A primeira etapa da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) começou às 10h09 desta terça-feira, 16, informou o Banco Central. Nesta fase, o presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, e os seis diretores assistem a apresentações técnicas do corpo funcional sobre a economia para embasar a decisão sobre a taxa Selic. A decisão será divulgada na quarta-feira, 18, a partir das 18h30.

O aumento da incerteza provocado pelo conflito no Oriente Médio deve marcar o tom desta reunião do colegiado.

Como mostrou o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), ganha força no mercado financeiro a possibilidade de um corte inicial de 0,25 ponto porcentual da Selic no encontro, em meio à apreensão causada pela volatilidade recente nos preços do petróleo.

Conforme pesquisa Projeções Broadcast realizada nesta segunda-feira, 16, a maioria das casas agora projeta um corte de 0,25 ponto porcentual da Selic. Esse é o cenário base de 25 e 33 (76%) instituições consultadas.

Além disso, pela primeira vez desde dezembro de 2025, a mediana do Sistema Expectativas de Mercado, que embasa o Focus, passou a indicar um corte de 0,25 ponto da Selic nesta reunião do Copom. Nas leituras anteriores, a aposta era em uma redução de 0,50 ponto.

O avanço dessa possibilidade ocorre apesar do cenário de apreciação cambial registrado nas últimas semanas, que poderia abrir as portas para um corte maior, de 0,50 ponto. Na reunião de janeiro, a cotação do dólar usada no cenário de referência do comitê foi de R$ 5,35. Agora, ela deve cair para cerca de R$ 5,20.

O barril de petróleo Brent, referência internacional para o preço da commodity, atingiu um pico próximo de US$ 120 no último dia 9, no auge das preocupações internacionais com a segurança da produção e do transporte de petróleo. Nos dias seguintes, o mercado chegou a reduzir parte do prêmio de risco embutido nas cotações. A volatilidade, no entanto, continua e há o receio de que a alta da commodity seja duradoura, com pressões sobre a inflação, o que justificaria um início mais cauteloso do comitê.

Os temores inflacionários já aparecem no relatório Focus. No boletim publicado ontem, a mediana para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 subiu de 3,91% para 4,10% - ainda abaixo do teto da meta de inflação, de 4,50%. Para a inflação suavizada nos próximos 12 meses, a estimativa aumentou de 3,94% para 3,99%.