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Alta do petróleo mobiliza potências do G7 em meio à guerra no Irã (Fotos: Agência Brasil)
O aumento do preço do barril de petróleo vem mobilizando as potências ocidentais reunidas no G7, grupo dos países mais industrializados do mundo. Os ministros das finanças do grupo se reuniram, nesta segunda-feira (9), para discutir medidas contra a disparada dos preços no mercado mundial.
Por enquanto, as potências decidiram não liberar as reservas de emergência para forçar a queda dos preços. O barril chegou a quase US$ 120, maior valor desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022. Houve um aumento de até 30% desde o início da guerra no Irã e do fechamento do Estreito de Ormuz.
As potências do G7 França, Alemanha, Estados Unidos (EUA), Itália, Japão, Canadá e Reino Unido discutiram a liberação das reservas estimadas em 1,2 bilhão de barris de petróleo, além de 600 milhões mantidos por obrigação governamental.
O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, por onde transitam cerca de 25% do petróleo mundial, tem abalado os mercados financeiros, com bolsas caindo em todo o mundo.
As retaliações de Teerã contra alvos nos países do Golfo Pérsico também contribuíram para reduzir a oferta no mercado de grandes produtores como Bahrein e Catar.
Além dos desafios da travessia do Estreito de Ormuz, uma parcela substancial da produção de petróleo foi reduzida. Isso está criando riscos significativos e crescentes para o mercado, afirmou o diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol.
A diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo (Ineep), Ticiana Álvares, destacou à Agência Brasil que o mercado projetava, para 2026, um preço médio em torno dos US$ 70 o barril.
Os mais impactados imediatamente devem ser, nessa ordem, Ásia e Europa. Só que, se o conflito se mantiver, se aprofundar, a tendência é que haja um impacto global de maiores repercussões, comentou.
A AIE estima que 80% do petróleo que transitou pelo Estreito de Ormuz, em 2025, foi com destino à Ásia. No entanto, os impactos de uma interrupção prolongada no transporte marítimo seriam globais, disse a agência internacional.
Petrobras pode se beneficiar
Ticiana Álvares acrescentou que a Petrobras pode se beneficiar como alternativa à queda da oferta do óleo do Oriente Médio e estima que a China pode segurar o não fornecimento do Irã por cerca de dois meses.
A própria geografia do fornecimento do petróleo vai ser impactada. O Brasil pode ser uma alternativa para o fornecimento de muita gente, elevando ainda mais a produção no Brasil. Os EUA também são grandes fornecedores de petróleo, principalmente de derivados, completou Ticiana.
Liberação dos estoques
Apesar dos riscos para o mercado global, os países do G7 decidiram não liberar, por enquanto, os estoques de emergência, o que poderia derrubar os preços.
Ainda não chegamos lá [na liberação das reservas]. O que acordamos foi usar todas as ferramentas necessárias, se preciso for, para estabilizar o mercado, incluindo a possível liberação dos estoques necessários, disse à Reuters o ministro da Economia francês, Rolando Lescure.
Para a especialista do Ineep, os estoques da AIE não conseguem segurar o preço por muito tempo. A medida estudada pelo G7 teria eficácia pequena porque isso sustenta por um tempo muito pequeno uma maior oferta de petróleo, disse Ticiana.
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