar o petróleo da Venezuela, cujas reservas são as maiores do mundo.