Ibovespa cai 0,33% no dia, aos 190,7 mil pontos, e recua 2,55% na semana

Por Luís Eduardo Leal

Na mínima intradia, o Ibovespa operou no período da tarde desta sexta-feira, 24, ainda que pontualmente, abaixo dos 190 mil pontos pela primeira vez desde 8 de abril, distanciando-se um pouco mais do pico histórico, de 199 mil pontos, e do recorde de fechamento, na casa de 198,6 mil em 14 de abril. Nesta sexta, o índice da B3 oscilou de 189.962,93 a 191.390,33 pontos entre os extremos do dia e, ao fim, marcava 190.745,02 pontos, em baixa de 0,33%. Além de três perdas diárias consecutivas, o Ibovespa teve ganho em apenas uma das sete sessões que sucederam o recorde de 14 de abril - na última segunda-feira, antes do feriado, quando subiu apenas 0,20%.

Na semana, acumulou perda de 2,55%, que sucedeu queda de 0,81% no intervalo anterior.

No mês, o índice avança 1,75% e, no ano, tem alta de 18,38%.

O giro financeiro desta sexta-feira ficou em R$ 24,9 bilhões. O nível de fechamento da sessão foi o mais baixo para o Ibovespa desde 7 de abril.

"Se na semana passada o mercado celebrava sinais de possível paz no Oriente Médio, esta semana trouxe o movimento inverso. O otimismo deu lugar ao ceticismo, e os ativos sentiram o peso dessa virada", resume Bruna Sene, analista de renda variável da Rico. "O principal gatilho foi o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, que voltou a bloquear a passagem de embarcações após o impasse nas negociações com os Estados Unidos. Com isso, o petróleo retomou a trajetória de alta, o dólar ganhou força globalmente e os ativos de risco recuaram." Na semana, os contratos mais líquidos do Brent e do WTI avançaram, pela ordem, cerca de 13% e de 12%. Na sessão desta sexta, o primeiro cedeu 0,22% e o segundo, 1,51%.

Nesta sexta-feira, o petróleo passou a cair com a possibilidade de que as conversas entre EUA e Irã sejam retomadas ainda no fim de semana, no Paquistão. Assim, na B3, as ações de Petrobras, que haviam contribuído para moderar as perdas do Ibovespa nas últimas sessões, continuaram nesta sexta a acompanhar o sinal da commodity, com a ON em baixa de 0,97% e a PN, de 1,28%, no fechamento.

Principal papel do Ibovespa, Vale ON caiu 0,12%, sem se contrapor ao efeito negativo não apenas de Petrobras, mas também do setor financeiro, o de maior peso no índice, com destaque para Banco do Brasil ON (-1,30%). Itaú PN avançou 0,43%.

Na ponta ganhadora do Ibovespa, Hapvida (+5,94%), Usiminas (+5,55%) e Braskem (+5,28%). "Hapvida subiu com o aumento de posição dos controladores na companhia, enquanto Usiminas reagiu ao balanço melhor do que o esperado", diz Bruno Perri, economista-chefe, estrategista e sócio-fundador da Forum Investimentos. No lado oposto na sessão, Brava (-5,75%), Vamos (-3,24%) e Cury (-2,56%).

"O mercado de ações continua pesado, na medida em que a retomada das conversas entre Estados Unidos e Irã no fim de semana é positiva, mas sem sinais de que se alcance, ainda, um avanço em direção à paz", diz Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos. Ele destaca efeitos negativos da escalada do petróleo sobre o quadro macroeconômico, que têm se refletido em reavaliações semanais, no Boletim Focus, nas expectativas do mercado para a inflação, sempre para cima.

"Tivemos hoje mais um pregão correlacionado ao noticiário do Oriente Médio, desde a sessão na Ásia. Mas a disposição do Irã em voltar a conversar não deixa de ser favorável, depois de o lado americano ter mostrado uma pressa menor" ao prorrogar o cessar-fogo, nesta semana, sem um prazo determinado de vigência, condicionado agora à disposição do adversário em negociar a partir de uma proposta que seja apresentada, observa Matheus Spiess, analista da Empiricus Research. Assim, o mercado continua "refém" dos desdobramentos em torno do Oriente Médio.

Para além do quadro macro, contudo, resultados corporativos, em especial os de semicondutores, carro-chefe do setor de tecnologia, têm contribuído para lançar o S&P 500 e o Nasdaq a novas máximas históricas. Nesta sexta-feira, com o Dow Jones em baixa de 0,16% no fechamento, o índice amplo S&P 500 e o tecnológico Nasdaq mostraram ganhos, respectivamente, de 0,80% e 1,63% no fim da sessão.

"Semana foi, ainda, de muito vai e vem com relação à percepção de risco global. Geopolítica continua a ser o principal motor dos mercados. Expectativa maior, positiva no início da semana, foi dando lugar ao pessimismo, com repique no petróleo mais para o fim da semana e fortalecimento global também no dólar, ante a retomada da incerteza nas negociações. Mas o foco começa a voltar, mesmo que aos poucos, para o micro, com atenção maior a resultados trimestrais positivos, como os da Intel, muito fortes", diz Rachel de Sá, estrategista de investimentos da XP.

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