Risco de invasão de Cuba pelos EUA é real, avalia embaixador

Por Lucas Pordeus León - Repórter da Agência Brasil

Risco de invasão de Cuba pelos EUA é real, avalia embaixador

O governo de Cuba avalia como real o risco de invasão da ilha pelo governo de Donald Trump, dos Estados Unidos (EUA), afirmou o embaixador do país caribenho no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo. Em entrevista à Agência Brasil, o representante de Havana destacou que o país está preparado para uma agressão militar.

O povo cubano se prepara hoje para uma invasão real dos EUA. O governo e o povo cubanos não podem ignorar as pretensões dos EUA de uma invasão a Cuba. Isso é real, afirmou o diplomata.

O embaixador acrescentou que Cuba tem feito um chamado à comunidade e a imprensa internacionais para que não aceitem uma invasão da ilha pelos estadunidenses. Não é possível normalizar uma agressão militar contra Cuba.

O diplomata sediado no Brasil acrescentou que a maioria do povo cubano defende a soberania do país e lutará contra uma invasão militar estrangeira.

Cuba tem história, tem tradição de luta. Cuba tem tradição de preparação da população para essa luta, que é uma questão que não pode ser ignorada pelos EUA, explicou.

Desde janeiro de 2025, com a volta de Donald Trump à Casa Branca, Washington tem aumentado a pressão contra Havana com uma série de novas sanções, entre elas, o bloqueio energético com ameaças a países que vendam petróleo à ilha, o que deixou Cuba três meses sem receber nenhum barril de petróleo.

Em março deste ano, Trump chegou a dizer que teria a honra de tomar Cuba. Meses depois, em outubro, o presidente disse que iriam cuidar de Cuba depois de lidarem com o Irã, que foi atacado pelos EUA e por Israel em uma guerra que se arrasta desde fevereiro.

Em outra declaração, Trump defendeu que seria possível chegar a um acordo com Cuba. Não acho que precisaremos das forças armadas, disse.

As medidas de asfixia econômica contra Cuba vêm escalando mês a mês, levando à redução dos voos interacionais à Cuba, saída de empresas hoteleiras estrangeiras e mesmo da empresa de cartões Visa, afetando o setor do turismo, o principal do país.  

Ameaça extraordinária

Em janeiro deste ano, a Casa Branca classificou Cuba de uma ameaça incomum e extraordinária contra os EUA, acusando o país de abrigar adversários dos estadunidenses, focado em roubar informações sensíveis de segurança nacional dos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, o secretário do Departamento de Estado Marco Rubio, filho de família cubana, tem elevado o tom contra o governo do presidente Miguel Díaz-Canel.

Faremos o possível para tomar medidas que iniciem esse processo de mudança [em Cuba]. E será um processo que não será fácil, afirmou em coletiva de imprensa, em setembro deste ano.

O representante de Cuba no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, classifica as acusações dos EUA de ridículas.

Cuba não é uma ameaça para os EUA. Um país bloqueado, pequeno e economicamente asfixiado não tem a capacidade de pôr em risco a primeira potência do mundo. Essa acusação é ridícula, completou.

Ainda segundo o representante de Havana, uma agressão militar dos EUA contra Cuba seria um genocídio porque é uma potência nuclear atacando um pequeno país que fica a 90 milhas desse país.

Posição geográfica

Ao mesmo tempo, Palomo destaca que a posição geográfica de Cuba é complicada para os EUA e que uma invasão levaria os cubanos que vivem em território estadunidense a se voltar contra o governo Trump.

Eles não têm guerras em suas fronteiras há muito tempo. Uma guerra em Cuba vai afetar toda a região. Uma guerra em Cuba pode começar, você não sabe como vai terminar, alertou.

O aperto do cerco econômico a Cuba compõe uma nova ofensiva dos EUA para derrubar o governo liderado pelo Partido Comunista, que desafia a hegemonia política de Washington na América Latina há mais de seis décadas.

O embaixador de Cuba reconheceu que a ilha tem problemas, como outros países, mas argumentou que a nação é impedida de se desenvolver pelo bloqueio econômico imposto pelos EUA.

Nós cubanos temos problemas, mas os cubanos têm o direito de resolver os próprios problemas por vontade própria vontade. Não por uma agressão militar. Esse não é o caminho, disse.

Nas últimas semanas, o Departamento de Estado dos EUA adotou nova sanção contra empresas de tecnologias sensíveis que tenham relação com a ilha caribenha. A Justiça dos EUA chegou ainda a decretar, neste mês, a prisão do ex-presidente cubano Raúl Castro.