Taxas de juros têm leve baixa na sessão, com novas negociações entre EUA e Irã no radar
Os juros futuros negociados na B3 mostraram alívio no último pregão da semana, com percepção mais positiva sobre uma possível resolução para o conflito no Oriente Médio, dado que Estados Unidos e Irã enviarão negociadores para o Paquistão neste fim de semana. A cautela frente à possibilidade de que as tratativas terminem mal e de que haja nova escalada do confronto, porém, impediu que as taxas queimassem todos os prêmios acumulados desde segunda-feira.
Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 cedeu de 14,128% no ajuste de quinta a 14,095%. O DI para janeiro de 2029 recuou a 13,47%, vindo de 13,547% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2031 teve baixa de 13,59% para 13,495%.
Em relação ao fechamento da última sexta-feira, no entanto, a curva ainda apura alta, homogênea entre os principais vencimentos. O DI de janeiro do próximo ano subiu cerca de 20 pontos-base, e os contratos de janeiro de 2029 e janeiro de 2031, ao redor de 30 pontos-base.
Os contratos futuros de petróleo em Londres e Nova York fecharam em leve queda nesta sexta-feira, 24, voltando a operar abaixo de US$ 100 o barril, após relatos de que autoridades iranianas e norte-americanas estarão no Paquistão nos próximos dias para negociar. Do lado dos EUA, os enviados Steve Witkoff e Jared Kushner viajarão a Islamabad neste sábado, 25. Já o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, irá à capital paquistanesa na noite desta sexta, de acordo com a agência estatal iraniana IRNA. A perspectiva é que o diálogo entre os dois países ocorra no domingo.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que Teerã pretende apresentar uma proposta para atender às exigências de Washington. Segundo a Reuters, o republicano disse que ainda não sabe o conteúdo do documento. Também evitou responder com quem, exatamente, os americanos estarão negociando, diante da dispersão de lideranças do país persa.
"A expectativa em torno das negociações estava derrubando as taxas, mas a cautela com o final de semana voltou e os DIs ficaram praticamente no zero a zero em relação ao início do dia", observa Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil. "Foi um dia de cautela, morno e bem fraco, sem nada muito relevante", resumiu.
Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, sinais de continuidade nas negociações entre EUA e Irã e a extensão do cessar-fogo no confronto ajudaram a reduzir o prêmio de risco geopolítico, enquanto a queda nos rendimentos de curto prazo dos Treasuries enfraqueceu o dólar em relação a outras moedas fortes. "No Brasil, o movimento foi acompanhado pelo fechamento da curva de DI, reforçando algum alívio nas expectativas de juros. O cenário externo acabou prevalecendo nesta sexta", disse.
Na próxima semana, porém, a conjuntura doméstica volta ao foco dos investidores, com a decisão de juros do Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira. A ampla maioria do mercado projeta um corte mínimo na Selic, de 0,25 ponto porcentual: de 37 casas consultadas pelo Projeções Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, 33 apostam nesse cenário.