-
Sebrae/SC revela cenário de estabilidade, crescimento moderado e avanço tecnológico entre micro e pequenas empresas (Fotos: Agência Sebrae)
Como estão as micro e pequenas empresas em 18 segmentos selecionados? Para responder a essa pergunta, o Observatório de Negócios do Sebrae/SC ouviu 700 empreendedores dos setores de Comércio, Indústria e Serviços, em uma pesquisa realizada entre janeiro e fevereiro de 2026.
O Panorama Setorial das MPEs (Micro e Pequenas Empresas), referente ao 4º trimestre de 2025, revela desde o perfil dos empresários até dados de faturamento, investimentos e geração de empregos, informações que ajudam a entender o ritmo da economia local e onde estão as maiores oportunidades.
Os dados mostram um cenário de estabilidade com sinais importantes de transformação, especialmente na forma como os pequenos negócios estão investindo e incorporando tecnologia no dia a dia. Há uma mudança de comportamento que aponta para maior maturidade na gestão e nas estratégias de crescimento, destaca o gerente de Gestão Estratégica do Sebrae/SC, Roberto Füllgraf.
Perfil das empresas
Entre os respondentes da pesquisa, 52% são Microempresas (ME) e 48% Empresas de Pequeno Porte (EPP). A predominância está no setor de Serviços (66%), seguido pelo Comércio (50,7%) e pela Indústria (20,3%). Os dados demonstram uma dinâmica econômica concentrada em atividades de prestação de serviços e comércio.
Os segmentos mais representativos são Moda e Confecção (7,3%), Casa e Construção (7,3%), Alimentos e Bebidas (6,9%) e Mercado PET (6,6%). A liderança desses setores revela uma combinação entre segmentos tradicionais do varejo e mercados em expansão, com forte apelo de consumo.
Perfil dos empreendedores
Em relação ao perfil dos empreendedores, 55% são homens e 45% mulheres. O nível de escolaridade predominante é o Ensino Superior completo (52,3%), evidenciando uma base empresarial com elevado capital intelectual, o que favorece a gestão, a inovação e a absorção de novos conhecimentos.
A faixa etária majoritária é de 36 a 45 anos (34,6%), indicando concentração em idades economicamente ativas e com maior maturidade profissional.
Cenário de vendas e faturamento no 4º trimestre
O 4º trimestre (outubro a dezembro) foi menos promissor para as MPEs de Santa Catarina, se comparado ao 1º e 2° trimestre de 2025. No entanto, a percepção de queda nas vendas recuou em relação ao 3º trimestre analisado, passando de 42,2% para 38,1%.
Apesar disso, o faturamento apresentou aumento de 4,9% em comparação com o mesmo período de 2024. O setor com maior crescimento foi a Indústria (10,4%), enquanto o Comércio registrou queda (-3,3%).
Entre os segmentos analisados, os maiores avanços no faturamento foram observados nos setores Metalmecânico (31,2%), Educação (12,3%), Moda e Confecção (12,1%) e Serviços Diversos (11,5%).
Geração de empregos
Entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, observa-se crescimento moderado no número mediano de pessoas ocupadas, variando entre 5,9% (por porte) e 7,1% (por setor). O movimento indica leve expansão na capacidade de geração de empregos, especialmente associada ao avanço das empresas de pequeno porte e aos segmentos de comércio e serviços.
Dados do IBGE mostram que Santa Catarina registra a menor taxa de desemprego do país, 2,3%, bem abaixo da média nacional, de 5,4%.
Investimentos
Os dados apontam maior intensidade de investimentos no início do ano, com 47,3% no 1º trimestre e 45,6% no 2º. No segundo semestre, houve desaceleração, com 40,6% no 3º trimestre e 40,4% no 4º, indicando maior disposição para investir no primeiro semestre e acomodação nos meses seguintes.
No 4º trimestre de 2025, os principais tipos de investimento foram Infraestrutura e Reforma (42,4%), Equipamentos e Ferramentas (36,4%), Aquisição de Maquinário (23%) e Marketing (13,4%).
Dificuldades de gestão
No 1º trimestre de 2024, a falta de mão de obra qualificada era a principal dificuldade para 46,4% dos pequenos negócios. Ao longo do ano, esse índice perdeu intensidade, encerrando o 4º trimestre em 33,3%.
Por outro lado, a conjuntura econômica desfavorável ganhou relevância a partir do 2º trimestre (40,6%) e manteve-se elevada (36,9%).
O aumento dos custos apresentou queda contínua, passando de 36,6% no 1º trimestre para 19,2% no 4º, indicando menor pressão inflacionária ou maior adaptação das empresas.
Capacitação e interesse dos negócios
Ao longo de 2025, as prioridades de capacitação também se transformaram. O interesse por Inteligência Artificial saltou de 2,1% no 1º trimestre para mais de 36% no 4º, consolidando-se como tema estratégico.
A adoção da tecnologia também cresceu, passando de 43% no 3º trimestre para 46% no 4º. O perfil de uso evoluiu, aplicativos de IA perderam espaço (de 34,9% para 24,6%), enquanto o uso em Marketing avançou de 13,5% para 23,7%, indicando aplicação mais estratégica e maior maturidade digital.
Expectativas para o 1º trimestre de 2026
As expectativas indicam estabilidade com viés positivo, tendo em vista que 49,4% projetam manter as vendas no mesmo patamar, enquanto 36,3% esperam crescimento.
A perspectiva de aumento no faturamento (+8,7%) reforça um cenário de confiança moderada, embora apenas 17,9% sinalizem intenção de investir. A previsão de leve alta no emprego (+1,7%) sugere uma expansão cautelosa, com empresários adotando postura prudente no início do ano.
-
-
Tags
- dados
Deixe seu comentário