Mães de desaparecidos pedem visibilidade, memória e respeito

Por Luiz Claudio Ferreira Repórter da Agência Brasil

Mães de desaparecidos pedem visibilidade, memória e respeito

Recordar cada detalhe e não deixar que ninguém esqueça. No sobressalto de acordar no meio de tantas noites e, muitas vezes, sem dormir. No silêncio profundo e dolorido ou entre barulhos que ninguém mais parece escutar. Mães de filhos desaparecidos tentam traduzir todos os dias o que elas bem sabem ser intraduzível. 

Mulheres ouvidas pela Agência Brasil têm, querem e exigem esperança. Em 2025, 84.760 pessoas desapareceram no Brasil.

Quem sabe, elas dizem em datas como o Dia das Mães, celebrado neste domingo (10). Quem sabe elas terão mais atenção, mais ação, mais olhares e fôlego. Mais luzes no labirinto que a vida se transformou.

Elas buscam filhos recém-desaparecidos ou filhos que sumiram há décadas. Sonham em receber um abraço e um feliz dia das mães de quem sumiu e, assim, fazer com que a vida volte a ter o sentido de antes.

Foram a becos escuros, conheceram a indiferença em delegacias e até preconceito nas ruas. Dores tão profundas da realidade que até a ficção busca traduzir.

Mas eu não podia desistir, não enquanto houvesse uma mínima chance, diz a personagem Kehinde, escrava no Brasil colonial, que busca o filho desaparecido no romance Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves.

Dor como da operadora de caixa Rita Preta, em Coração sem Medo, de Itamar Vieira Junior, em sua busca desesperada pelo primogênito Alcides, que desaparece em Salvador (BA).