Miran: Redução do balanço patrimonial do Fed facilita política de taxas de juros

Por Patricia Lara

O diretor do Federal Reserve, Stephen Miran, disse que existem inúmeras razões pelas quais reduzir o balanço patrimonial do Banco Central americano é uma meta válida. Para o dirigente, um balanço patrimonial menor preserva recursos disponíveis para um cenário em que os formuladores de políticas precisem novamente enfrentar o limite inferior das taxas de juros.

"Devemos buscar uma presença o menor possível nos mercados para minimizar as distorções induzidas pelo governo, incluindo a desintermediação do mercado de financiamento", afirmou o dirigente em apresentação no Clube Econômico de Miami, na Flórida.

Miran observou que reduzir o balanço patrimonial é um desafio solucionável. "Aqueles que rejeitam a ideia de imediato simplesmente carecem de imaginação", afirmou.

O balanço do Fed pode encolher, mas os formuladores de políticas devem primeiro tomar medidas para garantir o sucesso dessa redução, pontuou. Miran disse que aconselharia um ritmo lento de reduções para garantir que o setor privado possa absorver todos os títulos retirados do nosso próprio balanço patrimonial.

Miran citou a possibilidade de uma redução de US$ 1 trilhão a US$ 2 trilhões no balanço patrimonial, sem a necessidade de recorrer às escassas reservas. "É claro que o tamanho ideal do balanço patrimonial é um assunto que merece uma análise mais aprofundada, e talvez seja melhor dimensioná-lo por uma variável financeira, como depósitos bancários, em vez do PIB", afirmou.

O dirigente abordou ainda alguns passos que poderiam ser adotados para reduzir o balanço patrimonial, citando a necessidade de se desmistificar as operações de recompra permanentes, o uso da linha de redesconto e o uso de operações a descoberto diurnas.

Miran listou ainda que poderia haver uma participação mais ativa em operações de mercado aberto pelo Fed, especialmente em torno do final de trimestres e datas fiscalmente significativas.